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O poder que ninguém deveria querer: por que O Senhor dos Anéis é uma história sobre renúncia?

A estrutura de O Senhor dos Anéis parece, à primeira vista, feita para uma história sobre conquista. Há um reino sem rei, um herdeiro que precisa recuperar o trono, exércitos marchando, fortalezas sitiadas e uma arma capaz de decidir o destino de uma guerra. Em muitas narrativas, essa arma seria encontrada, dominada e finalmente usada contra o inimigo. Tolkien constrói exatamente o movimento oposto. O objeto mais poderoso da Terra-média não deve ser conquistado, aperfeiçoado ou colocado nas mãos de alguém mais digno: precisa ser destruído. A grandeza moral de boa parte dos personagens, por isso, não está naquilo que conseguem tomar para si, mas naquilo que conseguem recusar.

O Um Anel é mais interessante porque não funciona apenas como uma arma maligna. Sua promessa fundamental é a possibilidade de impor a própria vontade sobre o mundo e sobre os outros, tornando eficaz aquilo que o portador deseja realizar. É uma tentação perigosa justamente porque não precisa assumir uma forma monstruosa. O Anel pode oferecer a alguém a chance de vencer Sauron, salvar uma cidade, preservar uma floresta, defender um povo ou colocar fim a uma guerra. O problema não começa quando alguém deseja fazer o mal, mas quando passa a acreditar que uma causa justa lhe concede o direito de obrigar todos os demais a aceitarem sua vontade.

Essa relação entre poder e domínio aparece também fora do romance. Em uma carta de 1951 ao editor Milton Waldman, Tolkien associou o desejo de poder à vontade de tornar os próprios objetivos imediatamente eficazes e descreveu como corruptora a tentativa de dominar outras vontades. O Um Anel concentra esse princípio de maneira extrema. Ele não oferece apenas força, invisibilidade ou autoridade política; promete uma forma de ação em que os obstáculos colocados pelos outros deixam de importar. O portador não precisaria mais convencer, negociar, esperar, ceder ou aceitar que o mundo talvez siga uma direção diferente daquela que considera correta. É por isso que a verdadeira pergunta colocada a vários personagens não é se fariam algo terrível com poder absoluto, mas se conseguiriam recusá-lo mesmo acreditando que poderiam usá-lo para uma boa finalidade.

O Anel não oferece apenas poder

Boromir é talvez o exemplo mais evidente dessa ambiguidade porque sua tentação nasce de motivos compreensíveis. Gondor enfrenta Mordor há gerações, seu povo morre continuamente na fronteira e ele próprio passou a vida defendendo uma cidade que parece cada vez mais próxima da derrota. Quando toma conhecimento do Anel, não imagina inicialmente um império pessoal, nem deseja substituir Sauron no comando da Terra-média. O que vê é uma arma capaz de alterar o equilíbrio da guerra. Sua queda funciona justamente porque Tolkien não precisa transformá-lo em alguém cruel para mostrar o perigo. Boromir é corajoso, leal e disposto a morrer por seu povo; sua tragédia está em acreditar, pouco a pouco, que a urgência de salvar Gondor justifica usar qualquer instrumento disponível.

O processo é mais importante do que uma transformação repentina. A defesa de Gondor torna aceitável pensar no Anel como arma, a necessidade da vitória torna aceitável pressionar Frodo e, pouco depois, aquilo que começou como intenção de proteção desemboca numa tentativa de tomar o objeto à força. Tolkien evita uma fronteira simples entre virtude e corrupção porque o Anel não cria desejos inteiramente novos; ele amplia convicções, medos e ambições já existentes até que o personagem passe a considerar sua própria vontade mais importante do que a liberdade dos outros.

É nesse ponto que Boromir ajuda a revelar a lógica central do Anel. Ele não fracassa porque queria algo essencialmente errado. Fracassa porque começa a acreditar que querer algo certo lhe dá autorização para decidir por todos. Tolkien torna a tentação mais inquietante ao mostrá-la não como um desejo de destruição, mas como a certeza de que uma pessoa justa, diante de uma situação extrema, poderia ser a única capaz de fazer aquilo que precisa ser feito.

Imagem: “Boromir & Frodo.”, por Ted Nasmith.

