Cultura Pop

5 jogos “estilo GTA” que você deve conhecer

Durante mais de duas décadas, Grand Theft Auto se tornou uma referência quase automática para jogos de ação ambientados em grandes mundos urbanos. Basta um título oferecer uma cidade aberta, veículos, perseguições policiais, armas e atividades paralelas para a comparação aparecer, mesmo quando suas intenções são bastante diferentes das da Rockstar.

A expressão “clone de GTA”, muito utilizada principalmente depois do sucesso de GTA III, acabou escondendo algumas dessas diferenças. Os melhores jogos influenciados pela série não foram necessariamente aqueles que tentaram reproduzi-la com maior fidelidade, mas os que escolheram determinados elementos de sua fórmula e encontraram uma identidade própria.

Alguns apostaram em outras cidades e culturas, outros ampliaram a personalização ou introduziram sistemas que GTA nunca explorou profundamente. De Hong Kong à Paris ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, estes cinco jogos mostram caminhos bastante diferentes para trabalhar com a liberdade que tornou Grand Theft Auto tão influente.

1. Sleeping Dogs — GTA encontra o cinema policial de Hong Kong

Sleeping Dogs coloca o jogador no controle de Wei Shen, policial infiltrado que precisa penetrar nas tríades de Hong Kong sem revelar sua verdadeira identidade. A estrutura é imediatamente familiar para quem conhece GTA: existe uma grande cidade aberta, veículos podem ser tomados das ruas, há perseguições, missões criminosas, corridas e atividades espalhadas pelo mapa. A diferença está na personalidade que a United Front Games construiu em torno desses elementos.

Hong Kong oferece mercados, vielas, prédios densamente agrupados e avenidas iluminadas por néon, mas o elemento mais característico está no combate. Wei é muito mais eficiente lutando com as mãos do que utilizando armas, e o sistema de artes marciais permite golpes, contra-ataques e interações violentas com o cenário. O resultado aproxima o jogo dos filmes policiais e de ação produzidos em Hong Kong, em vez de simplesmente transportar a experiência de GTA para outra cidade.

Essa combinação também ajuda Sleeping Dogs a envelhecer melhor do que muitos concorrentes surgidos no mesmo período. Sua cidade é menor que os grandes mapas atuais, mas possui identidade suficiente para que explorar Hong Kong continue sendo parte essencial da experiência. Para quem procura algo próximo da estrutura de GTA sem querer uma imitação direta, provavelmente é o primeiro jogo desta lista a experimentar.

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2. Saints Row 2 — quando a liberdade vale mais que o realismo

O primeiro Saints Row foi recebido em 2006 como um dos concorrentes mais evidentes de GTA. Dois anos depois, entretanto, a Volition começou a encontrar aquilo que tornaria a série própria. Saints Row 2 manteve a cidade aberta, as gangues, os carros e os tiroteios, mas ampliou consideravelmente a personalização e decidiu tratar o absurdo como parte fundamental da experiência.

O protagonista pode ser profundamente modificado, assim como veículos, propriedades e até alguns aspectos da própria gangue. Stilwater também oferece atividades que não possuem qualquer preocupação com plausibilidade, como Insurance Fraud, em que o objetivo é provocar acidentes e sofrer os maiores ferimentos possíveis para receber indenizações, ou Septic Avenger, que transforma um caminhão de esgoto em instrumento de destruição urbana. A campanha inteira ainda pode ser jogada cooperativamente por duas pessoas.

Essa abordagem ganhou ainda mais identidade porque Saints Row 2 chegou no mesmo ano de GTA IV. Enquanto a Rockstar buscava uma Liberty City mais realista e uma narrativa mais melancólica, a Volition seguia na direção contrária, priorizando exagero, criação de personagem e liberdade para fazer coisas absurdas. É justamente essa diferença que faz do jogo mais do que uma curiosidade entre os antigos concorrentes de GTA.

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3. Watch Dogs 2 — quando a própria cidade pode ser hackeada

A Ubisoft também construiu Watch Dogs sobre uma estrutura facilmente comparável a GTA, mas encontrou no hacking uma maneira de modificar a relação do jogador com o mundo aberto. Em Watch Dogs 2, Marcus Holloway integra o coletivo DedSec e enfrenta o ctOS 2.0, sistema que conecta e monitora boa parte da região da Baía de São Francisco.

