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Cinco romantasias lançadas no Brasil em 2026 para conhecer

Entre princesas em busca de vingança, lobisomens, deuses, monstros e até um romance no Inferno, cinco lançamentos ajudam a mostrar as diferentes formas que a romantasy pode assumir — incluindo duas histórias escritas por autoras brasileiras.

A romantasy se consolidou como uma das vertentes mais populares da fantasia contemporânea. Embora o termo costume ser associado imediatamente a reinos mágicos, guerras, criaturas sobrenaturais e romances intensos, o gênero já se expandiu o suficiente para abrigar propostas muito diferentes entre si, das intrigas políticas à comédia sobrenatural.

Os lançamentos que chegaram ao Brasil em 2026 mostram bem essa variedade. Há fantasia épica, protagonistas moralmente ambíguos, lobisomens, casamento político, deuses, monstros e até uma versão bem-humorada do Inferno. A produção brasileira também participa desse movimento, com autoras como Ariani Castelo e Patrícia Criado construindo universos próprios dentro de uma tendência que por muito tempo chegou ao público nacional principalmente por meio de traduções.

Os cinco livros abaixo não representam todas as possibilidades da romantasy atual, mas formam uma boa amostra de como o gênero consegue combinar romance e fantasia sem repetir necessariamente a mesma estrutura.

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1. Coração de cristal partido — Ariani Castelo

Coração de cristal partido

Edição brasileira: Editora Rocco
Lançamento: 5 de junho de 2026

Em um mundo no qual integrantes da elite recebem dos deuses poderes extraordinários, Rayka cresceu sendo considerada fraca pela própria família. O que poderia funcionar como ponto de partida para uma típica jornada de superação assume rapidamente outro tom quando a protagonista passa a ser movida pela vingança contra aqueles que destruíram sua vida.

É nesse caminho que surge Luka Lucentis, um jovem poderoso, cruel e tão disposto quanto ela a manipular outras pessoas para conseguir aquilo que deseja. A relação entre os dois se torna um dos elementos mais interessantes de Coração de cristal partido porque Ariani Castelo não constrói apenas a dinâmica da heroína atraída por um personagem perigoso. Rayka também é capaz de representar ameaça, e a aliança nasce de interesses próprios, desconfiança e uma atração que se desenvolve entre duas pessoas moralmente duvidosas.

A corte de Diamantíria, os poderes concedidos à elite e as disputas políticas ajudam a dar escala ao conflito. O romance não aparece separado da fantasia, mas inserido diretamente nas ambições e nos riscos do mundo em que os personagens vivem.

Ariani Castelo é uma escritora brasileira nascida em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes de Coração de cristal partido, publicou O Abismo de Celina, fantasia sombria ambientada em um pós-vida no qual os mortos precisam superar desafios para escapar do Abismo. A presença recorrente de mundos fantásticos faz com que seu novo livro funcione também como continuidade de um percurso autoral já ligado ao gênero.

2. Insaad — Patrícia Criado

Insaad : As Crônicas de Júpiter

Edição brasileira: Editora Izyncor
Lançamento: 11 de abril de 2026

Insaad é o segundo volume da trilogia As Crônicas de Júpiter e continua diretamente os acontecimentos de Interion, o que faz com que a leitura do primeiro livro seja necessária para acompanhar a história. Depois de sobreviver ao massacre anterior, Kyller Voluz descobre que a guerra que ameaça o continente é muito maior do que uma disputa política entre nações.

Existe uma entidade capaz de desafiar até mesmo os deuses, enquanto Kyller e Zion passam a ser acusados de traição e precisam fugir em direção a Insaad, a Cidade dos Descendentes. A situação da protagonista se torna ainda mais complexa porque ela precisa conviver com uma arcanja aprisionada dentro do próprio corpo.

A romantasy de Patrícia Criado trabalha em uma escala muito mais próxima da fantasia épica. Deuses, monstros, guerra, poderes sobrenaturais e ameaça de destruição coexistem com a relação entre Kyller e Zion. O romance não interrompe a aventura; precisa sobreviver dentro dela. Para leitores que gostam da romantasy, mas procuram histórias em que a construção do mundo e os conflitos externos ocupam tanto espaço quanto o casal central, Insaad representa uma proposta particularmente interessante.

Patrícia Criado Harada nasceu em Cáceres, Mato Grosso, em 1996, e passou parte da infância e juventude no interior paulista. Formada em Odontologia, trabalhou na área antes de se dedicar integralmente à literatura. Começou a desenvolver As Crônicas de Júpiter em 2021 e cita autores ligados à fantasia contemporânea entre suas influências, construindo uma série que procura aproximar romance e fantasia épica em uma produção brasileira.

3. O rei lobo — Lauren Palphreyman

O rei lobo

Edição brasileira: Bloom Brasil, selo do Grupo Companhia das Letras
Lançamento: 21 de julho de 2026
Tradução: Raquel Nakasone

Aurora é uma princesa que deseja escapar tanto da vida dentro do castelo quanto do casamento arranjado que está prestes a determinar seu futuro. Na véspera da cerimônia, durante uma luta organizada para divertir a corte, ela decide poupar a vida de um jovem lobisomem. A escolha aparentemente impulsiva chama a atenção de um poderoso alfa, que naquela mesma noite sequestra a princesa e a leva para o norte.

A região está passando por uma transformação política. Diferentes clãs de lobos começam a se unir contra os humanos, e Aurora inicialmente parece destinada a servir apenas como moeda de troca dentro dessa guerra. Aos poucos, porém, descobre que a divisão entre homens e lobos é menos simples do que aquilo que aprendeu dentro da corte.

