ARQUIVO DO FANTÁSTICO

Era Hiboriana

A Era Hiboriana é o mundo ficcional criado por Robert E. Howard para ambientar as histórias de Conan, o Cimério, publicadas principalmente na revista Weird Tales durante a primeira metade da década de 1930. Em vez de construir um planeta completamente separado da Terra, Howard imaginou uma pré-história fictícia situada depois da destruição de Atlântida e de outras civilizações de uma era anterior, mas antes do surgimento das sociedades historicamente documentadas da Antiguidade. Reinos, povos e religiões possuem nomes ou características que lembram culturas reais, embora não correspondam diretamente a nenhuma delas, permitindo que o escritor combinasse elementos de diferentes períodos históricos dentro de um mesmo espaço narrativo.

Essa escolha foi deliberada. No ensaio “The Hyborian Age”, escrito para organizar o pano de fundo das histórias de Conan, Howard explicou que não pretendia propor uma teoria histórica alternativa, mas estabelecer uma cronologia ficcional suficientemente consistente para que seus contos parecessem ocorrer em um passado verdadeiro. O documento funcionava como instrumento de trabalho: definia migrações, guerras, ascensão e queda de povos e relações entre regiões, permitindo que Conan atravessasse diferentes sociedades sem que cada aventura precisasse reconstruir o mundo desde o início.

A Era Hiboriana tornou-se, por isso, uma das primeiras grandes experiências de construção de mundo pseudohistórica na fantasia moderna. Howard não precisava descrever todos os aspectos de cada reino para produzir a sensação de profundidade; bastava que cidades, fronteiras, tradições e conflitos parecessem pertencer a uma história muito maior do que a aventura acompanhada naquele momento. Essa combinação entre geografia reconhecível, passado inventado, ruínas antigas, sociedades decadentes e regiões pouco conhecidas forneceu um modelo extremamente fértil para a Espada e Feitiçaria e, posteriormente, para quadrinhos, RPGs e videogames.

Um passado que nunca existiu

Howard situou a Era Hiboriana em um período propositalmente indefinido da história da Terra. Ela ocorreria depois de um grande cataclismo que destruiu civilizações anteriores, entre elas Atlântida, e muito antes das culturas da Antiguidade histórica. Ao fazer isso, o escritor podia utilizar mapas aproximadamente familiares ao leitor, mas modificar continentes, mares, povos e fronteiras sem precisar obedecer à arqueologia ou à cronologia real.

A estratégia permitia que a Era Hiboriana funcionasse como uma espécie de passado perdido, do qual as civilizações posteriores guardariam apenas vestígios transformados. Povos imaginários podiam tornar-se ancestrais ficcionais de comunidades históricas, grandes mudanças geológicas podiam remodelar o mapa e nomes semelhantes aos da história real sugeriam continuidades que nunca precisavam ser comprovadas. Howard utiliza essa técnica ao relacionar, por exemplo, os cimérios de Conan a povos posteriores e ao apresentar diferentes migrações como antecedentes inventados de populações conhecidas.

Isso não significa que o autor estivesse tentando convencer o leitor de que aquela cronologia havia realmente existido. No próprio texto de “The Hyborian Age”, Howard deixa claro que se trata de um fundo ficcional construído para suas histórias. A pseudohistória deveria produzir verossimilhança interna, funcionando da mesma maneira que um romancista histórico utiliza acontecimentos verdadeiros para dar consistência a personagens fictícios.

A Era Thuriana e o grande Cataclismo

A cronologia de Howard começa antes de Conan. O período anterior é conhecido como Era Thuriana, cenário das histórias de Kull, outro personagem importante do escritor. Nesse mundo existiam reinos como Valusia, Verulia e Commoria, além de Atlântida, Lemúria e territórios ocupados pelos pictos. “The Hyborian Age” apresenta o final dessa época como uma sucessão de conflitos e cataclismos que destroem grande parte das civilizações existentes e remodelam profundamente o mundo.

Os sobreviventes passam então por milhares de anos de migrações, regressões tecnológicas, guerras e reorganizações culturais. Atlantes, lemurianos, pictos e outros grupos sobrevivem de formas diferentes, enquanto no extremo norte surge gradualmente o povo que Howard chama de hiboriano, cujo nome possui relação com a tradição clássica de Hiperbórea. Ao longo dos séculos, essas populações deslocam-se para o sul e para o oeste, conquistando ou absorvendo comunidades menores e formando alguns dos principais reinos da época de Conan.

Essa sequência de catástrofe, recuperação e nova decadência é fundamental para o mundo. A história não se move em direção a um progresso contínuo; civilizações crescem, atingem determinado auge, tornam-se vulneráveis e acabam substituídas por outras. A Era Hiboriana existe, portanto, entre duas grandes rupturas: nasceu depois da destruição da Era Thuriana e também está destinada a desaparecer antes que a história conhecida comece.

