
Fábula TCG
Fábula TCG é um jogo de cartas colecionáveis brasileiro de ficção científica ambientado em um futuro distante, após uma catástrofe que praticamente exterminou a humanidade. Em um mundo habitado pelos Sherat'i, espécies animais que desenvolveram novas civilizações, os jogadores disputam territórios utilizando combate, influência e diferentes estratégias. Seu universo combina elementos da cultura brasileira com ideias do solarpunk, do pós-apocalipse e de outras vertentes da ficção especulativa.
- Criadores / estúdio
- Rafael Seiz — criador, responsável pelo universo narrativo e designer do jogo. Maykon Martins — integrante da equipe de game design. Desenvolvimento e publicação independentes pela equipe do Fábula TCG.
- Gênero
- Ficção científica, pós-apocalipse, estratégia, combate territorial e cartas colecionáveis.
- Estágio
- Jogo lançado comercialmente em 2026, com três baralhos físicos da coleção Desbravando o Miasma e a mini-expansão Memórias do Mundo Morto. A segunda grande coleção, Litorais Ameaçados, foi financiada com sucesso e encontra-se em preparação para entrega, prevista para março de 2027. O projeto disponibiliza regras gratuitas, catálogo de cartas, baralhos em PDF e informações sobre lojas parceiras.
- Plataforma ou formato
- TCG físico para dois jogadores, com partidas estimadas em aproximadamente 30 minutos e classificação indicativa de 14 anos. Possui baralhos pré-construídos, cartas colecionáveis e versões digitais em PDF para impressão e montagem.
Proposta e universo
O universo de Fábula começa muito depois do fim da civilização humana. Uma guerra de proporções devastadoras, acompanhada por ataques nucleares e por uma catástrofe biológica, praticamente exterminou a humanidade e transformou profundamente a vida na Terra. O vírus responsável por parte dessa destruição provocou mutações aceleradas em diversas espécies animais, dando origem aos Sherat'i, seres antropomórficos que passaram a ocupar os territórios anteriormente dominados pelos humanos. Ao longo dos séculos, esses novos povos desenvolveram sociedades próprias, utilizando conhecimentos, objetos e histórias preservados pelos sobreviventes da antiga civilização. As ruínas desse período ficaram conhecidas como vestígios do Mundo que Passou, uma época distante cuja influência ainda pode ser encontrada em tecnologias esquecidas, construções abandonadas e tradições transmitidas entre gerações.
Na região correspondente ao Brasil e a partes da América do Sul surgiu a Nação dos Ipês, organizada em cinco grandes regiões que preservam elementos culturais e geográficos brasileiros, mas desenvolveram suas próprias identidades. Samaúma, inspirada no Norte, reúne cidades integradas à vegetação e conhecimentos avançados de biotecnologia, enquanto Cambará, ligada ao Centro-Oeste, enfrenta criaturas mutantes conhecidas como Sinistros em territórios marcados pela contaminação. Araucária, associada ao Sul, abriga comunidades predominantemente nômades, com forte presença da pecuária e tradições próprias. Carnaúba, inspirada no Nordeste, tornou-se um importante centro de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, enquanto Jacarandá, relacionada ao Sudeste, concentra atividades comerciais, portos e redes responsáveis pela distribuição de produtos entre as regiões. Apesar das diferenças, esses povos compartilham uma estrutura política baseada nos Palmares, conselhos regionais cujos representantes participam do Palmares Central, responsável por articular os interesses da nação.
A aparente estabilidade dessa sociedade, entretanto, esconde conflitos que permanecem ligados ao passado. Sob as ruínas da antiga São Paulo existe Santa Cova, uma gigantesca cidade subterrânea formada pelos descendentes de humanos que sobreviveram à catástrofe. Seus habitantes vivem sob o domínio da Igreja da Retidão, uma organização autoritária que mantém a população isolada e alimenta a crença de que a superfície continua inabitável. Enquanto isso, os Filhos de Geiger cultuam os Sinistros como entidades divinas, espalhando doenças e ameaçando comunidades da Nação dos Ipês, ao passo que invasores conhecidos como Aquilae Setentrionales procuram estabelecer bases militares no litoral. É nesse cenário que personagens como Kaluanã, um caçador de Sinistros de Cambará, e Mayara, uma jovem de Santa Cova, acabam envolvidos em acontecimentos capazes de aproximar sociedades que mal conhecem a existência umas das outras. Fábula utiliza esses conflitos para explorar um futuro que seus criadores chamam de Brasofuturismo, combinando referências do solarpunk, do cyberagreste e do amazofuturismo para imaginar como a cultura brasileira poderia se transformar depois do fim do mundo conhecido.
