⌕
Sua próxima leitura começa aqui — explore livros na Amazon. Publicidade com link de afiliado.

Cronologia, guerras e ascensão dos reinos

A Era Hiboriana possui uma história de milhares de anos, mas Robert E. Howard nunca a organizou como uma cronologia moderna, com calendários completos, datas absolutas para cada batalha e uma sucessão perfeitamente documentada de reis. O texto fundamental para compreender esse passado é “The Hyborian Age”, escrito como uma grande crônica pseudohistórica que acompanha cataclismos, migrações, guerras e desaparecimento de civilizações ao longo de períodos imensos. Howard precisava saber como o mundo de Conan havia chegado à configuração encontrada nos contos e que transformações poderiam ocorrer depois dela, mas não estava criando uma linha do tempo destinada a eliminar todas as ambiguidades. O resultado é uma história de longa duração na qual sabemos com bastante segurança que um acontecimento precede outro, que determinados povos surgem depois de certas catástrofes e que alguns reinos se formam sobre sociedades anteriores, embora muitas etapas não possam ser convertidas honestamente em uma sequência de anos numerados.

Isso é particularmente importante porque a cronologia de Conan foi organizada de maneira muito mais rígida depois da morte de Howard. Editores, continuadores e estudiosos tentaram encaixar os contos numa biografia completa do personagem, calcular a duração das viagens e relacionar cada aventura a guerras e governos específicos. Alguns desses trabalhos são valiosos, sobretudo “A Probable Outline of Conan’s Career”, preparado por P. Schuyler Miller e John D. Clark ainda durante a vida de Howard e comentado pelo próprio escritor. Ainda assim, uma coisa é reconstruir a ordem provável das aventuras de Conan; outra é imaginar que toda a Era Hiboriana já existia como uma cronologia fechada na mente do autor. Howard continuou acrescentando elementos ao passado do cenário enquanto escrevia, e civilizações fundamentais como Acheron aparecem em textos posteriores sem terem ocupado lugar explícito na primeira grande síntese histórica.

A melhor maneira de compreender essa cronologia, portanto, é observar os grandes movimentos que transformam o mundo. Antes da Era Hiboriana existe o mundo de Kull e das civilizações pré-cataclísmicas; depois vêm catástrofes capazes de remodelar continentes e reduzir povos inteiros a condições muito diferentes das anteriores; em seguida surgem migrações, novas sociedades e os primeiros reinos hiborianos; séculos depois forma-se o sistema político conhecido por Conan, com Aquilônia, Nemédia, Koth, Estígia, Turan e inúmeros outros Estados disputando poder. A vida do cimério ocupa apenas uma parte desse processo. Ele nasce durante o auge de uma civilização construída por povos que também haviam sido bárbaros no passado e morre — ou simplesmente desaparece da narrativa de Howard — muito antes que os mesmos reinos sejam destruídos por novos movimentos de populações, guerras e transformações que o próprio autor imaginou para o futuro.

Do mundo de Kull ao surgimento dos Hiborianos

Muito antes de Aquilônia, Nemédia ou Estígia ocuparem o mapa conhecido por Conan, Howard imaginou uma Era Pré-Cataclísmica dominada por grandes civilizações do chamado continente Thuriano. É nesse período que se encaixam as histórias de Kull, rei de Valúsia, e um conjunto de reinos como Commoria, Grondar, Thule, Kamelia e Verulia. Atlantes, Pictos e Lemurianos também existiam nesse mundo, embora fossem frequentemente descritos pelas potências centrais como povos periféricos ou bárbaros. As histórias de Kull e o ensaio histórico não formam uma reconstrução absolutamente uniforme, mas pertencem à mesma ideia geral de um passado remotíssimo em que civilizações sofisticadas já haviam surgido e começado a envelhecer muito antes do nascimento dos povos hiborianos.

O primeiro grande rompimento não ocorre por causa de uma guerra. Um cataclismo altera profundamente a geografia do mundo, destruindo cidades, afundando Atlântida e Lemúria, erguendo novas terras e reorganizando mares e continentes. O acontecimento não funciona apenas como explicação mítica para o desaparecimento de civilizações lendárias; permite que Howard reinicie quase toda a história humana de seu cenário. Povos que possuíam cidades, escrita e estruturas políticas complexas perdem essas condições e precisam sobreviver em ambientes transformados. Os sobreviventes atlantes do continente, por exemplo, atravessam um longo processo de regressão cultural e passam a enfrentar grupos pictos que também sobreviveram à destruição. Em vez de reconstruírem imediatamente suas antigas sociedades, os dois povos entram em ciclos de guerra que destroem parte significativa daquilo que ainda preservavam.

Os Lemurianos seguem um caminho diferente. Grupos sobreviventes chegam ao continente oriental e acabam submetidos por uma civilização mais antiga e poderosa. Howard imagina séculos de escravidão antes de uma grande revolta, após a qual os antigos dominadores são expulsos para o oeste. Esses fugitivos, por sua vez, conquistam populações existentes no sul e ajudam a formar aquilo que mais tarde será conhecido como Estígia. A antiguidade estígia, tão importante nos contos de Conan, nasce dessa longa cadeia de deslocamentos e conquistas. Quando o cimério encontra sacerdotes, ruínas e conhecimentos estígios, está lidando com uma civilização cuja história se estende muito além do sistema político hiboriano.

