ARQUIVO DO FANTÁSTICO

Arthur Machen

Muito antes de H. P. Lovecraft imaginar deuses cósmicos e civilizações anteriores à humanidade, Arthur Machen já escrevia sobre homens que descobriam que o mundo conhecido era apenas uma camada superficial da realidade. Galês, místico, jornalista e um dos grandes precursores da ficção estranha, ele encontrou nas ruínas romanas, nas lendas de sua terra natal e nas contradições da sociedade vitoriana o material para algumas das histórias mais perturbadoras do final do século XIX.

Arthur Machen nunca alcançou a popularidade de alguns dos escritores que ajudou a formar. Seu nome permanece muito menos conhecido do grande público do que os de Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft ou Stephen King, embora sua presença possa ser encontrada por trás de boa parte do horror sobrenatural produzido depois dele. Em suas melhores histórias, o medo não nasce necessariamente de uma criatura que invade o nosso mundo. Surge de uma ideia muito mais inquietante: talvez aquilo que chamamos de realidade seja apenas uma parte extremamente limitada de algo que sempre esteve ao nosso redor.

Essa obsessão não apareceu por acaso. A vida de Machen foi marcada pela convivência com paisagens onde diferentes épocas pareciam existir simultaneamente, pelo interesse em arqueologia e religiões antigas, por uma relação intensa com o cristianismo e o misticismo e por sua aversão ao materialismo que via dominar a sociedade moderna. Foi dessa combinação que surgiram O Grande Deus Pã, O Povo Branco, Os Três Impostores e outras obras que transformaram ruínas, bosques, becos londrinos e experimentos científicos em portas para alguma coisa que talvez fosse melhor não enxergar.

De Caerleon para Londres

Arthur Machen nasceu em 3 de março de 1863, em Caerleon, no sul do País de Gales, com o nome Arthur Llewellyn Jones. “Machen” vinha da família de sua mãe e acabaria se tornando o nome pelo qual seria conhecido como escritor. Seu pai, John Edward Jones, era sacerdote anglicano, e a família vivia na casa paroquial de Llanddewi, numa região que deixou uma impressão profunda no menino. Machen cresceu cercado pelas colinas e florestas de Gwent, mas também por vestígios físicos de um passado muito mais remoto. Caerleon havia sido um importante centro romano na Britânia, e escavações arqueológicas realizadas na região revelavam pedras inscritas, esculturas e vestígios de antigos cultos pagãos.

Para Machen, essa arqueologia não permaneceu apenas como interesse histórico. A região natal passou a representar uma espécie de mundo em camadas: sob a paisagem cristã e moderna permaneciam sinais de Roma, das antigas tradições galesas e das lendas medievais relacionadas ao rei Artur. Ele lembraria posteriormente que considerava uma enorme sorte ter nascido ali e atribuía boa parte do que conseguira fazer na literatura à impressão de ter aberto os olhos, ainda criança, diante de uma “terra encantada”. Essa sensação de que o presente repousa sobre alguma coisa muito mais antiga se tornaria uma das ideias fundamentais de sua ficção.

Aos onze anos, foi enviado para a Hereford Cathedral School e recebeu uma formação clássica, mas a situação financeira da família impediu que seguisse para uma universidade. Ainda jovem chegou a considerar uma carreira médica e tentou ingressar no Royal College of Surgeons, sem sucesso. A literatura ofereceu outra possibilidade. Ainda adolescente escreveu Eleusinia, poema inspirado nos antigos Mistérios de Elêusis, e em 1881, aos dezoito anos, foi enviado a Londres com a expectativa de tentar uma carreira ligada ao jornalismo. A escolha do tema de seu primeiro trabalho já indicava interesses que permaneceriam com ele: religiões antigas, ritos secretos e a possibilidade de conhecimentos reservados apenas a iniciados.

A experiência londrina inicialmente esteve muito longe de qualquer carreira literária glamourosa. Machen passou boa parte da década de 1880 vivendo com pouco dinheiro, lendo compulsivamente e caminhando pela cidade. Londres, contudo, acabou se tornando tão importante para sua imaginação quanto Gales. Ele se interessava pelos bairros antigos engolidos pela expansão urbana, pelas vielas, pelos povoados que haviam sido absorvidos pela metrópole e pelos lugares onde uma cidade mais velha parecia continuar existindo debaixo daquela Londres moderna e industrial. Mais tarde, suas histórias transformariam essas caminhadas em uma geografia própria, na qual virar uma esquina poderia significar atravessar uma fronteira invisível.

Em 1884, publicou The Anatomy of Tobacco, um livro excêntrico escrito num estilo deliberadamente antigo, e começou a trabalhar com o livreiro e editor George Redway. O emprego foi importante porque colocou Machen em contato com uma enorme quantidade de literatura de arqueologia, alquimia, magia, cabala, sociedades secretas, espiritismo e outras tradições esotéricas. Também trabalhou como tradutor, vertendo para o inglês obras de Margarida de Navarra, Béroalde de Verville e as memórias de Casanova. Sua primeira obra de ficção mais significativa, The Chronicle of Clemendy, apareceu em 1888 e ainda trazia muito do gosto de Machen pela linguagem arcaizante e pelo espírito de autores antigos.