É possível roubar carros, fugir da polícia, utilizar armas e circular livremente pela cidade, mas Marcus também consegue interferir diretamente na infraestrutura ao seu redor. Veículos podem ser controlados remotamente, celulares hackeados, câmeras acessadas e guindastes ou empilhadeiras transformados em ferramentas. Drones ampliam ainda mais essas possibilidades e permitem resolver algumas situações sem que o protagonista precise sequer entrar no local.

Esse é o ponto em que Watch Dogs 2 encontra sua melhor identidade. GTA costuma permitir que o jogador cause uma cadeia de acontecimentos ao agir fisicamente sobre o mundo; a Ubisoft acrescenta uma camada na qual é possível provocar essas mesmas reações a distância. O resultado é um sandbox em que uma perseguição, distração ou conflito pode começar simplesmente porque o jogador decidiu manipular os sistemas da cidade.

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4. Mafia III — crime, vingança e os Estados Unidos de 1968

Mafia III utiliza vários elementos associados a GTA, mas sua principal preocupação está menos na liberdade para brincar com o mundo e mais na história que pretende contar dentro dele. O protagonista Lincoln Clay é um veterano da Guerra do Vietnã que retorna a New Bordeaux, versão ficcional de Nova Orleans, e inicia uma campanha de vingança depois que sua família adotiva é assassinada pela máfia italiana.

A cidade é construída a partir dos Estados Unidos de 1968, e esse período interfere diretamente na experiência de Lincoln. Racismo, segregação, Guerra do Vietnã, crime organizado e tensões sociais aparecem junto a carros, arquitetura e uma trilha que ajuda a estabelecer a época. O mundo aberto funciona como território a ser gradualmente retirado das mãos da máfia, enquanto o jogador decide como distribuir os negócios conquistados entre seus aliados.

A estrutura acabou sendo uma das maiores fraquezas do jogo, porque muitas atividades necessárias para enfraquecer os distritos se repetem ao longo da campanha. Ainda assim, Mafia III merece ser conhecido por utilizar o modelo do jogo criminal de mundo aberto para construir algo muito mais ligado a um momento histórico específico. Sua melhor qualidade não está em oferecer tantas possibilidades quanto GTA, mas em fazer New Bordeaux parecer inseparável da trajetória de Lincoln.

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5. The Saboteur — um sandbox criminal na Paris ocupada

The Saboteur é provavelmente a interpretação mais incomum desta lista. Desenvolvido pela Pandemic Studios e lançado em 2009, o jogo transporta a lógica do mundo aberto para a França durante a ocupação nazista. Sean Devlin pode dirigir automóveis, escalar prédios, utilizar disfarces, plantar explosivos e circular livremente por Paris enquanto participa das ações da Resistência.

Sua característica mais memorável está na própria aparência da cidade. Regiões fortemente controladas pelos nazistas são apresentadas principalmente em preto e branco, enquanto alguns elementos, especialmente o vermelho, permanecem destacados. Conforme a resistência avança e o jogador enfraquece a presença alemã, as cores retornam ao ambiente. A Pandemic associava esse sistema à disposição da população para resistir, transformando uma mecânica de progressão territorial em parte da identidade visual do jogo.

A Paris de The Saboteur também não pretende ser uma reconstrução exata da cidade. Monumentos reconhecíveis são aproximados e a geografia é comprimida para favorecer deslocamento e ação, numa solução semelhante à maneira como GTA reorganiza cidades reais para transformá-las em espaços jogáveis. O jogo apresenta problemas de furtividade, animação e acabamento, mas sua combinação de sabotagem, escalada e mundo aberto continua suficientemente particular para justificar sua redescoberta.

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A fórmula GTA funciona melhor quando deixa de ser apenas GTA

Esses cinco jogos possuem carros, exploração, criminalidade e estruturas de mundo aberto que tornam a comparação com Grand Theft Auto inevitável, mas é justamente onde eles se afastam da Rockstar que surgem suas características mais interessantes. Sleeping Dogs aposta nas artes marciais e na cultura de Hong Kong; Saints Row 2 transforma personalização e absurdo em prioridades; Watch Dogs 2 permite manipular a própria infraestrutura da cidade; Mafia III utiliza o gênero para reconstruir um momento histórico; The Saboteur leva a lógica do sandbox para uma Paris ocupada e transforma resistência política em parte de sua estética.

A influência de GTA sobre os videogames, portanto, não precisa ser medida apenas pela quantidade de títulos que tentaram copiá-lo. Sua contribuição também está em ter estabelecido uma estrutura suficientemente flexível para que outros estúdios pudessem perguntar o que mais seria possível fazer dentro de um grande espaço aberto.

Os jogos mais interessantes surgiram quando encontraram respostas diferentes das da Rockstar.

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