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Um mapa construído a partir do mundo real

A geografia da Era Hiboriana lembra deliberadamente Europa, Norte da África e Ásia, mas suas fronteiras e formações naturais pertencem a um mundo anterior às grandes transformações imaginadas por Howard. O autor produziu mapas para orientar suas histórias, e a Robert E. Howard Foundation preservou versões desses materiais juntamente com diferentes rascunhos de “The Hyborian Age”.

O método permitia ao leitor reconhecer aproximações culturais sem exigir correspondência exata. Aquilonia lembra aspectos da Europa ocidental medieval; Stygia remete imediatamente ao Egito antigo; Shem reúne referências relacionadas ao Oriente Próximo; Nordheim, dividido principalmente entre Asgard e Vanaheim, utiliza elementos associados ao imaginário nórdico; e Khitai ocupa uma região oriental que dialoga com imagens históricas e literárias da Ásia. Essas analogias ajudavam Howard a caracterizar rapidamente lugares em contos relativamente curtos.

O resultado não é uma reconstrução da Antiguidade, nem uma Idade Média alternativa em sentido rigoroso. A Era Hiboriana funciona através de justaposição histórica: cavalaria pesada, cidades de inspiração mesopotâmica, pirataria mediterrânea, povos de aparência nórdica, impérios orientais e cultos muito antigos podem coexistir porque pertencem a uma cronologia inventada. A liberdade produz um mundo imediatamente familiar e, ao mesmo tempo, impossível de localizar exatamente na história.

Aquilonia

Entre os reinos hiborianos, Aquilonia ocupa posição central. Howard a apresenta como uma das maiores potências de sua época, formada por províncias distintas e sustentada por força militar, agricultura, comércio e expansão territorial. É também o reino que Conan acabará governando depois de uma longa trajetória como ladrão, mercenário, pirata e comandante militar.

Aquilonia não é apresentada como sociedade ideal. Seu poder depende de fronteiras instáveis, conflitos com outros reinos e relações violentas com povos vizinhos, especialmente nas regiões próximas às terras pictas. Histórias como “Beyond the Black River” utilizam justamente essa fronteira para mostrar expansão territorial, colonização e resistência, transformando a região em espaço muito mais ambíguo do que a simples divisão entre civilização e selvageria poderia sugerir.

Quando Conan finalmente ocupa o trono, portanto, ele não alcança um reino perfeito no final de uma trajetória heroica convencional. Passa a governar uma potência cuja estabilidade depende de estruturas políticas, militares e sociais que continuam sujeitas às mesmas forças de decadência presentes em toda a pseudohistória de Howard.

Cimmeria e o norte

Cimmeria, terra natal de Conan, fica ao norte dos principais reinos hiborianos e é descrita como uma região montanhosa, sombria e pouco urbanizada. Seus habitantes são apresentados como resistentes, guerreiros e relativamente isolados, e Howard estabelece uma ascendência ficcional que os relaciona aos antigos atlantes. Dentro da lógica pseudohistórica do ensaio, os cimérios também participariam das migrações que posteriormente contribuiriam para o surgimento de povos conhecidos pela história.

Ao redor de Cimmeria existem outras regiões setentrionais, especialmente Asgard, habitada pelos aesires, e Vanaheim, associada aos vanires. A terminologia demonstra claramente o uso de nomes derivados da mitologia nórdica, mas Howard não pretende apresentar os povos escandinavos históricos. Ele utiliza referências reconhecíveis para criar sociedades que possam cumprir determinadas funções narrativas dentro do mundo.

Essa região também reforça uma das tensões mais recorrentes da obra: a oposição entre barbárie e civilização. Para Howard, povos menos urbanizados podem apresentar brutalidade e violência, mas também vigor, independência e capacidade de sobrevivência que sociedades mais antigas e sofisticadas perderam. A Era Hiboriana não trata civilização como valor automaticamente positivo; ela é uma conquista temporária que pode produzir conhecimento e riqueza ao mesmo tempo que cria corrupção, rigidez e decadência.

Stygia e o peso do passado

Ao sul dos principais reinos está Stygia, uma das sociedades mais antigas e inquietantes do cenário. Sua inspiração egípcia é evidente em nomes, religião, monumentalidade, paisagens e relação com o rio Styx, mas a sociedade estígia pertence a uma história muito anterior ao Egito conhecido. Dentro da cronologia de Howard, Stygia preserva conexões com povos e cultos que sobreviveram a grandes transformações anteriores à própria Era Hiboriana.

Essa antiguidade dá à região uma função especial nas histórias. Stygia não representa apenas outro reino com exércitos e governantes; é também um lugar onde conhecimentos, cultos e práticas mágicas sobreviveram por períodos que outras civilizações sequer recordam. O deus-serpente Set e seus sacerdotes aparecem associados a uma tradição religiosa antiga e ameaçadora, reforçando a relação entre religião, política e feitiçaria.