A mudança decisiva ocorreu no início da década seguinte. Por volta de 1890, Machen abandonou gradualmente aquele estilo de pastiche e começou a escrever histórias ambientadas no presente, com linguagem mais direta e estruturas próximas da ficção popular que circulava naquele momento. Era possível reconhecer nele a agilidade narrativa de escritores como Robert Louis Stevenson e Arthur Conan Doyle, mas Machen passou a inserir dentro desse mundo reconhecível uma espécie de fissura. Um médico, um antiquário ou um sujeito caminhando por Londres começava dentro da realidade cotidiana e terminava diante de algo que desmontava completamente aquilo que acreditava saber. Foi nesse novo caminho que surgiu a obra que definiria sua carreira.

O Grande Deus Pã

Publicado em dezembro de 1894, O Grande Deus Pã tornou Arthur Machen conhecido e, ao mesmo tempo, colocou seu nome no centro de uma das discussões morais e literárias do final da era vitoriana. Uma versão embrionária da história já existia alguns anos antes, mas Machen ampliou o material enquanto vivia com a primeira esposa, Amy Hogg, numa região rural fora de Londres. O livro saiu pela Bodley Head, de John Lane, na coleção Keynotes, ao lado de A Luz Interior, e recebeu uma apresentação visual de Aubrey Beardsley, artista que se tornaria um dos grandes símbolos da cultura decadente dos anos 1890.

A história começa com uma experiência científica. O médico Raymond acredita ter descoberto uma forma de alterar o cérebro humano para que uma pessoa possa enxergar aquilo que normalmente permanece escondido dos nossos sentidos. Para explicar sua experiência, usa uma imagem antiga: aquilo que os homens do passado chamavam de “ver o deus Pã”. A paciente é Mary, uma jovem sobre a qual Raymond exerce enorme controle. Depois da operação, ela vê alguma coisa que a narrativa jamais descreve completamente e perde de maneira irreversível sua consciência normal.

A partir daí, Machen abandona Mary e praticamente abandona também a estrutura convencional de uma narrativa contínua. Anos se passam. Diferentes homens encontram fragmentos de uma história envolvendo uma mulher misteriosa chamada Helen Vaughan. Pessoas que convivem com ela enlouquecem, morrem ou são destruídas de maneiras que os personagens evitam descrever detalhadamente. Cada novo testemunho fornece apenas mais uma parte do quebra-cabeça, até que a relação entre o experimento inicial e Helen começa a ficar evidente.

Essa construção é uma das razões pelas quais O Grande Deus Pã continua tão moderno. Machen não entrega o acontecimento central ao leitor; obriga-o a reconstruí-lo a partir de relatos, conversas, documentos e acontecimentos incompletos. Até mesmo alguns críticos contemporâneos se irritaram com essa estratégia, reclamando que o escritor se recusava a dizer claramente qual era o horror. O recurso que irritava leitores em 1894, entretanto, seria transformado ao longo do século XX em uma das técnicas fundamentais da ficção de horror: aquilo que não pode ser descrito, nomeado ou compreendido inteiramente pode ser mais perturbador do que qualquer monstro apresentado de maneira explícita.

Também é importante perceber que Pã não funciona simplesmente como uma criatura da mitologia grega. O nome representa algo maior: uma realidade que existe além da capacidade normal de percepção humana. O experimento de Raymond não cria essa realidade, apenas remove a barreira que nos impedia de enxergá-la. Essa diferença está no centro de praticamente toda a obra de Machen. O mundo estranho não chega até nós; ele já estava aqui. O problema começa quando alguém encontra uma porta.

A ciência ocupa uma posição particularmente interessante nessa história. Machen não era simplesmente contrário ao conhecimento científico, mas desconfiava profundamente da ideia de que a razão e o materialismo seriam capazes de explicar toda a existência. Em O Grande Deus Pã, uma cirurgia cerebral aparentemente moderna conduz à descoberta de algo que pertence a tradições muito mais antigas. A ciência imagina estar avançando para uma nova fronteira, quando talvez esteja apenas redescobrindo um conhecimento que religiões e ritos antigos já haviam encontrado por outros caminhos. Estudos contemporâneos sobre Machen observam justamente essa mistura entre neurologia, arqueologia, ocultismo e teorias vitorianas sobre degeneração.

O País de Gales é igualmente importante. Anos depois, Machen explicou que parte da inspiração para a história vinha das sensações que experimentara quando criança diante das ruínas, florestas e vestígios da antiguidade em sua terra natal. Seu objetivo original não teria sido simplesmente produzir uma história sobre o mal, mas transmitir aquela mistura de assombro, mistério e medo produzida pela impressão de que a paisagem escondia algo incompreensível. Ele chegou a reconhecer posteriormente que talvez tivesse transformado de maneira excessiva esse assombro em horror. Essa observação ajuda a entender uma característica fundamental do autor: o sobrenatural de Machen nem sempre é maligno. Pode provocar terror porque é grande demais para nós.