Outro cataclismo, menor que o primeiro, continua alterando a superfície do mundo e impede que qualquer reconstrução seja simples. Lagos se expandem, novas barreiras naturais aparecem e populações já reduzidas precisam migrar novamente. Enquanto Atlantes e Pictos lutam no oeste e os descendentes dos Lemurianos atravessam outro processo histórico no leste, surge no norte um conjunto de tribos que Howard associa ao nome hiboriano. Esses povos preservam a memória de Bori, figura ancestral ou divina ligada às suas origens, e passam longos séculos vivendo em regiões frias antes de iniciar deslocamentos para o sul.

A expansão hiboriana não é resultado de uma única invasão organizada. Howard imagina grupos diferentes movimentando-se em tempos distintos, pressionados por clima, guerra ou competição com outras tribos, e estabelecendo novos centros de poder à medida que encontram territórios mais favoráveis. Hiperbórea surge como um dos primeiros grandes exemplos dessa transformação. Uma comunidade hiboriana passa a construir estruturas de pedra para defesa, adquirindo vantagem militar sobre vizinhos que ainda dependiam de formas mais simples de fortificação. A inovação permite concentração de população e poder, e aquilo que começou como uma mudança prática de construção acaba alterando a organização política de uma região inteira.

O desenvolvimento de Hiperbórea empurra outros grupos para novas áreas, acelerando migrações em direção ao sul e oeste. Ao longo dos séculos, esses Hiborianos encontram populações muito diferentes: descendentes de povos pré-cataclísmicos, comunidades que haviam desenvolvido sociedades próprias depois das grandes destruições e culturas cuja história Howard deixa apenas parcialmente explicada. Guerras e casamentos misturam populações, enquanto nomes de antigos povos sobrevivem ou desaparecem conforme novas identidades se formam. O vocabulário racial usado por Howard para explicar esse processo pertence claramente às concepções pseudocientíficas do início do século XX e não possui validade histórica ou antropológica; dentro da ficção, porém, sua intenção era construir uma pré-história em que povos mudam continuamente, em vez de permanecerem congelados em categorias eternas.

Reinos como Koth, Zamora e Zingara aparecem durante essas transformações. Koth surge como uma potência importante ao sul do núcleo hiboriano; Zamora preserva tradições de povos que não derivam simplesmente dos Hiborianos; Zingara resulta de relações e conflitos entre populações de origens diferentes. Estígia permanece ao sul como civilização muito mais antiga, enquanto comunidades de Shem vão construindo sua própria autonomia em relação a ela. O quadro político torna-se progressivamente mais parecido com aquele dos contos, mas ainda são necessários séculos até que Aquilônia e Nemédia assumam a posição central que terão durante a vida de Conan.

Howard imagina então uma fase em que os grandes reinos hiborianos já estão claramente estabelecidos. Aquilônia, Nemédia, Ophir, Koth, Coríntia, Britúnia, Argos e Hiperbórea formam parte de um conjunto de Estados ligados por origens remotas, mas politicamente independentes e frequentemente rivais. Ao norte, os Cimérios permanecem fora desse sistema e são tratados como descendentes ficcionais de antigos Atlantes. Mais ao norte, Aesires e Vanires formam o mundo de Nordheim. A oeste, os Pictos continuam ocupando territórios que sobreviveram a praticamente todas as grandes transformações anteriores. No leste, descendentes dos Lemurianos reaparecem na história sob a forma dos Hircânios, cuja expansão futura produzirá um novo centro de poder ao redor do Mar de Vilayet.

É desse ramo hircânio que surge Turan. A formação do reino introduz uma potência oriental com ambições militares capazes de alterar o equilíbrio da Era Hiboriana. No período de Conan, Turan ainda não dominou o oeste, mas já cresce sob governantes como Yildiz e Yezdigerd, estabelece influência sobre povos vizinhos e projeta força por grande parte das regiões próximas ao Vilayet. O cenário no qual Conan nasce, portanto, não é um mundo estável que permanecerá inalterado até sua morte. É um instante de equilíbrio entre potências ocidentais consolidadas e novos poderes que continuam expandindo-se a partir das margens.

Acheron e a memória dos impérios anteriores

A longa sequência descrita em “The Hyborian Age” oferece uma estrutura para a formação dos reinos conhecidos, mas Howard continuou enriquecendo esse passado quando começou a precisar dele para novas histórias. Acheron é o melhor exemplo. O império não ocupa uma posição desenvolvida no ensaio histórico inicial, mas torna-se fundamental em The Hour of the Dragon, no qual uma conspiração contra Conan depende da ressurreição de Xaltotun, um feiticeiro pertencente a essa civilização desaparecida.