Boromir e a justificativa das boas intenções

A importância de Boromir está também no contraste com Gandalf. Quando Frodo tenta entregar-lhe o Anel, Gandalf poderia construir para si uma justificativa ainda mais convincente. Foi enviado à Terra-média para ajudar na resistência a Sauron, conhece o perigo representado por Mordor e possui conhecimento e poder muito superiores aos de quase todos os outros personagens. Sua recusa, porém, nasce justamente dessa consciência. Gandalf entende que, em suas mãos, o Anel não deixaria de ser perigoso por estar a serviço de uma intenção nobre. Sua vontade de fazer o bem poderia levá-lo a impor esse bem aos demais, substituindo uma tirania assumidamente cruel por outra que talvez começasse em nome da justiça.

Essa ideia impede que o conflito entre Gandalf e Sauron seja reduzido a uma oposição entre um governante bondoso e um governante maligno. Sauron representa uma concepção de ordem em que todas as vontades devem ser organizadas sob uma única autoridade, e o Anel oferece precisamente essa possibilidade. Usá-lo contra Sauron significaria aceitar o princípio que sustenta o poder do próprio inimigo. A derrota militar do Senhor do Escuro não bastaria se alguém simplesmente assumisse seu lugar com objetivos diferentes, pois a estrutura de dominação permaneceria intacta.

Tolkien constrói, portanto, uma crítica mais ampla à ideia de que um instrumento de coerção absoluta pode se tornar seguro apenas porque caiu nas mãos certas. O Anel não é mau porque Sauron o utiliza mal; sua própria natureza é incompatível com qualquer forma de liberdade que aceite a existência de outras vontades. Essa distinção é importante porque desloca o conflito da esfera da intenção individual para a própria estrutura do poder. Não basta perguntar quem deveria governar. É preciso perguntar que tipo de poder alguém está disposto a exercer para conseguir governar.

Gandalf e Galadriel: o perigo de governar para o bem

Galadriel oferece outra versão dessa mesma tentação. Quando Frodo lhe oferece o Anel, sua imaginação não produz a imagem de uma criatura grotesca ou de uma rainha escondida nas trevas. Ela se vê ampliada: bela, majestosa, temível e capaz de governar sobre todos. A cena é importante porque revela como o poder absoluto pode aparecer para quem o deseja. A promessa do Anel não precisa dizer “você será uma tirana”; pode dizer “você poderá finalmente proteger tudo aquilo que ama”. O perigo está na transformação de qualidades reais — sabedoria, autoridade, beleza, capacidade de proteção — em virtudes sem limite e sem possibilidade de contestação.

A recusa de Galadriel exige ainda que ela aceite uma perda concreta. A destruição do Um Anel implica o enfraquecimento dos Três Anéis élficos e, com isso, o fim gradual da preservação que sustentava lugares como Lothlórien. A vitória contra Sauron significa que o mundo dos elfos não poderá permanecer suspenso indefinidamente. Esse detalhe aproxima o tema do poder de outro elemento recorrente em Tolkien: a dificuldade de aceitar a mudança. O desejo de conservar aquilo que é belo ou amado pode parecer inteiramente virtuoso, mas se torna problemático quando preservação significa impedir o mundo de seguir adiante.

Galadriel renuncia, assim, não apenas à possibilidade de governar, mas também à fantasia de conservar para sempre um mundo que já está desaparecendo. Sua decisão ganha força porque não é uma escolha entre bem e mal em termos simples. É uma escolha entre aceitar a perda ou tentar anulá-la por meio de um poder que inevitavelmente transformaria preservação em domínio.

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Sam e a grandeza de desejar pouco

Sam Gamgi apresenta a mesma questão em escala menor e talvez ainda mais clara. Ao carregar o Anel em Mordor, ele também recebe uma visão de poder. Imagina-se grande, comandando exércitos e transformando a terra devastada num enorme jardim. Há algo quase cômico nessa fantasia, mas Tolkien utiliza justamente essa desproporção para mostrar como o Anel adapta sua promessa aos desejos de cada pessoa. Sam não quer conquistar reinos nem humilhar inimigos; quer fazer crescer coisas bonitas. Ainda assim, para transformar uma região inteira segundo sua própria vontade, precisaria primeiro possuir autoridade suficiente para fazer com que todos os demais participassem de seu projeto.