O rei lobo abraça deliberadamente algumas das convenções mais populares da romantasy contemporânea: enemies to lovers, proximidade forçada, romance proibido, realeza e lobisomens. A familiaridade dessas estruturas é parte da proposta, e o interesse está em observar como a relação entre Aurora e seu captor se transforma à medida que a princesa passa a questionar a narrativa política com a qual cresceu.

Lauren Palphreyman construiu boa parte de sua carreira por meio da publicação digital. Antes de chegar a grandes editoras, suas histórias circularam de maneira independente e como ficção seriada, acumulando milhões de leituras on-line. A trajetória ajuda a explicar sua proximidade com fórmulas e ritmos muito associados à romantasy produzida para comunidades de leitores digitais.

4. Escudo de pardais — Devney Perry

Escudo de pardais

Edição brasileira: Paralela, selo do Grupo Companhia das Letras
Lançamento: 31 de março de 2026
Tradução: Guilherme Miranda

Odessa Cross é a filha mais velha do rei de Quentis, mas passou grande parte da vida à sombra da meia-irmã Mae. Sua posição muda quando Zavier, príncipe herdeiro do reino vizinho de Turah e até então prometido a Mae, decide inesperadamente se casar com Odessa.

O que poderia ser apenas um casamento político rapidamente se transforma em uma missão de espionagem. O pai de Odessa ordena que ela descubra a localização de Allesaria, a capital secreta dos turanos, obrigando a princesa a assumir uma posição cada vez mais perigosa dentro do reino do marido.

Enquanto tenta cumprir a missão, Odessa encontra monstros, segredos e o misterioso Guardião, um assassino e caçador que demonstra por ela um interesse muito maior do que aquele manifestado por Zavier. A atração proibida aparece, portanto, em meio a um conflito político no qual qualquer escolha pessoal pode adquirir consequências para dois reinos.

Escudo de pardais marca a entrada de Devney Perry na romantasy depois de uma carreira construída principalmente no romance contemporâneo. Essa origem aparece na maneira como a relação entre os personagens ocupa espaço central, mas é colocada agora dentro de uma trama de casamento político, espionagem, monstros e disputa territorial.

5. O amor nos tempos do inferno — Jaysea Lynn

O amor nos tempos do inferno

Edição brasileira: Paralela, selo do Grupo Companhia das Letras
Lançamento: 3 de março de 2026
Tradução: Carolina Candido e Gabriela Araújo

Depois de morrer aos 34 anos, Lily chega ao Pós-Vida e encontra algo muito diferente das imagens religiosas que havia aprendido a temer. Divindades convivem com mortais, criaturas feéricas transitam entre diferentes reinos e a morte funciona menos como encerramento do que como passagem para outra forma de existência.

O detalhe mais inconveniente é que Lily termina justamente no Inferno. Sua experiência profissional com atendimento ao público, porém, acaba encontrando uma utilidade improvável quando ela começa a ajudar demônios a direcionar almas para os círculos correspondentes. A vida após a morte transforma-se, assim, numa espécie de burocracia sobrenatural administrada com bastante sarcasmo.

É nesse ambiente que surge Bel, um general demoníaco com quem Lily estabelece uma relação cada vez mais próxima. O romance se desenvolve enquanto uma ameaça maior começa a colocar aquele universo em risco, mas a principal diferença em relação a muitas romantasias está no tom. Em vez de cortes medievais, dragões ou casamentos dinásticos, O amor nos tempos do inferno combina romance sobrenatural, comédia, demônios e uma visão peculiar da burocracia depois da morte.

A origem da obra também é incomum. Jaysea Lynn ganhou projeção nas redes sociais com Hell’s Belles, uma série de esquetes de comédia e drama publicada no TikTok e no Instagram e ambientada em sua própria versão do Inferno. O universo acabou se expandindo para a literatura, e For Whom the Belle Tolls, lançado no Brasil como O amor nos tempos do inferno, tornou-se seu romance de estreia.

Cinco maneiras diferentes de construir uma romantasy

Os cinco livros demonstram como a romantasy já é ampla demais para ser tratada como uma fórmula única. Coração de cristal partido aposta em vingança e em protagonistas moralmente ambíguos; Insaad aproxima o romance da escala da fantasia épica; O rei lobo assume algumas das convenções mais populares do gênero; Escudo de pardais combina desejo, espionagem e casamento político; e O amor nos tempos do inferno abandona os reinos medievais para construir uma comédia sobrenatural ambientada no Pós-Vida.

Essa diversidade também torna interessante a presença de duas autoras brasileiras na seleção. A romantasy que chega ao país já não é apenas uma tendência importada por meio dos grandes sucessos internacionais. Escritoras nacionais começam a utilizar suas estruturas para construir personagens, mundos e conflitos próprios, participando diretamente de uma das vertentes mais populares da fantasia atual.

Para quem ainda associa romantasy exclusivamente a fadas, dragões, príncipes e guerreiras apaixonadas, os lançamentos brasileiros de 2026 mostram um gênero mais elástico. O romance continua sendo parte fundamental da experiência, mas pode dividir espaço com vingança, guerra, jogos políticos, monstros, humor ou até mesmo com uma repartição burocrática localizada no Inferno.


Fiz uma mudança importante em relação ao original: não mantive “Sobre a autora” como um bloco separado e mecânico em cada item. As informações biográficas continuam presentes, mas entram depois da apresentação de cada obra de maneira mais editorial. Isso deixa o Descubra mais parecido com uma curadoria e menos com cinco fichas catalográficas colocadas em sequência. A seleção, datas e informações editoriais foram preservadas a partir do texto enviado.

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