Durante a época de Conan, Acheron já era uma lembrança remotíssima, destruída aproximadamente três milênios antes. Os personagens conhecem seu nome através de lendas, crônicas e fragmentos de história, e o próprio Conan demonstra não possuir conhecimento detalhado de sua antiga grandeza. O império havia dominado extensas regiões do oeste e exercido autoridade sobre povos que posteriormente ajudariam a destruí-lo. Cidades como Python pertenciam a esse mundo anterior, assim como tradições mágicas muito mais poderosas e perigosas que grande parte da feitiçaria corrente entre os reinos contemporâneos.

A queda de Acheron ajuda a explicar diretamente a existência de alguns dos Estados do período hiboriano. No relato fornecido em The Hour of the Dragon, povos que haviam sofrido sob o império finalmente se rebelam e destroem sua estrutura política. Aquilônia, Nemédia e Argos surgem em territórios anteriormente ligados ao domínio acheroniano, enquanto regiões como Ophir, Coríntia e partes de Koth recuperam independência. O mundo que Conan considera antigo e estabelecido revela-se, assim, apenas uma camada construída sobre um império ainda mais velho.

A existência de Acheron reforça uma característica fundamental da cronologia de Howard: os grandes reinos quase nunca são os primeiros ocupantes importantes de suas terras. Aquilônia pode olhar para Cimérios ou Pictos como povos exteriores à civilização, mas sua própria sociedade nasceu quando ancestrais hiborianos derrubaram uma potência que os tratava de maneira semelhante. O conquistador de uma era pode tornar-se aristocracia da seguinte e, depois de séculos, esquecer completamente que suas instituições nasceram de uma ruptura.

Xaltotun permite que o leitor veja essa diferença diretamente porque desperta num mundo que não reconhece. Territórios possuem outros nomes, cidades antigas desapareceram e povos anteriormente subordinados tornaram-se grandes potências. Sua tentativa de restaurar Acheron não é apenas ambição pessoal; representa a possibilidade de uma ordem histórica morta tentar voltar e esmagar todas as sociedades que cresceram sobre suas ruínas. Howard utiliza o sobrenatural para transformar história em ameaça concreta: o passado não serve apenas para explicar o presente, mas pode literalmente reaparecer e contestá-lo.

O papel de Acheron também mostra por que qualquer cronologia excessivamente rígida precisa ser tratada com desconfiança. Howard não construiu primeiro milhares de anos perfeitamente documentados para depois escrever aventuras dentro deles. O movimento foi muitas vezes contrário: uma nova história exigia um passado mais profundo, e o autor acrescentava outra civilização, outro conflito ou outra memória ao mundo. A coerência geral permanece impressionante, mas não deve ser obtida à força apagando os sinais de que o cenário continuava em desenvolvimento.

Conan e as guerras de seu tempo

Quando Conan nasce, os principais reinos do oeste já existem havia séculos e Aquilônia ocupa a posição de maior potência hiboriana. O reino possui força militar, aristocracia estabelecida e ambições expansionistas, mas não controla completamente seus vizinhos nem conseguiu eliminar as sociedades que vivem em suas fronteiras. Nemédia continua poderosa; Koth possui seus próprios interesses; Ophir, Coríntia e outros Estados podem participar de coalizões; Estígia permanece independente ao sul; Turan cresce no leste. A Era Hiboriana de Conan é marcada justamente pela ausência de um único império capaz de impor ordem total sobre o continente.

A primeira grande guerra da vida do personagem acontece antes de ele conhecer a maioria desses reinos. Venarium havia sido construída como parte de uma tentativa aquiloniana de avançar sobre território próximo à Ciméria. Os cimérios reagem e destroem a fortificação, e Conan participa do ataque ainda adolescente. O episódio é importante não apenas porque oferece uma espécie de início militar para sua biografia, mas porque estabelece desde cedo a lógica da expansão aquiloniana. O reino que mais tarde será governado por Conan já era uma potência disposta a empurrar suas fronteiras sobre povos que não reconheciam sua autoridade.

A vida posterior do cimério acompanha inúmeras guerras, mas poucas podem ser tratadas como etapas de uma campanha pessoal. Conan trabalha para diferentes senhores, vende sua espada, lidera mercenários e participa de conflitos cujas causas não começaram com ele. “Black Colossus” mostra um momento decisivo nesse processo. A ameaça representada por Natohk e seu exército coloca o reino de Khoraja em risco, e a princesa Yasmela entrega a Conan uma responsabilidade muito maior que aquelas de um simples soldado. Ele precisa organizar e comandar tropas, escolher posições e enfrentar uma força superior sem poder resolver tudo através do combate individual. A vitória ajuda a estabelecer aquilo que outras histórias desenvolverão depois: Conan não é apenas um guerreiro excepcional, mas alguém capaz de compreender guerra em escala coletiva.

Em “The People of the Black Circle”, sua liderança assume forma diferente. Conan encontra-se entre os Afghulis e ocupa posição de chefe num território montanhoso no qual grandes Estados como Vendhya precisam lidar com comunidades difíceis de submeter diretamente. O conflito mistura política dinástica, sequestro, rivalidade entre povos e poder dos feiticeiros do Círculo Negro. A história demonstra que a autoridade de Conan pode ultrapassar sua origem ciméria porque homens de culturas completamente diferentes aceitam segui-lo quando reconhecem sua capacidade.