A sexualidade também tornou O Grande Deus Pã especialmente explosivo em 1894. Muito do que acontece com Helen é apenas sugerido, mas o texto liga sua presença a desejo, escândalo, suicídio e destruição social. Para uma sociedade obcecada com respeitabilidade, classificação e controle dos comportamentos sexuais, a ideia de uma mulher cuja natureza e sexualidade escapam completamente dessas categorias já era perturbadora. A própria transformação corporal associada ao clímax da história dissolve fronteiras entre masculino e feminino, humano e animal, corpo estável e matéria informe. Leituras acadêmicas contemporâneas examinam justamente como Machen transformou ansiedades vitorianas sobre sexo, gênero e degeneração em horror sobrenatural.

Isso não significa que todas essas questões tenham envelhecido de maneira confortável. Helen existe quase inteiramente através do olhar e do relato de homens, e sua autonomia sexual é inseparável da monstruosidade que a história lhe atribui. É possível ler essa construção como expressão das ansiedades masculinas de seu tempo, ao mesmo tempo em que se reconhece a força com que Machen rompe as categorias corporais e sociais da literatura vitoriana. O Grande Deus Pã continua interessante justamente porque não se tornou um objeto histórico inofensivo: algumas das coisas que perturbaram seus primeiros leitores ainda produzem debate, embora por razões diferentes.

Um livro considerado repugnante

A recepção foi brutal. Críticos descreveram O Grande Deus Pã como mórbido, repulsivo, desagradável, incoerente e moralmente doentio. Uma parte do público se incomodava com o horror corporal e com as sugestões sexuais; outra reclamava exatamente do contrário, dizendo que Machen insinuava atrocidades sem nunca explicá-las. O livro, entretanto, chamou atenção e vendeu. O escândalo colocou o escritor dentro do universo da chamada Decadência, ao lado de uma geração de artistas associados à exploração de sensações extremas, sexualidade, ocultismo e transgressão dos padrões culturais vitorianos.

Machen nunca se sentiu completamente confortável com essa classificação. Décadas depois, insistiria que a origem de O Grande Deus Pã estava muito mais nas paisagens e experiências de sua infância galesa do que nos salões literários londrinos. Isso é provavelmente verdade, mas também é difícil separar completamente o livro do ambiente em que apareceu. John Lane era um dos grandes editores da vanguarda inglesa, Aubrey Beardsley havia projetado a capa e a página de rosto, e as obsessões com paganismo, sexualidade, decadência e transformação corporal faziam parte das inquietações culturais do período.

O problema se agravou em 1895, depois dos julgamentos e da prisão de Oscar Wilde. A reação contra Wilde se expandiu para boa parte da produção literária associada ao esteticismo e à Decadência. Obras que pouco antes pareciam ousadas passaram a ser vistas como manifestações de uma cultura moralmente degenerada. Machen, que havia acabado de publicar Os Três Impostores, foi atingido diretamente por essa mudança. Durante os anos seguintes, encontrou enormes dificuldades para publicar ficção, mesmo enquanto escrevia alguns dos trabalhos que hoje são considerados os melhores de sua carreira, como O Povo Branco e A Colina dos Sonhos.

Há uma ironia importante nessa história. O período em que o mercado praticamente fechou as portas para Machen foi justamente aquele em que ele aperfeiçoou sua literatura. Livre da necessidade imediata de repetir o escândalo de O Grande Deus Pã, passou a trabalhar com formas mais indiretas de estranheza. O horror deixou de depender tanto de uma grande revelação final e passou a infiltrar-se na própria percepção do mundo.

A arte de sugerir

Machen gostava da ideia de que o verdadeiro escritor deveria provocar uma espécie de êxtase, palavra que aparece no centro de seu ensaio literário Hieroglyphics. Não se tratava necessariamente de prazer. Êxtase, para ele, era a sensação de ser retirado momentaneamente da experiência cotidiana e colocado diante de alguma coisa maior. Uma história poderia chegar a isso através da beleza, da religião, da maravilha ou do horror. O importante era produzir no leitor a impressão de que a realidade comum havia se aberto.

Essa visão explica por que classificá-lo simplesmente como escritor de terror é insuficiente. Em algumas histórias, aquilo que existe além do mundo ordinário é monstruoso; em outras, é quase uma revelação espiritual. Um Fragmento de Vida, por exemplo, utiliza uma estrutura semelhante à de seus contos de horror — pessoas comuns descobrem lentamente que outra realidade existe ao redor delas —, mas conduz essa descoberta em direção ao encantamento, e não à destruição. Para Machen, terror e maravilhamento podiam nascer exatamente da mesma porta.