Howard utiliza essa profundidade histórica para produzir horror. Ruínas estígias, objetos rituais ou conhecimentos preservados por seus sacerdotes carregam a sensação de que algumas culturas estão próximas demais de forças que precedem a ordem humana corrente. O passado não está morto; pode permanecer escondido em tumbas, livros ou templos até voltar a interferir no presente.

Zamora, Shem, Koth e outros reinos

A Era Hiboriana não possui um único centro cultural. Zamora, localizada a leste dos principais reinos hiborianos, aparece repetidamente associada a cidades antigas, ladrões, mercados e cultos obscuros, sendo particularmente importante nas primeiras aventuras de Conan. Shem, mais ao sul, reúne cidades-estados, povos pastoris e sociedades inspiradas em diferentes imagens do antigo Oriente Próximo, enquanto Koth, Ophir, Corinthia, Argos e Zingara ocupam diferentes posições políticas e culturais no oeste e no centro do mapa.

Howard utiliza essa multiplicidade para mudar o tipo de aventura conforme Conan se desloca. Uma história pode envolver roubo em uma cidade de Zamora, outra pirataria nas costas meridionais, outra guerra entre reinos e outra exploração de uma região quase desconhecida. O protagonista funciona como elemento móvel que conecta essas sociedades sem pertencer completamente a nenhuma delas.

Esse sistema também evita que a construção de mundo dependa de longas exposições. Os leitores descobrem a Era Hiboriana através dos lugares que Conan atravessa, das pessoas que encontra e dos perigos específicos de cada território. “The Hyborian Age” oferece o esqueleto histórico, enquanto os contos fornecem a experiência concreta desse mundo.

Turan e as grandes potências orientais

No leste encontra-se Turan, reino associado a uma expansão militar poderosa e a povos cuja inspiração remete ao imaginário da Ásia Central e do mundo turco-persa. Conan atua como mercenário em campanhas relacionadas ao território, e suas aventuras nessa região permitem que Howard explore exércitos, intrigas, cavaleiros e disputas entre impérios em uma escala diferente daquela das histórias centradas em ladrões ou ruínas.

Mais distante, Hyrkania funciona como um vasto espaço de povos nômades e guerreiros montados, enquanto regiões como Khitai ampliam o mapa para o extremo leste. Howard não desenvolveu todas essas áreas com o mesmo nível de detalhe, e muitas permaneceram apenas parcialmente descritas nos textos originais.

Essa desigualdade de desenvolvimento tornou-se importante depois de sua morte. Quanto mais adaptações e continuações precisavam contar novas histórias, maior se tornou a necessidade de preencher espaços deixados apenas esboçados por Howard. Parte considerável do que hoje pode aparecer em enciclopédias, RPGs e mapas detalhados da Era Hiboriana pertence, portanto, a expansões posteriores, e não ao material original.

Os pictos e a fronteira ocidental

Os pictos possuem uma importância especial na imaginação histórica de Howard e aparecem em diferentes períodos de sua mitologia pessoal. Na Era Hiboriana, ocupam extensas regiões a oeste de Aquilonia e preservam uma continuidade fictícia que remonta a épocas anteriores ao grande Cataclismo. O autor também os conecta a suas próprias especulações literárias sobre povos históricos posteriores, criando uma genealogia imaginária que atravessa milhares de anos.

Nas histórias de Conan, a região picta funciona particularmente bem como fronteira entre territórios ocupados por colonos aquilonianos e populações locais. Em “Beyond the Black River”, Howard constrói uma narrativa de avanço e resistência que utiliza muitos elementos da literatura de fronteira norte-americana que conhecia, inclusive representações hoje problemáticas de povos indígenas transferidas para os pictos fictícios.

Essa dimensão precisa ser reconhecida porque o mundo de Howard não está separado das ideias raciais e coloniais do início do século XX. A imaginação histórica do autor utiliza categorias de “raça”, pureza, mistura, decadência e migração que eram comuns em diferentes discursos antropológicos e populares de sua época, mas que não correspondem à compreensão científica contemporânea sobre povos e populações humanas. O próprio Howard afirma que sua cronologia é ficção; ainda assim, as ferramentas intelectuais utilizadas para imaginá-la carregam os pressupostos do período em que foi escrita.

Povos inventados e teorias raciais de seu tempo

“The Hyborian Age” tenta explicar como povos fictícios poderiam, após milhares de anos de guerras e migrações, transformar-se em grupos conhecidos da Antiguidade e da história europeia. Howard descreve repetidamente populações através de categorias raciais que misturam aparência física, comportamento, cultura e suposta ascendência biológica. Essa estrutura faz parte da construção pseudohistórica do texto, mas também reflete teorias raciais e antropológicas amplamente circulantes nas primeiras décadas do século XX.