Turan oferece, paralelamente, o principal exemplo de expansão imperial durante o período conhecido pelo personagem. Os governantes turanianos aumentam progressivamente sua influência sobre as regiões próximas ao Mar de Vilayet, submetem povos, ampliam rotas militares e transformam o reino numa potência que nenhum vizinho oriental pode ignorar. Conan atravessa esse espaço em diferentes momentos da vida e conhece tanto soldados quanto adversários ligados ao poder turaniano. O crescimento do reino acontece independentemente dele e lembra que a história do mundo não existe apenas como pano de fundo de suas aventuras; grandes transformações continuam avançando em lugares onde o protagonista não está presente.

No oeste, a relação entre Aquilônia e Nemédia torna-se particularmente importante depois que Conan conquista o trono. A guerra civil contra Numedides nunca foi narrada integralmente por Howard, mas “Wolves Beyond the Border” mostra que se tratou de um conflito muito maior que uma simples tomada do palácio. Regiões aquilonianas precisam decidir a quem apoiar, homens da fronteira discutem lealdades e a reputação construída por Conan antes da rebelião ajuda a atrair aliados. O cimério não assume a coroa por descobrir uma linhagem secreta ou receber um direito hereditário; vence uma disputa política e militar contra um rei cuja autoridade havia se tornado insustentável para parte do próprio reino.

A vitória não encerra o conflito em torno de sua legitimidade. “The Phoenix on the Sword” mostra nobres e figuras influentes conspirando contra Conan enquanto a memória de Numedides começa a ser idealizada por seus antigos defensores. O rei morto, antes odiado por muitos, transforma-se em símbolo de uma ordem supostamente perdida. Howard demonstra com bastante clareza que conquistar um reino não significa controlar a maneira como as pessoas lembrarão o governante anterior, e que uma guerra civil pode continuar politicamente muito depois de seu último grande combate.

“The Scarlet Citadel” desloca a ameaça para relações entre Estados. Ophir e Koth participam de uma conspiração destinada a capturar Conan, destruir suas forças e reorganizar a política aquiloniana de maneira favorável a seus adversários. O plano quase funciona porque o rei é atraído para fora de uma posição segura e sofre uma derrota militar severa. Conan consegue escapar, mas a fuga só possui valor porque retorna ao reino e restaura sua capacidade de resistência. A diferença entre o aventureiro e o monarca torna-se visível justamente aqui: antes, sobreviver poderia ser suficiente; agora, sobreviver exige voltar para aqueles cuja segurança depende de sua posição.

The Hour of the Dragon amplia a mesma dinâmica até produzir a maior guerra política envolvendo o personagem. A conspiração reúne interesses nemédios, aristocratas aquilonianos e a força sobrenatural de Xaltotun, permitindo que Conan seja derrubado e substituído por uma autoridade favorável aos conspiradores. O rei passa então boa parte da narrativa como fugitivo, retomando habilidades desenvolvidas quando não possuía exército, palácio ou território. O romance funciona porque a perda da coroa não retira dele aquilo que aprendeu durante décadas de aventuras; ao mesmo tempo, todo esse conhecimento precisa agora ser usado para reconstruir uma ordem política, não apenas para salvar sua própria vida.

A sucessão de guerras mostra uma transformação clara na escala das responsabilidades de Conan. Em Venarium ele é um jovem guerreiro entre cimérios; como mercenário, luta pela causa de quem o contratou; como chefe, passa a responder por grupos que o seguem; como rei, uma derrota pessoal pode significar ocupação de cidades, morte de aliados e mudança de governo. A experiência militar não é apenas um caminho que o leva ao trono, mas aquilo que torna possível continuar ocupando-o depois que inimigos internos e externos descobrem que o novo rei não faz parte das famílias tradicionais.

Ainda assim, Conan não controla o destino histórico de Aquilônia em longo prazo. Howard não escreveu uma sequência mostrando o cimério transformando o reino num império mundial nem atribuiu a ele todas as conquistas descritas em “The Hyborian Age”. Depois da última grande narrativa cronologicamente associada ao seu reinado, existe um enorme espaço temporal no qual sabemos muito pouco. As guerras que transformarão Aquilônia séculos depois pertencem à história do reino, não necessariamente à biografia de Conan.

O auge de Aquilônia e a transformação do poder em império

Séculos depois do período que podemos relacionar com segurança à vida de Conan, Aquilônia continua expandindo-se e alcança uma posição muito maior que aquela observada nos contos. Howard descreve um reino que passa a anexar ou submeter Zingara, Argos, Ophir e cidades de Shem, ao mesmo tempo que impõe diferentes formas de dependência a outras regiões. O Estado que durante a juventude de Conan já empurrava sua fronteira contra os Cimérios transforma-se numa potência imperial cuja influência alcança grande parte do oeste.