O que o protege é a dimensão limitada de seus desejos. Sam conhece o tamanho do jardim que realmente quer cuidar e, mais importante, sabe que não precisa transformar o mundo inteiro para viver de acordo com aquilo que valoriza. Sua resistência não nasce de um grande sistema filosófico sobre poder e responsabilidade, mas de uma relação muito concreta com a vida. Ele deseja terra suficiente para cultivar, uma casa, amizade, comida e a possibilidade de retornar ao Condado. Tolkien utiliza os hobbits repetidamente dessa maneira: sua aparente pequenez funciona como uma forma de proteção contra a ideia de que uma vida importante precisa estar associada a expansão, domínio ou grandeza.

Essa lógica ajuda a compreender por que Sam consegue realizar um gesto tão raro: depois de ter carregado o Anel, consegue devolvê-lo. A cena poderia parecer pequena quando comparada às batalhas e cercos que ocupam outras partes do romance, mas Tolkien reorganiza deliberadamente a escala do heroísmo. Conquistar uma fortaleza pode exigir força e coragem, mas entregar voluntariamente algo que promete poder exige uma forma diferente de resistência. Sam não precisa derrotar ninguém para demonstrá-la; precisa aceitar que aquele poder não lhe pertence e que não precisa dele.

Sam carrega Frodo, na Montanha da Perdição. Imagem: LotR – Return of the King

Aragorn: autoridade sem domínio

Aragorn parece, à primeira vista, complicar essa interpretação porque sua trajetória termina justamente com a conquista de uma forma de poder político. Ele assume sua linhagem, retorna a Gondor e torna-se rei. Se O Senhor dos Anéis trata a busca pelo domínio com tanta desconfiança, uma coroação poderia parecer contraditória. O que Tolkien faz, porém, é distinguir autoridade de dominação. Aragorn não passa a narrativa tentando provar que merece governar por meio de imposição. Durante grande parte de sua jornada, serve antes de comandar, protege pessoas que nem sequer confiam nele, aceita a liderança de Gandalf e demonstra sua legitimidade mais por suas ações do que por uma reivindicação abstrata de sangue.

Sua relação com o Anel reforça essa diferença. Como herdeiro de Isildur, Aragorn teria uma justificativa histórica e simbólica particularmente forte para imaginar que poderia usar o objeto contra Sauron. Ainda assim, sua restauração não depende disso. Ele não precisa possuir o maior instrumento de poder da Terra-média para tornar-se rei, e sua autoridade não nasce da capacidade de transformar todas as outras vontades numa extensão da sua.

A monarquia de Tolkien pode ser discutida politicamente de várias maneiras, mas, dentro da lógica do romance, Aragorn funciona como contraponto a Sauron porque aceita limites. Sua legitimidade depende de servir, curar, esperar e assumir responsabilidade, não de abolir a possibilidade de resistência. A diferença entre os dois não está apenas no fato de um ser “bom” e o outro “mau”, mas na relação que mantêm com o poder que exercem.

Frodo e o limite da própria vontade

Frodo leva essa discussão para um ponto ainda mais difícil porque Tolkien se recusa a oferecer ao protagonista uma vitória moral limpa no momento final. Depois de atravessar a Terra-média, suportar perseguições, ferimentos, fome e o peso crescente do Anel, Frodo chega à Fenda da Perdição e não consegue destruí-lo. No instante decisivo, reivindica o objeto para si. A cena seria muito mais simples se funcionasse como uma prova de fraqueza pessoal, mas Tolkien rejeitou explicitamente essa leitura. Em carta de 1963 a Eileen Elgar, explicou que não considerava o ocorrido uma falha moral de Frodo. Diante de tudo o que ele havia suportado e sob a pressão máxima do Anel no próprio lugar de sua criação, a resistência chegara ao limite do que era possível.