É importante separar essa concepção do valor literário da construção de mundo. Howard foi pioneiro ao criar uma cronologia extensa para sustentar um cenário de fantasia, mas algumas das premissas usadas para organizar seus povos envelheceram profundamente. Culturas não podem ser reduzidas às características biológicas simplificadas que aparecem em determinados trechos do ensaio, e categorias históricas modernas não descendem das linhagens imaginadas pelo autor.

Essa leitura crítica não exige eliminar a Era Hiboriana de sua posição na história da fantasia. Pelo contrário, permite compreender como obras influentes podem oferecer inovações formais importantes e, ao mesmo tempo, carregar limitações ideológicas de seus contextos. As adaptações posteriores precisaram decidir continuamente quais elementos preservar, quais reinterpretar e quais abandonar.

Civilização e decadência

Poucas ideias atravessam a Era Hiboriana com tanta frequência quanto a de que civilizações não duram para sempre. Reinos conquistam territórios, constroem cidades, desenvolvem instituições e acumulam riqueza, mas o sucesso pode gerar conforto, corrupção e fragilidade. Povos considerados bárbaros, por sua vez, podem adquirir força suficiente para substituir sociedades aparentemente mais avançadas.

Conan ocupa uma posição ideal para observar esse processo porque está sempre parcialmente do lado de fora. Nascido em Cimmeria, ele passa por sociedades urbanizadas, trabalha para governantes, torna-se comandante e eventualmente assume o trono de Aquilonia, mas nunca perde completamente sua desconfiança diante das convenções civilizadas. Isso permite que Howard contraste leis e instituições sofisticadas com corrupção, intriga e violência que continuam existindo sob sua superfície.

A oposição, entretanto, não deve ser reduzida a “barbárie boa contra civilização má”. Povos bárbaros também podem ser brutais, e Conan aprende continuamente técnicas, idiomas e formas de organização das sociedades que atravessa. O interesse está na instabilidade: nenhuma cultura possui garantia de superioridade permanente, e qualquer ordem pode desaparecer com tempo suficiente.

Um mundo cheio de ruínas

Uma consequência direta dessa história cíclica é a quantidade de ruínas espalhadas pelo cenário. Conan frequentemente encontra cidades, templos e túmulos construídos por povos que desapareceram muito antes da época em que vive. Esses lugares permitem que a Era Hiboriana contenha camadas de passado ainda mais antigas do que sua própria história registrada.

As ruínas são importantes porque ligam a aventura ao horror. Um edifício abandonado pode esconder criaturas, sobreviventes degenerados, artefatos ou conhecimentos que não pertencem mais ao mundo conhecido. A exploração deixa de ser apenas busca por tesouro e se torna contato com uma história que a civilização atual não compreende.

Esse recurso também produz profundidade sem exigir explicação total. Howard pode mencionar uma raça esquecida, uma divindade antiga ou uma cidade perdida sem desenvolver uma enciclopédia completa ao redor dela. A falta de informação aumenta a sensação de que o cenário existe para além daquilo que Conan ou o leitor conseguem conhecer.

Magia na Era Hiboriana

A magia existe de maneira incontestável, mas não é tratada como tecnologia cotidiana. Feiticeiros aparecem, objetos possuem propriedades sobrenaturais e entidades não humanas interferem nos acontecimentos, porém a maior parte das pessoas continua vivendo em um mundo governado por necessidades materiais, guerras, comércio, fome, política e violência comum. Essa combinação torna o sobrenatural mais perturbador quando finalmente aparece.

Feitiçaria costuma estar relacionada a conhecimento antigo, pactos perigosos, religiões obscuras e forças que ultrapassam a compreensão humana. Personagens como Thoth-Amon, associados ao culto de Set, representam um tipo de magia que depende menos de sistemas transparentes e mais do contato com poderes cuja origem permanece parcialmente obscura.

Essa abordagem aproxima a Era Hiboriana da weird fiction publicada no mesmo ambiente editorial de autores como H. P. Lovecraft e Clark Ashton Smith. O sobrenatural não serve apenas para tornar combates mais espetaculares; frequentemente introduz horror e desestabiliza a confiança de personagens fisicamente muito competentes. Um guerreiro pode entender perfeitamente como enfrentar outro homem e ainda não possuir qualquer preparação para aquilo que encontra dentro de uma tumba antiga.

Deuses, cultos e religião

As religiões da Era Hiboriana variam conforme povos e regiões. Crom, associado aos cimérios, é talvez o deus mais conhecido por causa de Conan, mas a relação do personagem com ele está muito distante de uma devoção constante. Crom concede força ao homem no nascimento e não é apresentado como divindade que responde regularmente a orações ou interfere para resolver problemas individuais.

Em outras regiões, a religião pode possuir forte presença institucional. O culto de Mitra, difundido entre alguns reinos hiborianos, ocupa uma posição diferente da tradição de Set em Stygia, enquanto inúmeros deuses locais e cultos aparecem conforme Conan atravessa o mapa. Essa diversidade reforça a ideia de um mundo formado por sociedades com histórias próprias, e não por uma única cosmologia uniformemente aceita.