A mudança não deve ser atribuída automaticamente ao reinado do personagem. Howard jamais escreveu que Conan conquistou todos esses territórios ou construiu pessoalmente a fase imperial descrita no ensaio histórico. A distância cronológica é suficientemente grande para permitir inúmeras sucessões e transformações políticas. O que importa para a história da Era Hiboriana é que Aquilônia continua crescendo depois do período dos contos até alcançar uma força que começa a reproduzir os mesmos padrões de dominação encontrados em civilizações anteriores.

Nemédia permanece como uma das principais potências capazes de resistir à expansão. Diferentes alianças surgem entre Estados ameaçados pelo poder aquiloniano, incluindo relações com Britúnia, Hiperbórea, Zamora e Koth. O sistema político passa a organizar-se cada vez mais em torno de uma pergunta que dificilmente existia da mesma maneira durante a juventude de Conan: como impedir que Aquilônia transforme superioridade regional em domínio sobre praticamente todo o oeste?

A resposta não chega apenas dos antigos rivais hiborianos. Hircânios avançam novamente a partir do leste e lançam grandes invasões, enquanto Turan e outras estruturas políticas orientais entram em processos de conquista e transformação. A pressão coloca regiões como Zamora entre potências concorrentes e demonstra a fragilidade de qualquer ideia de “libertação” conduzida por um império. Um território pode escapar da ocupação oriental e descobrir que seus salvadores ocidentais pretendem permanecer como novos senhores.

Aquilônia ainda consegue vencer grandes confrontos e preservar sua posição. Sua superioridade militar, contudo, produz um efeito político que Howard trata como profundamente perigoso: quanto mais o império cresce, mais passa a depender de populações periféricas, tributos, recrutamento e estruturas de fronteira que não participam igualmente dos benefícios da expansão. Os reinos derrotados carregam ressentimentos, enquanto os próprios aliados começam a ser tratados como subordinados naturais.

As Marchas Bossonianas tornam-se fundamentais nesse sistema. Os bossonianos desenvolveram durante séculos uma tradição militar adaptada à defesa contra ataques do oeste, funcionando como uma grande barreira entre Aquilônia e os territórios pictos. Sua eficiência permitiu que o centro do reino desfrutasse de segurança que talvez não compreendesse plenamente. Quando a aristocracia imperial passa a exigir cada vez mais impostos e homens dessas comunidades, a relação entre fronteira e centro começa a deteriorar-se.

Ao mesmo tempo, os Pictos passam por uma transformação decisiva. Durante muito tempo, divisões entre clãs e diferenças de organização limitaram a capacidade de formar um poder comparável aos grandes Estados hiborianos. O contato prolongado com Aquilônia, porém, não produz apenas submissão. Técnicas militares, metalurgia, conhecimento de fortificações e experiência adquirida como mercenários ou através de contatos com estrangeiros começam a circular entre os próprios Pictos.

Howard personifica esse processo em Gorm, chefe que entra em contato com o sacerdote nemédio Arus. O sacerdote pretende levar sua religião e aquilo que considera civilização a um povo visto como inferior; Gorm percebe imediatamente que os conhecimentos oferecidos possuem valor político muito maior que a conversão religiosa pretendida. Aprende com aquilo que chega de fora, utiliza as novas possibilidades para ampliar a própria autoridade e transforma gradualmente diferentes comunidades numa força capaz de enfrentar o mesmo mundo civilizado que acreditava estar educando-o.

O episódio não funciona como simples moral de que conhecimento é perigoso. O problema está na arrogância imperial de imaginar que tecnologia e organização só podem fortalecer quem já domina. Aquilônia e seus vizinhos construíram parte da própria superioridade através de técnicas acumuladas durante séculos; quando grupos das fronteiras começam a dominá-las, desaparece uma diferença que os impérios tratavam como permanente.

As tensões internas chegam ao ponto crítico quando conflitos envolvendo Nemédia exigem novamente grande esforço militar das regiões fronteiriças. Comunidades bossonianas, cansadas de exploração e desprezo, deixam de responder com a mesma lealdade ao centro. Outras áreas submetidas por Aquilônia também percebem a fraqueza crescente. Nesse momento, a ofensiva picta encontra não uma muralha política unida, mas um império cuja extensão havia multiplicado os inimigos e desgastado justamente aqueles que melhor sabiam defendê-lo.

A queda de Aquilônia resulta da combinação entre invasão externa e desagregação interna. Pictos atravessam fronteiras, territórios conquistados ou subordinados se rebelam, alianças se desfazem e o Estado que durante décadas ou séculos havia acumulado riqueza perde a capacidade de manter simultaneamente tantas regiões sob controle. Zingara, Coríntia e partes de Shem aproveitam o colapso para recuperar autonomia ou reorganizar seus próprios poderes, enquanto outras áreas simplesmente entram numa nova fase de guerra.

Howard não apresenta essa destruição como prova de que Aquilônia havia se tornado completamente incapaz. Sua cultura e seus exércitos ainda possuíam força real. A vulnerabilidade nasce porque o império havia criado uma estrutura dependente de expansão contínua e de relações cada vez mais desiguais com populações essenciais à própria defesa. O maior reino do oeste é derrotado não por um único inimigo superior, mas por uma situação histórica na qual pressão externa encontra uma ordem interna que já não consegue manter seus componentes unidos.