Sua escrita procura preservar essa ambiguidade. Em vez de explicar completamente uma criatura ou ritual, ele oferece palavras desconhecidas, sinais, objetos arqueológicos, relatos contraditórios e testemunhos incompletos. Os personagens frequentemente investigam alguma coisa sem perceber a dimensão daquilo que encontraram. Essa estrutura aproxima suas histórias tanto do mistério policial quanto da ficção sobrenatural e explica parte da influência posterior sobre Lovecraft, que utilizaria recortes de jornais, manuscritos, depoimentos e pesquisas para construir seus próprios horrores.

O Povo Branco talvez seja a expressão mais refinada dessa técnica. Grande parte da narrativa é formada pelo diário de uma menina que fala sobre jogos, criaturas, cerimônias e palavras misteriosas que aprendeu com sua babá. A garota não compreende plenamente o que está descrevendo, e Machen não traduz essas experiências para o leitor. O horror aparece no espaço entre a inocência da narradora e aquilo que começamos a suspeitar sobre seus relatos. O resultado é muito menos explícito do que O Grande Deus Pã, mas talvez ainda mais perturbador.

Por que paganismo, ruínas e povos escondidos aparecem tanto?

A resposta começa na infância em Gales, mas vai além dela. Machen cresceu numa região em que ruínas romanas, tradições celtas e cristianismo coexistiam fisicamente. Quando começou a trabalhar com livros esotéricos em Londres, encontrou um vasto repertório de alquimia, cabala, gnosticismo, sociedades secretas e relatos sobre feitiçaria e cultos antigos. Sua ficção transformou essa mistura numa pergunta recorrente: e se determinadas crenças antigas não fossem apenas crenças?

Essa ideia aparece de maneira particularmente forte em A Novela do Selo Negro, uma das histórias inseridas em Os Três Impostores. Um pesquisador começa a reunir evidências de que as antigas histórias sobre fadas e “pessoas pequenas” talvez sejam lembranças distorcidas de uma população real, antiquíssima e não inteiramente humana que continua existindo em regiões isoladas. A explicação mistura folclore, arqueologia e uma espécie de antropologia fantástica. Mais tarde, Lovecraft usaria mecanismos muito semelhantes ao transformar lendas locais em pistas da existência de raças anteriores à humanidade.

Machen, entretanto, não chegava às mesmas conclusões filosóficas que Lovecraft. Sua visão de mundo era profundamente espiritual. Embora tenha se aproximado da Ordem Hermética da Aurora Dourada depois da morte da primeira esposa, sua participação foi relativamente breve e pouco entusiasmada. Ele se interessava por ocultismo, ritual e tradição esotérica, mas isso não significa que acreditasse indiscriminadamente em magia prática. Sua religiosidade desenvolveu-se principalmente dentro de uma forma mística e anglo-católica do cristianismo, e sua grande oposição intelectual era o materialismo: a ideia de que toda a existência poderia ser reduzida ao que é mensurável e economicamente útil.

Essa diferença separa de maneira muito clara Machen de Lovecraft. Quando um personagem de Lovecraft rompe a superfície da realidade, geralmente encontra um cosmos material, indiferente e hostil à importância humana. Quando um personagem de Machen faz o mesmo, pode encontrar algo terrível, mas encontra também mistério, transcendência e possibilidade espiritual. O horror macheneano nasce menos da insignificância humana no universo e mais da incapacidade humana de compreender plenamente aquilo que existe além da aparência.

As pessoas mais importantes ao redor de Machen

A primeira esposa, Amy Hogg, teve um papel importante na transformação de Machen de jovem isolado em participante da vida cultural londrina. Os dois se casaram em 1887, e Amy estava ligada aos ambientes artísticos da cidade. Foi também durante esse casamento que Machen conseguiu, graças a pequenas heranças, afastar-se temporariamente das dificuldades financeiras e dedicar-se com maior liberdade à literatura. A morte de Amy por câncer, em 1899, foi uma ruptura brutal. Machen entrou num período de profunda crise emocional e chegou a abandonar quase completamente a escrita por algum tempo.

O amigo mais importante nesse período foi Arthur Edward Waite, estudioso de misticismo e ocultismo que posteriormente ficaria conhecido também pelo baralho de tarô Rider-Waite-Smith. Waite ajudou Machen durante o luto e o aproximou da Golden Dawn. Mais importante do que a ordem em si foi a longa amizade intelectual entre os dois: compartilhavam o interesse por simbolismo, Santo Graal, ritual e tradições místicas, embora nem sempre chegassem às mesmas conclusões.

Entre suas influências literárias, Robert Louis Stevenson ocupa uma posição central. A presença de O Médico e o Monstro pode ser percebida na relação entre ciência, transformação e regressão presente em O Grande Deus Pã, enquanto a estrutura de narrativas interligadas de Stevenson influenciou diretamente Os Três Impostores. Edgar Allan Poe também foi frequentemente aproximado de Machen pela crítica, embora o próprio galês observasse que seus terrores eram diferentes: Poe tornava o horror bastante definido, enquanto Machen buscava algo mais vago, semelhante às lembranças quebradas de um pesadelo.