Howard tampouco construiu um sistema teológico completamente organizado no sentido encontrado em muitos universos de fantasia posteriores. Deuses podem ser crenças, entidades reais, poderes sobrenaturais ou combinações dessas possibilidades dependendo do texto. A ambiguidade é compatível com um cenário em que religião, superstição e magia se sobrepõem sem que o leitor receba necessariamente uma explicação definitiva.

A queda da Era Hiboriana

A Era Hiboriana possui começo e fim dentro da pseudohistória de Howard. Séculos depois de Conan, as potências hiborianas entram em um processo de expansão, conflito e enfraquecimento, enquanto povos periféricos tornam-se mais fortes. Aquilonia cresce territorialmente, mas sua própria expansão ajuda a criar tensões que serão exploradas por inimigos internos e externos.

Os pictos avançam sobre regiões ocidentais, os cimérios também participam das transformações e os hyrkanianos pressionam pelo leste. Em seguida, mudanças climáticas e geológicas destroem ainda mais aquilo que restava das antigas sociedades, alterando mares, terras e rotas populacionais. Howard utiliza esses acontecimentos para aproximar gradualmente sua geografia imaginária do mundo conhecido pela história.

Essa destruição completa o movimento cíclico que atravessa o cenário. A Era Hiboriana não é o início definitivo da civilização nem seu estágio mais elevado; é apenas uma camada desaparecida em uma sequência enorme de ascensões e quedas. O fato de seus grandes reinos estarem destinados ao esquecimento dá à aventura de Conan uma dimensão melancólica que contrasta com sua vitalidade individual.

Conan dentro de um mundo maior

Apesar de a Era Hiboriana ter sido criada para Conan, Conan não é o centro histórico do universo. “The Hyborian Age” descreve milhares de anos de acontecimentos e sequer precisa do personagem para explicar a formação ou destruição das grandes sociedades. Ele ocupa apenas um período dentro de uma história muito mais ampla.

Isso influencia profundamente a maneira como os contos funcionam. Conan pode interferir na política de reinos, participar de guerras e eventualmente governar Aquilonia, mas não existe para cumprir uma profecia capaz de definir o futuro de toda a Era Hiboriana. O mundo existia antes dele e continuará mudando depois de sua morte.

Essa relativa independência entre personagem e cenário é uma das características que diferenciam Howard de muitos ciclos posteriores de fantasia épica. A importância de Conan nasce da intensidade de sua trajetória individual, não da ideia de que toda a história do universo foi organizada para conduzi-lo a um destino inevitável.

O mundo original de Howard e o que veio depois

A morte de Robert E. Howard em 1936, aos trinta anos, interrompeu uma produção ainda em desenvolvimento. O material original de Conan é relativamente compacto quando comparado à dimensão que a franquia adquiriria posteriormente, e muitas regiões da Era Hiboriana permaneceram apenas mencionadas ou parcialmente exploradas. Isso criou um enorme espaço para continuações, reorganizações e novas aventuras.

Autores como L. Sprague de Camp e Lin Carter escreveram novos textos, completaram fragmentos e reorganizaram as histórias dentro de uma cronologia mais definida. Esse trabalho foi muito importante para manter Conan em circulação durante décadas, mas também introduziu material que não deve ser automaticamente atribuído a Howard. A distinção entre os textos originais e a tradição posterior tornou-se especialmente importante com edições modernas preocupadas em recuperar versões mais próximas dos manuscritos do autor.

A mesma diferença vale para a Era Hiboriana. Mapas contemporâneos extremamente detalhados, cronologias precisas, descrições extensas de todos os reinos e sistemas muito organizados de religião ou magia podem combinar informações originais com décadas de expansões. O universo de Howard possui consistência significativa, mas não nasceu como uma enciclopédia completamente preenchida.

A Marvel e a expansão visual da Era Hiboriana

A partir de 1970, a série Conan the Barbarian, da Marvel, transformou profundamente a circulação do personagem e de seu mundo. Roy Thomas e Barry Windsor-Smith foram responsáveis pelas primeiras histórias, e a revista cresceu a ponto de se tornar uma das adaptações mais influentes da obra de Howard. A própria Marvel reconhece a importância dessa fase para transformar Conan em um ícone conhecido muito além do público das revistas pulp.

Os quadrinhos precisavam preencher continuamente os intervalos da vida do personagem, criando aventuras que não existiam nos contos originais e desenvolvendo regiões apenas mencionadas por Howard. Roy Thomas combinou adaptações diretas, material de outros autores e histórias inéditas, estabelecendo uma continuidade muito mais extensa do que a deixada pelo criador. A longa duração da publicação permitiu ainda que artistas como John Buscema ajudassem a fixar uma aparência visual para o mundo.