O mundo depois dos reinos hiborianos

A destruição de Aquilônia não encerra a sequência. Os Pictos ocupam grandes áreas do antigo oeste e formam um poder muito maior que aquele existente durante a vida de Conan. Gorm, cuja ascensão começou através do contato com conhecimentos vindos dos próprios Estados civilizados, torna-se símbolo de uma nova ordem construída sobre territórios antes dominados por seus inimigos. Palácios e cidades mudam de mãos, mas os conquistadores não se transformam imediatamente em cópias perfeitas das sociedades derrotadas. Howard imagina uma adaptação seletiva, na qual estruturas e riquezas podem ser apropriadas sem que toda a cultura anterior seja preservada.

Enquanto isso, os Hircânios aproveitam o enfraquecimento do sistema ocidental para avançar novamente. Regiões que haviam pertencido a Zamora, Coríntia, Koth e outros antigos Estados entram numa nova esfera de influência. Durante algum tempo, a geografia política que conhecemos através dos contos praticamente desaparece, substituída por grandes blocos que reúnem territórios outrora fragmentados entre dezenas de reinos.

Nenhuma dessas novas potências consegue estabilizar o mundo permanentemente. Mudanças climáticas no norte provocam deslocamentos de Aesires e Vanires, empurrando novas populações para o sul. Os Cimérios também entram em movimento, abandonando gradualmente as regiões onde haviam vivido durante a Era Hiboriana e avançando sobre terras anteriormente associadas aos grandes reinos. O mesmo processo que havia transformado antigos Hiborianos em fundadores de civilizações repete-se agora com povos que os sucessores dessas civilizações tratavam como periféricos.

Nemédia cai em meio a essas novas pressões. Povos nórdicos estabelecem-se em territórios anteriormente hiborianos, Cimérios atravessam regiões que pertenciam a Aquilônia e outros Estados, e o poder hircânio também começa a ser deslocado. O antigo mapa deixa de funcionar porque quase todas as identidades políticas que o organizavam perderam suas fronteiras ou desapareceram.

A trajetória posterior dos Cimérios conduz parte deles para o sudeste, onde entram em conflito com o que resta de Turan e de estruturas hircânias. A sequência criada por Howard procura então aproximar progressivamente o mundo fictício de populações conhecidas da Antiguidade, imaginando misturas e migrações que explicariam, dentro de sua fantasia, o aparecimento posterior de determinados povos históricos. É nessa fase que as concepções raciais e antropológicas de “The Hyborian Age” ficam mais evidentes e precisam ser tratadas com maior distância crítica, porque Howard utiliza categorias e teorias de origem hoje completamente superadas para relacionar suas criações a sociedades reais.

O valor literário dessa parte não depende da validade dessas teorias. A intenção estrutural é mostrar que Era Hiboriana também desaparece. Aquilônia não se transforma diretamente em algum país histórico com o mesmo nome, Estígia não continua intacta até os faraós e os povos de Nordheim não atravessam milênios sem mudança. Guerras, cataclismos, migrações e misturas apagam identidades antigas até que apenas ecos permaneçam.

A ideia completa o movimento iniciado com o mundo de Kull. A Era Pré-Cataclísmica parecia constituir uma realidade estável para seus habitantes, mas foi destruída; os Hiborianos surgiram de condições posteriores e fundaram grandes reinos; esses reinos acreditaram ocupar o centro definitivo da civilização e acabaram igualmente substituídos. Howard constrói sua história como sucessão de ordens incapazes de permanecer para sempre.

Conan pertence a um ponto extraordinário dessa sequência porque vive durante o auge de uma das grandes fases. Aquilônia, no momento em que ele assume o trono, já é uma potência impressionante, mas ainda não alcançou o domínio imperial descrito para o futuro. Turan cresce, mas ainda não impôs controle sobre todo o leste. Os Pictos representam uma ameaça séria nas fronteiras, mas ainda não construíram o poder capaz de destruir o oeste hiboriano. Conan governa exatamente antes de mudanças que transformarão completamente o equilíbrio que conhece.

Howard nunca escreveu como ele reagiria a essas transformações porque não estabeleceu que Conan chegaria a vivê-las. Não conhecemos sua morte, não sabemos quem o sucede de maneira definitiva e não existe no corpus original uma narrativa sobre o velho rei observando o começo da queda de Aquilônia. Qualquer continuação dessa história pertence a autores posteriores, por mais importante que tenha se tornado dentro da tradição expandida da franquia.

A ausência de um fim também impede que a cronologia se transforme numa história teleológica construída em torno de Conan. A Era Hiboriana existia antes dele e continuará mudando depois. O cimério é extraordinário porque atravessa diversos níveis daquela sociedade, participa de guerras importantes e chega ao trono do maior reino ocidental, mas não controla a história de milhares de anos em que está inserido.