Outras influências vinham de muito mais longe. Suas traduções e leituras de Rabelais, Margarida de Navarra, Casanova, As Mil e Uma Noites e antigas tradições religiosas contribuíram para a formação de uma literatura que dificilmente pode ser limitada ao gótico inglês. Machen gostava de histórias dentro de histórias, documentos, relatos de viajantes e narrativas que sugeriam mundos muito maiores do que aquele efetivamente mostrado na página.

No campo editorial, John Lane foi decisivo ao publicar O Grande Deus Pã e Os Três Impostores, enquanto Aubrey Beardsley ajudou a ligar visualmente Machen ao movimento decadente. Já na década de 1920, quando a carreira do escritor parecia destinada ao esquecimento, figuras como Vincent Starrett, James Branch Cabell e Carl Van Vechten lideraram uma redescoberta de sua literatura nos Estados Unidos. O entusiasmo americano acabou retornando à Grã-Bretanha e gerou novas edições de suas obras.

Depois do primeiro sucesso

A morte de Amy provocou uma mudança profunda na vida de Machen. Em 1901, numa tentativa de reconstruir a rotina e escapar do isolamento, ele entrou para a companhia teatral itinerante de Frank Benson. A escolha parece estranha para um escritor conhecido por histórias obscuras e solitárias, mas o teatro contribuiu para transformá-lo socialmente. O jovem reservado dos anos 1880 deu lugar a um homem conhecido pela conversa, pelo humor e pelo prazer da companhia de amigos. Em 1903, casou-se com Dorothie Purefoy Hudleston, com quem teria dois filhos, Hilary e Janet.

A literatura continuava sem oferecer segurança financeira, e Machen passou boa parte da vida alternando escrita com outros empregos. Trabalhou como ator, crítico, editor e jornalista até conseguir, em 1910, uma posição regular no Evening News. Ele detestava boa parte dessa rotina, sobretudo o caráter cada vez mais comercial e sensacionalista do jornalismo, mas seria justamente o jornal que produziria um dos episódios mais estranhos de sua vida.

Quando uma história inventada virou “fato”

Em setembro de 1914, poucas semanas depois do início da Primeira Guerra Mundial, Machen publicou Os Arqueiros (The Bowmen). A história imaginava soldados britânicos cercados pelo inimigo durante a Batalha de Mons sendo auxiliados por arqueiros sobrenaturais ligados a São Jorge e à memória de Agincourt. Machen jamais apresentou o texto como relato verdadeiro, mas sua publicação ocorreu num jornal que também trazia depoimentos reais de guerra, e a história não estava identificada de maneira clara como ficção.

Pouco depois, começaram a chegar pedidos para que ele revelasse suas fontes. Surgiram relatos de soldados que supostamente haviam visto seres sobrenaturais em Mons, e os arqueiros de Machen gradualmente se transformaram nos famosos Anjos de Mons. O escritor passou a repetir que tinha inventado tudo, mas sua própria negação foi incorporada à lenda: alguns chegaram a sugerir que Machen havia recebido inconscientemente uma visão verdadeira do acontecimento. A história deixou a literatura e entrou no folclore da guerra.

O episódio é curioso justamente porque ocorreu com um escritor profundamente interessado na realidade espiritual. Machen passou anos defendendo a existência de dimensões da experiência que o materialismo não conseguia explicar, mas no caso dos Anjos de Mons tornou-se o sujeito insistindo que o milagre não havia ocorrido. Ainda assim, Os Arqueiros deu a ele uma popularidade que nenhuma obra havia produzido desde O Grande Deus Pã.

As principais obras

Os Três Impostores

Publicado em 1895, Os Três Impostores é provavelmente a obra que melhor mostra a relação de Machen com Londres. O romance acompanha personagens que se encontram, mentem, assumem identidades e contam histórias uns aos outros enquanto uma trama maior se desenvolve pelas ruas da cidade. A estrutura deve bastante a Stevenson e à tradição de narrativas emolduradas, mas Machen transforma a metrópole num labirinto onde coincidências, cultos e acontecimentos impossíveis podem surgir atrás de uma aparência perfeitamente banal. A edição integral brasileira publicada pela Ex Machina utiliza o título Os Três Impostores.

Duas narrativas inseridas no livro acabaram adquirindo vida própria. A Novela do Selo Negro trabalha com a hipótese de uma raça antiquíssima escondida nas regiões rurais, enquanto A Novela do Pó Branco acompanha a transformação grotesca de um homem depois de utilizar uma substância aparentemente medicinal. A primeira ajudaria a fornecer uma estrutura para o horror arqueológico de Lovecraft; a segunda antecipa de maneira impressionante o horror corporal que se tornaria comum muitas décadas depois.