A importância dessa tradição é enorme, mas ela também explica parte da confusão entre “Era Hiboriana de Robert E. Howard” e “todo o universo de Conan”. Personagens, acontecimentos e detalhes familiares aos leitores de quadrinhos podem ser criações posteriores. Para compreender o cenário historicamente, é necessário reconhecer essas camadas em vez de tratá-las como um único cânone produzido pelo mesmo autor.

Red Sonja e outros elementos posteriores

Red Sonja é um dos exemplos mais conhecidos dessa transformação. Embora possua uma relação indireta com uma personagem criada por Howard em outro contexto histórico, a guerreira ruiva associada ao mundo de Conan foi desenvolvida nos quadrinhos da Marvel e passou a ocupar uma posição tão forte no imaginário da Espada e Feitiçaria que muitas vezes parece ter feito parte da Era Hiboriana desde o início.

Esse tipo de adaptação demonstra como universos ficcionais podem crescer por acumulação. Elementos inspirados vagamente por Howard são reorganizados, novos personagens entram em circulação e versões posteriores acabam influenciando a maneira como leitores retornam às obras originais.

A Era Hiboriana contemporânea é, portanto, formada por duas histórias paralelas: a construção relativamente concentrada feita por Howard nos anos 1930 e a expansão multimídia que veio depois. Ambas são importantes para explicar a permanência do cenário, mas não devem ser confundidas.

A Era Hiboriana nos RPGs

A estrutura do mundo mostrou-se especialmente adequada aos RPGs de mesa. Reinos politicamente distintos, fronteiras instáveis, ruínas antigas, magia perigosa, cidades decadentes e grandes extensões pouco exploradas oferecem condições ideais para personagens que viajam de aventura em aventura. Diferentemente de um cenário completamente estruturado em torno da biografia de Conan, a Era Hiboriana pode sustentar histórias com outros protagonistas sem perder sua identidade.

Entre diferentes adaptações, Conan: Adventures in an Age Undreamed Of, publicado pela Modiphius, procurou explicitamente retornar às histórias de Robert E. Howard como base principal. O jogo recebeu livros dedicados a regiões, formas de aventura, cultos, ruínas e magia, transformando informações originalmente espalhadas por contos e ensaios em material sistemático para campanhas.

Essa passagem também revela uma diferença entre literatura e RPG. Howard podia deixar uma cidade ou religião parcialmente indefinida porque precisava apenas do suficiente para sustentar determinado conto. Um jogo de interpretação costuma exigir ferramentas para que outros criadores contem histórias próprias, o que incentiva mapas, tabelas, descrições políticas e regras muito mais detalhadas.

Videogames e a transformação em espaço explorável

Os videogames levaram essa lógica ainda mais longe ao transformar a Era Hiboriana em território explorável. Em vez de apenas acompanhar Conan atravessando um reino, o jogador pode caminhar por paisagens, encontrar ruínas, construir assentamentos, enfrentar criaturas e experimentar diretamente as distâncias entre diferentes ambientes.

Essa adaptação tende a enfatizar os elementos mais imediatamente reconhecíveis do cenário: brutalidade física, sobrevivência, magia sombria, ruínas monumentais, criaturas antigas e sociedades violentas. Ao fazer isso, os jogos participam de uma tradição visual que começou muito antes, especialmente com ilustrações, quadrinhos e cinema.

O resultado é uma Era Hiboriana que hoje existe em versões bastante diferentes. Para um leitor de Howard, o cenário pode ser lembrado através de alusões rápidas e atmosferas construídas em poucas páginas; para um jogador, pode aparecer como mapa extenso que precisa ser percorrido e dominado. As duas experiências partem do mesmo imaginário, mas exigem níveis distintos de concretização.

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A influência sobre mundos posteriores de fantasia

A importância da Era Hiboriana para a fantasia moderna não está apenas no sucesso de Conan. Howard mostrou que um mundo de fantasia poderia ser construído como história perdida, combinando culturas reconhecíveis dentro de uma cronologia inventada e utilizando migrações, guerras e catástrofes para produzir profundidade temporal. Estudos sobre sua construção pseudohistórica destacam justamente seu papel na evolução das estratégias modernas de criação de mundos secundários.

Esse modelo seria extremamente compatível com RPGs e fantasias posteriores. Um criador podia elaborar mapas, povos, ruínas e impérios sem precisar fazer com que todas as histórias tratassem do destino do mundo inteiro. A própria geografia poderia sugerir aventuras diferentes conforme os personagens se deslocassem de região.

A influência também aparece na maneira como fantasia passou a utilizar decadência e história profunda. Reinos construídos sobre restos de sociedades mais antigas, magia preservada em ruínas e povos que perderam conhecimentos anteriores tornaram-se recursos comuns do gênero. Howard não inventou isoladamente nenhum desses elementos, mas a Era Hiboriana ofereceu uma combinação particularmente influente deles.