Esse ponto também ajuda a entender por que Howard nunca precisou oferecer datas exatas para tudo. O interesse principal não estava em calcular quantos anos separavam cada rei, mas em mostrar processos: povos que migram, civilizações que envelhecem, Estados que conquistam seus vizinhos, fronteiras que produzem novos adversários e conhecimentos que mudam de mãos. Uma cronologia rigorosa demais poderia até enfraquecer a sensação de passado remoto que ele buscava.

O mundo de Conan parece antigo porque personagens vivem cercados por ruínas cuja origem às vezes desconhecem, enquanto seus próprios reinos acabarão transformados em ruínas para povos futuros. Acheron era uma civilização quase mítica durante The Hour of the Dragon, embora tivesse dominado terras ocupadas posteriormente por Aquilônia e Nemédia. Séculos depois, Aquilônia sofrerá destino semelhante. Em escala ainda maior, a própria Era Hiboriana desaparecerá antes que a história conhecida comece.

A longa cronologia também modifica a leitura da oposição entre barbarismo e civilização. Howard não descreve dois estados fixos da humanidade, um condenado à inferioridade e outro destinado ao progresso. Povos considerados bárbaros podem conquistar impérios, fundar cidades e transformar-se em sociedades refinadas; descendentes dessas sociedades passam depois a desprezar novos povos periféricos, até que outra mudança histórica reorganiza a relação. A lógica é problemática quando ligada às concepções raciais do autor, mas como mecanismo narrativo ela produz um cenário em que nenhum centro de poder possui permanência garantida.

Aquilônia ilustra essa dinâmica melhor que qualquer outro reino. Seus ancestrais hiborianos participaram da destruição de poderes anteriores, seus reis construíram uma civilização admirada por grande parte do oeste, seus exércitos expandiram fronteiras e seus governantes acabaram transformando superioridade militar em império. A mesma expansão alimentou ressentimentos e enfraqueceu relações com populações fronteiriças, enquanto os Pictos aprendiam técnicas capazes de reduzir a diferença militar que os separava de seus inimigos. Quando a ordem finalmente caiu, não houve necessidade de uma força sobrenatural comparável a Xaltotun. Bastaram guerra, ambição, ressentimento e mudança histórica.

Conan atravessa uma versão concentrada desse processo durante a própria vida. Nasce entre um povo que Aquilônia considera bárbaro, participa da destruição de uma fortificação aquiloniana, passa décadas fora das estruturas formais de poder e finalmente ocupa o trono do mesmo reino. A trajetória não significa que a civilização tenha vencido o bárbaro nem que o bárbaro tenha simplesmente conquistado a civilização. Ela mostra o quanto essas categorias se tornam instáveis quando observadas ao longo do tempo.

O jovem que lutou em Venarium e o rei que governa Tarantia pertencem à mesma pessoa, assim como os Hiborianos que um dia foram migrantes e os aristocratas que séculos depois se consideram naturalmente superiores pertencem à mesma longa história. A diferença está no tempo suficiente para que as origens sejam esquecidas.

É por isso que a cronologia da Era Hiboriana não deve funcionar como uma lista de acontecimentos colocados em sequência. Seu sentido aparece quando observamos como cada fase produz condições para a seguinte. Cataclismos destroem antigos centros e abrem espaço para migrações; migrações formam reinos; reinos acumulam força e transformam-na em expansão; expansão cria inimigos e dependências; povos periféricos aprendem com os centros dominantes e passam a desafiá-los; novas guerras desmontam o sistema e iniciam outra rodada de transformações.

Dentro desse movimento, as aventuras de Conan ganham uma dimensão maior sem perder sua natureza imediata. Quando ele combate num desfiladeiro, foge de uma prisão ou tenta recuperar a coroa, não está pensando em milhares de anos de história. Para ele, cada luta é concreta e urgente. Para o leitor, porém, sabemos que até as maiores vitórias pertencem a um mundo que continuará mudando depois que seus protagonistas desaparecerem.

Howard construiu assim uma cronologia que preserva simultaneamente aventura e distância histórica. Conan pode conquistar Aquilônia e alterar profundamente a política de seu tempo, mas Aquilônia continuará sujeita às mesmas forças que destruíram Acheron e os reinos pré-cataclísmicos. A coroa tem importância real dentro de sua vida, sem jamais se tornar garantia de permanência.

Fontes consultadas

Robert E. Howard — “The Hyborian Age”. Principal fonte para a história de longa duração da Era Hiboriana. O ensaio acompanha o mundo pré-cataclísmico, as grandes destruições geológicas, o destino de Atlantes, Pictos e Lemurianos, o surgimento dos Hiborianos, a formação de Hiperbórea e dos grandes reinos, a ascensão de Turan e as transformações que ocorreriam séculos depois da época de Conan. Também fornece a base para a queda futura de Aquilônia, a expansão picta e hircânia e as migrações posteriores que acabariam apagando os reinos hiborianos. Suas concepções raciais e antropológicas refletem teorias do início do século XX hoje consideradas pseudocientíficas e são utilizadas aqui apenas como parte da construção ficcional de Howard.