O Povo Branco

Escrito no final da década de 1890 e publicado apenas alguns anos depois, O Povo Branco é frequentemente colocado ao lado de O Grande Deus Pã como o ponto mais alto de Machen. A narrativa do misterioso “Livro Verde” transforma a fala de uma menina num registro de cerimônias, seres e conhecimentos cujo significado ela própria parece não compreender. A história não oferece ao leitor uma explicação final satisfatória, e essa recusa é justamente a sua força.

Lovecraft admirava profundamente o texto, e sua influência sobre a ficção estranha posterior é enorme. A própria ideia de inventar palavras e ritos — como “Aklo” — sem explicar completamente seu significado seria retomada por autores posteriores. Aqui Machen demonstra que um universo ficcional pode parecer muito maior quando o escritor não oferece um verbete explicando cada elemento.

A Colina dos Sonhos

A Colina dos Sonhos, escrita principalmente na segunda metade da década de 1890, mas publicada somente em 1907, apresenta outro lado do escritor. O protagonista Lucian Taylor é um jovem galês fascinado por ruínas romanas, visões e literatura que tenta construir uma vida como escritor em Londres. Há muito do próprio Machen nesse percurso, sobretudo na relação entre a paisagem de Gales, a pobreza londrina e a tentativa de transformar percepção e memória em arte.

É menos uma história de horror convencional do que um romance sobre imaginação, obsessão e decadência. Machen chegou a considerá-lo seu melhor trabalho. Para quem conhece apenas O Grande Deus Pã, o livro é particularmente interessante porque mostra que a estranheza de sua literatura não dependia necessariamente de monstros, cultos ou revelações sobrenaturais.

Hieroglyphics

Publicado em 1902, Hieroglyphics é importante porque apresenta a teoria literária do próprio Machen. Sua discussão sobre “êxtase” ajuda a compreender por que horror, fantasia, religião e beleza aparecem tão próximos em sua produção. A literatura, na visão do autor, precisava romper os limites da experiência comum e permitir que o leitor percebesse algo que a vida cotidiana escondia.

O Terror

Publicado em 1917, O Terror transporta a estranheza macheneana para o contexto da Primeira Guerra Mundial. Uma série de mortes misteriosas ocorre enquanto a sociedade britânica tenta compreender o que está acontecendo. A explicação, envolvendo uma espécie de revolta do mundo animal contra a humanidade, permite que Machen una o medo da guerra às suas críticas à arrogância e ao materialismo humanos. A obra também contribuiu para uma nova fase de interesse por seus livros.

Machen e Lovecraft

É difícil exagerar a importância de Machen para H. P. Lovecraft. Quando Lovecraft escreveu O Horror Sobrenatural na Literatura, colocou o galês entre os grandes mestres modernos do gênero e dedicou atenção especial a O Grande Deus Pã, O Povo Branco, A Novela do Selo Negro e A Novela do Pó Branco. Mais importante do que os elogios, porém, são as semelhanças que aparecem depois na própria ficção lovecraftiana.

Povos não humanos escondidos em regiões remotas, antigos cultos preservados até o presente, estudiosos que reconstroem verdades terríveis a partir de fragmentos, idiomas desconhecidos, arqueologia transformada em horror e a mistura entre homem e entidade sobrenatural aparecem em Machen antes de se tornarem elementos familiares dos Mitos de Cthulhu. O Horror de Dunwich, em particular, possui uma dívida evidente com O Grande Deus Pã, enquanto O Sussurro nas Trevas se aproxima da estrutura e das ideias presentes em A Novela do Selo Negro. Lovecraft chegou a incorporar termos encontrados em Machen, entre eles Aklo e Nodens, ao seu próprio universo.

Isso faz de Machen uma espécie de ancestral indireto de inúmeras obras que jamais leram seu nome. Muitos elementos que hoje reconhecemos imediatamente como “lovecraftianos” chegaram a Lovecraft através de escritores anteriores, e Machen foi um dos mais importantes deles.

O legado

A maior contribuição de Arthur Machen para o horror talvez seja a ideia de uma realidade escondida, coexistindo com aquela que julgamos conhecer. Ele não precisava transportar seus personagens para outro planeta ou mundo fantástico. Bastava fazê-los caminhar um pouco mais profundamente por uma floresta, encontrar uma inscrição arqueológica, entrar numa rua que nunca haviam notado ou abrir um documento que não deveriam ter lido.

Essa estrutura tornou possível aproximar o sobrenatural do cotidiano de maneira particularmente eficaz. O mundo de Machen não possui uma fronteira clara entre o normal e o fantástico; os dois estão sobrepostos. Gales pode ser simultaneamente uma região moderna e o território de alguma população ancestral. Londres pode ser metrópole industrial e labirinto mágico. Um experimento científico pode ser também um ritual. Uma antiga lenda pode ser folclore ou memória deformada de alguma coisa verdadeira.