Como funciona
Fábula TCG é um jogo competitivo em que dois participantes assumem o papel de líderes interessados em proteger seus territórios e conquistar as bases adversárias. No formato padrão, chamado Conflito, cada jogador utiliza um baralho de pelo menos 40 cartas, acompanhado por cinco Bases que já começam posicionadas no campo. Uma delas representa o Centro do território, enquanto as outras quatro ocupam os Arredores e funcionam como suas principais defesas. O objetivo é conquistar o Centro do adversário, mas isso exige superar a resistência das bases e dos Aliados que as protegem. A principal característica do sistema está na existência de duas maneiras diferentes de disputar território: pela Ofensiva, que causa dano e destrói estruturas, ou pela Influência, que permite tomar o controle de uma base e passar a utilizar suas vantagens. Essa diferença faz com que o jogador precise decidir constantemente entre eliminar os recursos do adversário ou incorporá-los à própria estratégia.
Os Aliados representam personagens, soldados, líderes e outros integrantes das diferentes facções do universo. Cada carta possui atributos de Ofensiva, Vida e Influência, que determinam sua participação nas disputas. Durante a partida, os jogadores também podem utilizar Manobras, cartas capazes de interferir nas ações e provocar mudanças inesperadas, e Modificações, que permanecem em campo para fortalecer unidades, prejudicar adversários ou alterar o funcionamento de determinadas cartas. Outro diferencial importante está no gerenciamento de recursos, que não depende da compra de cartas específicas para produzir energia. Os jogadores começam com dois pontos de recurso, e seu limite aumenta gradualmente até alcançar dez, permitindo utilizar cartas mais exigentes conforme a partida avança. Os recursos não utilizados ainda podem ser empregados em respostas durante o turno adversário, mantendo a possibilidade de interação mesmo fora do próprio turno.
A construção dos baralhos também está diretamente relacionada ao território escolhido. As Bases possuem cores que determinam quais cartas podem fazer parte do conjunto, fazendo com que cada combinação ofereça possibilidades estratégicas diferentes. Os primeiros baralhos físicos apresentam Cambará, Araucária e os Filhos de Geiger, com estratégias associadas, respectivamente, ao dano e à caça de criaturas, à cooperação entre aliados e ao uso de sacrifícios e efeitos ligados à Influência. A coleção Litorais Ameaçados amplia essas possibilidades com Carnaúba, Jacarandá e Samaúma, introduzindo novas combinações de cores e estilos de jogo. Além do formato Conflito, Fábula possui a modalidade Escaramuça, que utiliza apenas três Bases e foi desenvolvida para oferecer partidas mais rápidas e facilitar o aprendizado. A equipe também estuda outras modalidades, incluindo partidas com mais de dois jogadores, mas o Duelo permanece como o principal formato disponível.
Financiamento coletivo
O desenvolvimento comercial de Fábula TCG acontece por meio de campanhas sucessivas de financiamento coletivo no Catarse. A primeira, Primeiros Passos, foi realizada entre março e maio de 2025, com o objetivo de remunerar artistas brasileiros responsáveis pelas ilustrações iniciais. A campanha arrecadou R$ 34.000,09 de 200 apoiadores, alcançando 283% da meta. A etapa seguinte, Desbravando o Miasma, financiou a impressão dos três primeiros baralhos físicos e alcançou 336% do objetivo estabelecido. Em 2026, o projeto também lançou a mini-expansão Memórias do Mundo Morto, produzida em parceria com a Viper Acessórios.
A campanha mais recente, Litorais Ameaçados, aconteceu entre julho e agosto de 2026, arrecadando R$ 88.962 de 195 apoiadores e alcançando 356% da meta inicial de R$ 25 mil. Uma campanha complementar, encerrada em 17 de setembro, arrecadou mais R$ 21.534. O financiamento foi destinado à produção dos baralhos de Carnaúba, Jacarandá e Samaúma, além de materiais adicionais. O projeto pretende continuar ampliando seu universo com Túneis de Santa Cova, próximo grande ciclo narrativo, que deverá apresentar novas facções e aprofundar os conflitos existentes nas sociedades subterrâneas. As entregas físicas de Litorais Ameaçados estão previstas para março de 2027.