Essa escolha transforma o sentido da missão. Frodo não vence porque possui uma força interior infinitamente superior à tentação, nem porque demonstra ser moralmente puro. Seu mérito está em ter chegado tão longe quanto alguém poderia chegar e, durante o caminho, ter tomado decisões que tornam possível um desfecho que ele próprio já não consegue produzir. A mais importante delas talvez seja sua insistência em poupar Gollum. Frodo não faz isso porque conhece o futuro ou porque sabe que precisará dele no Monte da Perdição. Age por misericórdia diante de uma criatura degradada, perigosa e aparentemente indigna de confiança.

É justamente essa escolha, que não procura controlar as consequências, que acaba tornando possível a destruição do Anel. Gollum permanece vivo até o único momento em que sua obsessão pode concluir aquilo que Frodo já não consegue fazer. Tolkien contrapõe, assim, duas maneiras de agir no mundo. Sauron tenta dominar circunstâncias, prever movimentos e reduzir a liberdade alheia para garantir resultados. Frodo realiza um gesto cujo valor não depende de saber o que ele produzirá. A misericórdia não funciona como estratégia disfarçada; só pode ter o efeito que tem porque foi concedida antes que qualquer utilidade pudesse ser calculada.

Sauron perde porque não entende a renúncia

Sauron perde em grande medida porque não consegue compreender essa lógica. Ele sabe que seus inimigos encontraram o Anel e conhece a força de Gandalf, Aragorn e dos povos reunidos contra Mordor. O que não consegue imaginar é que alguém possua o objeto e escolha destruí-lo. Para ele, poder existe para ser usado. Quando Aragorn se revela através da palantír e depois marcha com um exército muito menor contra o Portão Negro, Sauron interpreta o gesto segundo aquilo que ele próprio faria: acredita que o herdeiro de Isildur tomou o Anel, tornou-se confiante demais e agora pretende desafiá-lo.

Essa incapacidade é uma das ironias mais importantes do romance. Sauron compreende perfeitamente ambição, medo, guerra, autoridade e desejo de domínio, mas não consegue conceber uma estratégia baseada em renúncia. A possibilidade de transportar o Anel até o coração de Mordor para destruí-lo permanece fora de sua imaginação porque exige uma relação com o poder que ele não consegue entender. Sua derrota não é apenas militar; é também uma derrota de imaginação moral. Ele perde porque acredita que todos, diante da oportunidade de possuir aquilo que ele mais deseja, fariam essencialmente a mesma escolha que ele.

Bilbo já havia desmentido essa certeza antes mesmo do início da jornada de Frodo. Sua decisão de deixar o Anel no Bolsão é difícil, cheia de hesitação e irritação, mas termina numa renúncia real. Bilbo percebe que sua relação com o objeto já não é inteiramente voluntária e, ainda assim, consegue abandoná-lo. O gesto prepara toda a história posterior porque demonstra que resistir ao Anel não significa nunca desejá-lo. A renúncia só existe quando há algo que se gostaria de conservar.

Esse aspecto ajuda a explicar por que os hobbits ocupam uma posição tão central numa narrativa repleta de reis, magos e guerreiros. O Condado oferece uma definição de felicidade que não depende de crescimento ilimitado. Comida, histórias, aniversários, árvores, jardins, amizade e uma casa confortável podem parecer assuntos pequenos diante de guerras que decidem o futuro de continentes, mas constituem uma resposta prática à promessa do Anel. Para alguém que já possui uma ideia de vida boa baseada em coisas finitas, a oferta de governar o mundo pode parecer menos irresistível.

Frodo e o Um Anel.

Uma vitória construída sobre aquilo que se abandona

É nesse ponto que O Senhor dos Anéis se afasta de muitas histórias de poder. A fantasia épica costuma acompanhar personagens que precisam crescer até estarem à altura de uma força extraordinária: espadas são conquistadas, dons são descobertos, tronos são recuperados e antigas capacidades são dominadas. Tolkien utiliza vários desses elementos, mas coloca no centro da narrativa um objeto que não pode ser legitimamente incorporado à trajetória de ninguém. Não existe um verdadeiro mestre do Um Anel esperando para descobri-lo. Não há um portador digno que finalmente demonstre como empregá-lo da maneira correta. O único uso seguro é não utilizá-lo.