Seu horror também antecipou caminhos muito diferentes. A transformação de corpos em O Grande Deus Pã e A Novela do Pó Branco aponta para aquilo que hoje chamamos de horror corporal. Seus povos antigos escondidos nas paisagens britânicas contribuíram para a tradição que posteriormente se aproximaria do folk horror. Suas caminhadas por Londres e a transformação imaginativa da cidade antecipam práticas que muito mais tarde seriam relacionadas à psicogeografia. Já a ideia de que a realidade visível é apenas uma superfície ajudou a formar a ficção estranha e, através de Lovecraft, o horror cósmico.

A carreira do próprio Machen, contudo, continuou irregular. O entusiasmo americano dos anos 1920 passou, e dificuldades financeiras retornaram. Em 1929, mudou-se com a família para Amersham; em 1932 recebeu uma pequena pensão estatal por serviços à literatura. Quando completou oitenta anos, em 1943, escritores como T. S. Eliot, George Bernard Shaw, Walter de la Mare e Algernon Blackwood participaram de uma campanha destinada a ajudá-lo financeiramente, sinal de que o escritor relativamente obscuro para o grande público havia adquirido enorme respeito entre seus pares.

Purefoy, sua segunda esposa, morreu em março de 1947. Machen morreu poucos meses depois, em 15 de dezembro de 1947, no St Joseph’s Nursing Home, em Beaconsfield, e foi sepultado em Amersham ao lado dela. Tinha 84 anos e havia vivido o suficiente para ver sua literatura passar do escândalo vitoriano à condição de referência para uma nova geração de escritores fantásticos.

Machen na cultura popular

A presença de Machen na cultura popular é menos óbvia do que a de Lovecraft porque ele não deixou uma galeria de criaturas facilmente reconhecíveis. Não existe um equivalente macheneano de Cthulhu estampado em jogos, camisetas e bonecos. Sua influência costuma aparecer nas estruturas e ideias das obras, e justamente por isso muitas vezes passa despercebida.

Um dos exemplos mais claros está em Stephen King. King já colocou O Grande Deus Pã entre as maiores histórias de horror em língua inglesa e reconheceu explicitamente que seu conto N., publicado em Ao Cair da Noite (Just After Sunset), nasceu como uma releitura livre da obra de Machen. Em ambos os casos, personagens descobrem que determinadas formas, lugares e percepções podem servir como passagem para uma realidade monstruosa que normalmente permanece invisível.

Outro descendente direto é The Twisted Ones, de T. Kingfisher. A própria editora apresenta o romance como uma obra inspirada em O Povo Branco. Kingfisher pega a ideia do manuscrito incompreensível, dos seres escondidos na paisagem e das tradições que sobrevivem fora da experiência cotidiana e transporta tudo isso para um horror contemporâneo ambientado nos Estados Unidos.

No cinema, Guillermo del Toro oferece um caso interessante porque frequentemente é associado a Machen de maneira exagerada. É tentador imaginar O Labirinto do Fauno como descendente direto de O Grande Deus Pã, mas o próprio diretor já alertou que algumas dessas supostas referências são mais associações feitas pelo público do que citações deliberadas. A influência de Machen sobre del Toro, entretanto, é real: ao falar de Não Tenha Medo do Escuro, o cineasta citou diretamente a ideia macheneana de que antigas histórias sobre fadas poderiam esconder a memória de pequenas criaturas pré-humanas, exatamente o tipo de hipótese desenvolvido em textos como A Novela do Selo Negro.

Nos quadrinhos, uma conexão histórica interessante aparece na EC Comics. Em 1950, a revista Tales from the Crypt publicou Rx… Death!, história baseada em A Novela do Pó Branco. A adaptação altera elementos da explicação, mas preserva o núcleo da narrativa: uma substância aparentemente medicinal inicia uma transformação corporal grotesca e irreversível. É um exemplo particularmente curioso porque liga Machen diretamente à tradição de horror gráfico que ajudaria a formar o imaginário dos quadrinhos norte-americanos do gênero.

Mais do que essas referências identificáveis, porém, Machen sobrevive através de uma determinada maneira de imaginar o fantástico. Toda vez que uma história sugere que fadas talvez fossem algo muito menos encantador do que os contos infantis dizem; que um sítio arqueológico pode revelar uma espécie anterior à humanidade; que uma floresta moderna preserva algum rito impossível; ou que uma rua comum esconde uma passagem para outro mundo, estamos muito próximos do território que ele começou a explorar no final do século XIX.

Por que Arthur Machen ainda importa

Ler Machen depois de conhecer Lovecraft produz uma sensação estranha. Ideias que parecem imediatamente lovecraftianas começam a aparecer em textos escritos quando Lovecraft ainda nem havia nascido. A diferença é que, em Machen, essas ideias pertencem a uma visão do mundo muito menos desesperada. Existe horror além do véu, mas pode existir também beleza. O desconhecido não é automaticamente vazio ou indiferente; ele pode possuir significado demais para que sejamos capazes de compreendê-lo.