Era Hiboriana e Terra-média não fazem a mesma coisa

A comparação com a Terra-média, de J. R. R. Tolkien, ajuda a entender o que torna o mundo de Howard distinto. Ambos os autores criaram história, geografia, povos e eras anteriores às narrativas mais conhecidas, mas utilizaram métodos e interesses bastante diferentes. Tolkien desenvolveu idiomas, mitologias, genealogias e uma cosmologia de grande extensão, enquanto Howard trabalhou principalmente com uma pseudohistória dinâmica construída para sustentar aventuras rápidas em ambientes variados.

Isso não significa que uma construção seja mais profunda ou legítima do que a outra. A Era Hiboriana produz profundidade por meio de referências históricas, lacunas deliberadas e movimento constante entre sociedades; a Terra-média trabalha com outra escala linguística, mítica e narrativa.

A diferença também aparece nos protagonistas. O Senhor dos Anéis acompanha um conflito que altera profundamente o destino político e metafísico de sua era, enquanto a maioria das aventuras de Conan permanece relativamente localizada. A Era Hiboriana continua existindo para além de cada conto, sem exigir que cada história leve à resolução de seu grande arco histórico.

Era Hiboriana não é uma representação da Antiguidade

Um dos erros mais comuns é tratar o cenário como se Howard estivesse simplesmente escrevendo aventuras ambientadas em uma versão fantasiosa da Antiguidade real. A presença de povos e reinos inspirados por culturas históricas favorece essa impressão, mas a proposta é outra. Aquilonia não é Roma ou França, Stygia não é Egito, Cimmeria não representa diretamente os cimérios históricos e Asgard não é Escandinávia.

Howard utilizava associações culturais para construir rapidamente atmosferas compreensíveis ao leitor. Ao mesmo tempo, misturava períodos que na história real estão separados por séculos ou milênios. Um reino pode possuir instituições próximas do feudalismo europeu enquanto outro remete a sociedades da Antiguidade oriental e um terceiro utiliza elementos associados a povos nômades das estepes.

A Era Hiboriana funciona justamente porque não precisa resolver esses anacronismos. O cenário existe antes da história registrada e pode apresentar formas sociais que apenas posteriormente reapareceriam de maneira diferente. Essa liberdade constitui uma de suas ferramentas fundamentais de construção.

O que pertence a Howard e o que pertence à franquia

Depois de quase um século de publicações, distinguir as diferentes camadas do universo tornou-se essencial. Howard criou a Era Hiboriana, sua pseudohistória fundamental, seus principais povos e reinos e as histórias originais de Conan, mas não escreveu tudo aquilo que posteriormente passou a circular sob o nome do personagem. De Camp, Lin Carter, Roy Thomas e muitos outros autores contribuíram para ampliar e reorganizar esse material.

Isso também significa que contradições entre versões não precisam ser resolvidas como se existisse um único cânone homogêneo. Uma cronologia elaborada para quadrinhos, um RPG moderno e um conto de 1933 podem apresentar detalhes diferentes porque respondem a projetos editoriais distintos.

Para um verbete histórico, o material de Howard precisa permanecer no centro, enquanto expansões posteriores devem ser apresentadas como parte da recepção e transformação do cenário. Essa distinção não diminui o valor das adaptações; apenas impede que sua contribuição seja atribuída retrospectivamente ao criador original.

Um mundo feito para movimento

Uma das características mais eficientes da Era Hiboriana é que seu mapa praticamente convida o protagonista a viajar. Conan não possui uma comunidade permanente à qual todas as histórias retornam. Ele cruza fronteiras, trabalha para exércitos, torna-se pirata, envolve-se com ladrões, visita cortes, atravessa desertos e entra em regiões onde sua própria cultura significa pouco.

Isso permite que cada mudança geográfica produza também uma mudança de gênero ou atmosfera. Uma história pode funcionar como aventura militar, outra como relato de horror, outra como intriga política, outra como exploração de ruínas e outra como narrativa marítima. O cenário permanece reconhecível justamente porque consegue acomodar essa variedade.

A própria carreira de Conan acompanha o mapa. Conhecemos parte da Era Hiboriana através de seu deslocamento, e a impressão de mundo vasto nasce da percepção de que existem sempre outras regiões além da próxima fronteira. Howard não precisava mostrar tudo para sugerir que muito mais existia.

Um universo construído sobre a instabilidade

A Era Hiboriana não é marcada por uma ordem que precisa ser restaurada para permanecer eterna. Seus reinos estão constantemente em guerra, fronteiras mudam, dinastias caem e povos migram. Mesmo as sociedades mais poderosas existem dentro de uma cronologia que já estabeleceu sua destruição futura.

Essa instabilidade combina com a Espada e Feitiçaria porque reduz a importância de instituições permanentes. Personagens precisam aprender a sobreviver em um mundo no qual uma lei vale em determinado reino e deixa de existir ao atravessar uma fronteira. A competência individual de Conan torna-se especialmente valiosa justamente porque nenhum sistema político oferece segurança duradoura.