Robert E. Howard — The Hour of the Dragon. Fonte central para a história de Acheron, império que amplia a cronologia apresentada em “The Hyborian Age”. O romance estabelece que Acheron havia desaparecido aproximadamente três milênios antes da época de Conan e relaciona sua antiga dominação às regiões posteriormente ocupadas por Aquilônia, Nemédia, Argos, Ophir, Coríntia e partes de Koth. A ressurreição de Xaltotun também permite observar diretamente como uma figura do mundo antigo reage à geografia política do período hiboriano.

Robert E. Howard — The Coming of Conan the Cimmerian. Editado por Patrice Louinet. Utilizado para o período anterior e inicial do reinado de Conan, especialmente “Black Colossus”, “The Phoenix on the Sword” e “The Scarlet Citadel”. Esses textos mostram a passagem do personagem por diferentes escalas de guerra, desde o comando de forças mercenárias até conflitos que envolvem a estabilidade do trono aquiloniano. As notas editoriais de Patrice Louinet ajudam ainda a distinguir ordem de composição, ordem interna provável e alterações feitas em edições posteriores.

Robert E. Howard — The Bloody Crown of Conan. Editado por Patrice Louinet. Reúne textos fundamentais para a fase madura do personagem, sobretudo “The People of the Black Circle”, “A Witch Shall Be Born” e The Hour of the Dragon. As narrativas ampliam a dimensão política das guerras em Vendhya, Khauran, Aquilônia e Nemédia e mostram Conan ocupando posições de liderança muito diferentes ao longo da vida.

Robert E. Howard — The Conquering Sword of Conan. Editado por Patrice Louinet. Fonte importante para “Beyond the Black River” e para os rascunhos de “Wolves Beyond the Border”. O primeiro permite compreender a fronteira aquiloniana contra os Pictos durante a vida de Conan, enquanto o segundo oferece evidências sobre a guerra civil contra Numedides e o apoio recebido pelo cimério em determinadas regiões do reino. O volume também preserva a carta enviada por Howard a P. Schuyler Miller em 1936.

Robert E. Howard — “Beyond the Black River”. Utilizado como principal referência narrativa para a situação da fronteira picta no período de Conan. O conto é particularmente importante porque permite comparar a pressão já existente durante a vida do personagem com a transformação muito posterior dos Pictos em força capaz de destruir a Aquilônia imperial descrita em “The Hyborian Age”.

Robert E. Howard — “Wolves Beyond the Border”. Fragmento relacionado ao período da rebelião de Conan contra Numedides. Embora Conan não apareça diretamente, o texto mostra a guerra civil repercutindo nas regiões da fronteira e confirma que a conquista do trono envolveu adesões políticas e militares mais amplas do que uma simples tomada individual do poder.

P. Schuyler Miller e John D. Clark — “A Probable Outline of Conan’s Career”. Reconstrução cronológica preparada ainda durante a vida de Howard e posteriormente comentada pelo autor. Foi utilizada principalmente para os primeiros anos de Conan, Venarium e a relação aproximada entre determinadas fases de sua carreira. Apesar de seu valor excepcional, continua sendo uma reconstrução feita por Miller e Clark com auxílio de Howard, e não uma biografia integral escrita pelo próprio criador.

Robert E. Howard — carta a P. Schuyler Miller, 10 de março de 1936. Importante para compreender a atitude do autor diante das tentativas de organizar cronologicamente a vida de Conan. Howard reconheceu que o esquema proposto por Miller e Clark estava, em linhas gerais, próximo de sua concepção, mas a correspondência também reforça que o personagem não havia sido criado a partir de uma biografia completa previamente estabelecida.

Patrice Louinet — “Hyborian Genesis: Notes on the Creation of the Conan Stories”. Os estudos editoriais publicados nas edições restauradas são fundamentais para acompanhar a ordem em que Howard escreveu os contos, as alterações entre manuscritos e publicação e o crescimento progressivo da própria Era Hiboriana. Foram particularmente importantes para evitar que elementos desenvolvidos em momentos diferentes fossem tratados como partes de um planejamento cronológico fechado desde o início.

Robert E. Howard — “Notes on Various Peoples of the Hyborian Age” e “Hyborian Names and Countries”. Materiais preparatórios úteis para conferir povos, relações históricas e nomes que Howard nem sempre desenvolveu em histórias completas. Por se tratarem de notas de trabalho, foram utilizados como complemento ao material narrativo e ao ensaio histórico, sem substituir textos concluídos quando existem diferenças ou lacunas.

Mark Finn — Blood & Thunder: The Life & Art of Robert E. Howard. Utilizado como apoio biográfico e crítico para situar “The Hyborian Age” dentro do interesse de Howard por história, fronteira, migração e ciclos de ascensão e queda de civilizações. O estudo ajuda também a contextualizar as concepções raciais e históricas de seu período sem reproduzi-las como interpretações válidas da história real.

Encontrou algum erro ou faltou alguma coisa? Pode nos avisar: contato@infinitasformas.com.br

Sua privacidade importa

Usamos cookies necessários para o funcionamento do site e, com sua autorização, cookies de análise e recursos externos para melhorar sua experiência.

Política de Cookies