É justamente essa ambiguidade que torna Machen diferente de muitos de seus sucessores. Sua obra não diz simplesmente que o homem não deveria buscar conhecimento. O problema está na arrogância de acreditar que já sabemos o que encontraremos. Seus médicos, pesquisadores e curiosos começam suas investigações supondo que o mundo possa ser explicado pelas categorias que conhecem. O verdadeiro choque chega quando descobrem que essas categorias talvez fossem pequenas demais desde o princípio.

O Grande Deus Pã permanece a melhor porta de entrada para esse universo porque concentra quase todas essas preocupações: ciência, paganismo, sexualidade, transformação, ruínas, percepção e conhecimento proibido. Mas limitar Machen a esse livro significa perder justamente o que há de mais interessante em sua trajetória. O Povo Branco mostra a força da sugestão; Os Três Impostores transforma Londres num labirinto; A Colina dos Sonhos revela sua dimensão mais íntima e literária; e Hieroglyphics explica por que ele nunca considerou o terror um fim em si mesmo.

Machen queria encontrar aquilo que existia atrás do mundo comum.

Às vezes, encontrou um deus antigo. Outras vezes, uma raça esquecida, uma cerimônia impossível ou uma paisagem que parecia pertencer a outra realidade. E em alguns de seus melhores momentos não explicou exatamente o que havia encontrado, porque compreendeu uma das regras mais duradouras da literatura fantástica: o mistério diminui quando sabemos tudo sobre ele.


Fontes consultadas:

  • The Friends of Arthur Machen — “Biography”. Biografia mantida pela sociedade dedicada ao autor, utilizada para sua infância no País de Gales, mudança para Londres, casamentos, relação com A. E. Waite, atividade teatral e jornalística e redescoberta de sua obra nos Estados Unidos. The Friends of Arthur Machen — Biography
  • The Friends of Arthur Machen — “Machen’s Works & Annotated Bibliography”. Cronologia comentada das principais obras de Machen e de sua história editorial. The Friends of Arthur Machen — Works
  • WORTH, Aaron (org.) — The Great God Pan and Other Horror Stories. Oxford University Press. Edição crítica da Oxford World’s Classics utilizada para o contexto literário e histórico de O Grande Deus Pã e de outros textos fundamentais de Machen. Oxford University Press — The Great God Pan and Other Horror Stories
  • Harry Ransom Center, University of Texas at Austin — “Arthur Machen Collection”. Acervo de manuscritos e correspondência de Machen, datados de 1881 a 1975, além de documentação relacionada ao escritor. Harry Ransom Center — Arthur Machen Collection
  • COOKE, Simon — “An Introduction to the Life and Work of Arthur Machen”. The Victorian Web. Estudo biográfico e crítico sobre a trajetória do escritor, sua relação com a Decadência, o ocultismo, a ciência, a paisagem galesa e a literatura sobrenatural. The Victorian Web — An Introduction to the Life and Work of Arthur Machen
  • WORTH, Aaron — “Arthur Machen and the Horrors of Deep History”. Victorian Literature and Culture. Cambridge University Press. Estudo acadêmico sobre história profunda, evolução, ciência e horror na ficção de Machen. Cambridge Core — Arthur Machen and the Horrors of Deep History
  • JACKSON, Kimberly — “Non-Evolutionary Degeneration in Arthur Machen’s Supernatural Tales”. Victorian Literature and Culture. Cambridge University Press. Estudo sobre Decadência, degeneração e o contexto intelectual do final do século XIX na obra sobrenatural de Machen. Cambridge Core — Non-Evolutionary Degeneration in Arthur Machen’s Supernatural Tales
  • Amersham Museum — “Arthur Machen: Ecstasy and Sin in Amersham”. Fonte para os últimos anos do escritor, sua mudança para Amersham, sua vida com Purefoy Machen e sua morte em 1947. Amersham Museum — Arthur Machen
  • Todavia — O Grande Deus Pã, de Arthur Machen. Referência para a edição brasileira publicada em 2022, com tradução de Guilherme da Silva Braga, e para a terminologia utilizada na edição nacional. Todavia — O Grande Deus Pã
  • DarkSide Books — O Grande Deus Pã, de Arthur Machen. Referência para a edição brasileira de 2024, publicada pelo selo Sociedade Secreta, com tradução de Andrio Santos. DarkSide Books — O Grande Deus Pã
  • Editora Ex Machina — Os Três Impostores, de Arthur Machen. Referência para a edição brasileira integral do romance, publicada em 2022, com tradução de Guilherme da Silva Braga. Editora Ex Machina — Os Três Impostores
  • Simon & Schuster — The Twisted Ones, de T. Kingfisher. Página oficial do romance contemporâneo diretamente inspirado em “The White People”, de Arthur Machen. Simon & Schuster — The Twisted Ones
  • Criterion — “Guillermo del Toro’s Influences”. Entrevista em que del Toro aborda suas influências e esclarece que certas aproximações de seus filmes com autores como Arthur Machen são associações posteriores, e não referências diretas deliberadas. Criterion — Guillermo del Toro’s Influences

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