O cenário também mantém uma tensão constante entre presente e passado. Toda sociedade acredita possuir alguma estabilidade, mas as ruínas ao redor demonstram que outras civilizações acreditaram na mesma coisa. A história da Era Hiboriana é, em grande medida, uma sucessão de povos que descobrem tarde demais que também podem desaparecer.

O lugar da Era Hiboriana na fantasia

Quase um século depois das primeiras histórias de Conan, a Era Hiboriana permanece importante porque oferece uma solução de construção de mundo diferente tanto da reconstrução histórica quanto da fantasia inteiramente separada da Terra. Howard criou um passado impossível, mas suficientemente familiar para que o leitor reconhecesse rapidamente ecos de diferentes civilizações. Esse procedimento permitiu uma variedade excepcional de aventuras sem exigir que cada conto explicasse novamente o funcionamento do universo.

Sua influência pode ser encontrada na própria lógica de muitos cenários posteriores: mapas divididos em regiões culturalmente distintas, impérios decadentes, fronteiras perigosas, cidades de ladrões, terras pouco conhecidas, ruínas de civilizações anteriores e magia associada a conhecimentos que seria melhor não recuperar. Quadrinhos e adaptações transformaram essas sugestões em imagens duradouras, enquanto RPGs sistematizaram o mundo para que outras pessoas pudessem criar suas próprias aventuras dentro dele.

Ao mesmo tempo, retornar aos textos originais revela uma Era Hiboriana menos organizada e mais ambígua do que algumas versões posteriores. Howard deixou lacunas, contradições e regiões apenas sugeridas, além de construir parte de sua pseudohistória sobre conceitos raciais e históricos que precisam ser lidos criticamente hoje. É justamente essa combinação entre inovação formal, limitações históricas e enorme capacidade de expansão que faz da Era Hiboriana um dos universos fundamentais para compreender a formação da fantasia de aventura moderna.


Fontes consultadas:

  • Howard, Robert E. — “The Hyborian Age”. The Phantagraph, publicação parcial em 1936; texto completo publicado posteriormente. Fonte primária fundamental para a cronologia, povos, migrações, cataclismos e organização pseudohistórica do mundo de Conan.
    Project Gutenberg — The Hyborian Age
  • Robert E. Howard Foundation — The Hyborian Age. Robert E. Howard Foundation Press, 2011. Edição documental utilizada para contextualizar os diferentes rascunhos do ensaio e os mapas elaborados pelo próprio Howard durante a criação do cenário.
    Robert E. Howard Foundation — The Hyborian Age
  • Robert E. Howard Works / REH World — “The Hyborian Age”. Referência bibliográfica e histórica para a composição do ensaio, seu caráter pseudohistórico e suas conexões com a Era Thuriana e outros textos de Howard.
    REH World — The Hyborian Age
  • Dedopulos, Tim — “Howard’s Hyborian Age”. Conan.com, 2019. Utilizada como referência complementar para a lógica geográfica do cenário, sua cronologia incerta, o caráter de “história romântica” e o processo de ascensão e queda das civilizações.
    Conan.com — Howard’s Hyborian Age
  • Dojčinović, Predrag — History in Robert E. Howard’s Fantastic Stories. Hiroshima University. Estudo acadêmico utilizado para contextualizar o interesse de Howard por história, a formação de sua pseudohistória e a importância da Era Hiboriana dentro do desenvolvimento de estratégias modernas de construção de mundos fantásticos.
    Hiroshima University — History in Robert E. Howard’s Fantastic Stories
  • Marvel — Conan the Barbarian: The Original Marvel Years Omnibus Vol. 1. Referência para a adaptação iniciada em 1970 por Roy Thomas e Barry Windsor-Smith e para a importância dos quadrinhos na ampliação visual e narrativa do universo de Conan.
    Marvel — The Original Marvel Years Omnibus Vol. 1
  • Marvel — Conan the Barbarian: The Original Marvel Years Omnibus Vol. 4. Utilizada para contextualizar a longa participação de Roy Thomas e John Buscema e a importância da fase Marvel na consolidação internacional de Conan e de seu mundo.
    Marvel — The Original Marvel Years Omnibus Vol. 4
  • Modiphius Entertainment — Robert E. Howard’s Conan: Adventures in an Age Undreamed Of. Fonte para a presença da Era Hiboriana nos RPGs e para a proposta de reconstruir o cenário tomando as histórias originais de Howard como referência principal.
    Modiphius — Conan: Adventures in an Age Undreamed Of
  • Modiphius Entertainment — Conan: The Book of Skelos. Utilizada para contextualizar a adaptação e sistematização da magia, dos cultos e das entidades sobrenaturais da Era Hiboriana para o RPG.
    Modiphius — The Book of Skelos
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