Isso não significa que Tolkien rejeite toda forma de autoridade, força ou ação política. Seus personagens guerreiam, governam, tomam decisões e exercem poder de maneiras muito concretas. O que o Anel representa é algo mais específico: a vontade de eliminar a distância entre desejar uma coisa e obrigar o mundo a realizá-la. Nesse sentido, as tentações mais perigosas não são as que surgem de desejos grotescos, mas as que podem ser defendidas moralmente. Boromir quer salvar Gondor, Gandalf poderia querer derrotar Sauron, Galadriel poderia querer preservar aquilo que ama e Sam gostaria de transformar uma terra morta em jardim. Todos possuem razões que, isoladamente, parecem boas.

A pergunta central da obra talvez esteja justamente aí. Se alguém tivesse poder suficiente para fazer o mundo se tornar aquilo que considera melhor, ainda conseguiria aceitar que outras pessoas discordassem, que certas coisas mudassem, que algumas perdas fossem inevitáveis e que nem todo resultado pudesse ser controlado? Tolkien não oferece uma resposta confortável porque nem Frodo consegue resistir indefinidamente. O heroísmo não depende de ser incorruptível, mas de resistir enquanto for possível, reconhecer os próprios limites e compreender que nenhuma vontade individual deve ter autoridade absoluta sobre todas as outras.

Por isso a destruição do Anel continua sendo um desfecho tão poderoso. A maior arma da Terra-média não encontra um dono melhor, não é purificada e não se transforma em instrumento de uma nova era mais justa. Ela desaparece. A vitória acontece porque diferentes personagens, em momentos diferentes, conseguem abrir mão de algo que poderia torná-los maiores, mais fortes ou mais capazes de impor ao mundo aquilo que desejam. Em O Senhor dos Anéis, renunciar não é abandonar a responsabilidade nem recusar toda forma de poder. É aceitar que há um limite além do qual a vontade de melhorar o mundo pode se transformar na vontade de possuí-lo.


Fontes consultadas

  • TOLKIEN, J. R. R. — O Senhor dos Anéis. Tradução de Ronald Kyrmse. HarperCollins Brasil. Fonte primária para a relação entre o Um Anel e a dominação, as recusas de Gandalf, Galadriel e Faramir, a tentação de Boromir, a experiência de Sam e o fracasso final de Frodo na Fenda da Perdição. A HarperCollins Brasil publica atualmente a obra na tradução de Ronald Kyrmse.
    HarperCollins Brasil — J. R. R. Tolkien
  • TOLKIEN, J. R. R. — As Cartas de J. R. R. Tolkien. Organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien. Fonte primária complementar para as explicações do próprio Tolkien sobre poder, o Anel, Frodo, dominação, heroísmo e os limites morais dos personagens.
    Tolkien Estate — Letters
  • Tolkien Estate — “Letter to Milton Waldman, publisher, 1951”. Carta em que Tolkien apresenta seu legendário como um conjunto interligado e discute temas como poder, preservação, posse e dominação, fundamentais para compreender o significado do Um Anel.
    Tolkien Estate — Letter to Milton Waldman, 1951
  • Tolkien Estate — “Letter to Eileen Elgar, September 1963”. Fonte particularmente importante para a interpretação do desfecho de Frodo. Tolkien afirma que não considera sua incapacidade de destruir voluntariamente o Anel uma falha moral e relaciona o episódio aos limites da resistência individual, à misericórdia e à sua concepção de verdadeira nobreza e heroísmo.
    Tolkien Estate — Letter to Eileen Elgar, September 1963
  • CROWE, Edith L. — “Power in Arda: Sources, Uses and Misuses”. Mythlore, v. 21, n. 2, 1996, p. 272–277. Estudo diretamente dedicado ao poder e à renúncia ao poder no legendário de Tolkien, distinguindo diferentes formas de autoridade e examinando como personagens e povos da Terra-média as utilizam ou recusam.
    Mythlore — Power in Arda: Sources, Uses and Misuses
  • LEVITIN, Alexis — “Power in The Lord of the Rings”. Tolkien Journal, v. 4, n. 3, 1970, p. 11–14. Estudo sobre a tendência corruptora do poder em O Senhor dos Anéis, a fragilidade estrutural do mal e a função do Anel como tentação ligada ao poder e ao orgulho.
    Tolkien Journal — Power in The Lord of the Rings

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