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Cronologia de Dead Space

A cronologia de Dead Space atravessa milhões de anos antes de chegar a Isaac Clarke e à USG Ishimura. O primeiro jogo apresenta o desastre de Aegis VII como se a humanidade tivesse acabado de encontrar algo desconhecido, mas os títulos posteriores revelam que aquele episódio é apenas uma etapa recente de um ciclo muito mais antigo. Marcadores já haviam destruído outras civilizações, governos humanos tentaram reproduzi-los por séculos e a Unitologia transformou parte dessa história numa religião antes mesmo de Isaac nascer. Quando a Ishimura encontra o Marcador 3A em 2508, portanto, a catástrofe não começa ali: ela retoma experimentos abandonados quase duzentos anos antes e uma ameaça que existe no universo há milhões de anos.

A franquia também distribui essa história por diferentes mídias. Dead Space: Martyr acompanha Michael Altman e a descoberta do Marcador Negro; Dead Space: Catalyst mostra experiências posteriores que ajudam a preparar os programas das Colônias Soberanas; quadrinhos, Extraction e Downfall desenvolvem os acontecimentos imediatamente anteriores ao primeiro jogo; Aftermath e Salvage mostram parte das consequências do desastre; Ignition, Dead Space Mobile e Severed ampliam a crise da Estação Titã; Liberation conduz diretamente a Dead Space 3; e Awakened continua a história depois do final do terceiro jogo. O remake de 2023 não foi concebido como uma continuidade completamente separada. A Motive preservou os principais acontecimentos do original e reintegrou elementos introduzidos posteriormente para tornar a história mais coerente com o restante da franquia. EA

Muito antes da humanidade

A história começa aproximadamente 65 milhões de anos antes dos acontecimentos principais. Um objeto extraterrestre que carrega o Marcador Negro atinge a região que posteriormente seria conhecida como cratera de Chicxulub, na Terra. Dentro da mitologia de Dead Space, esse acontecimento está associado à extinção que eliminou grande parte da vida terrestre daquele período, e o Marcador permanece escondido no planeta durante milhões de anos. Muito antes de qualquer ser humano possuir tecnologia para descobri-lo, o artefato já fazia parte da história biológica da Terra. A cronologia posterior sugere ainda que seu sinal influenciou processos que levariam ao surgimento de formas de vida inteligentes capazes de responder aos padrões emitidos por ele. Dead Space Wiki

A Terra, porém, não é o primeiro mundo a passar pelo ciclo dos Marcadores. Cerca de dois milhões de anos antes de Isaac Clarke, uma civilização alienígena em Tau Volantis encontra um Marcador Negro e começa a reproduzi-lo. Os habitantes daquele planeta seguem essencialmente o mesmo caminho que a humanidade percorreria muito tempo depois: descobrem o potencial energético dos artefatos, fabricam novas cópias e acabam enfrentando surtos necromorfos cada vez maiores. Quando percebem que a Convergência levará à formação de uma Lua Irmã, constroem uma gigantesca Máquina capaz de interromper o processo e congelam Tau Volantis. A medida impede que a entidade complete seu desenvolvimento, mas destrói as condições que sustentavam a própria civilização.

Essa história permanece desconhecida pelos humanos durante milhares de anos. Tau Volantis transforma-se num planeta congelado, as instalações alienígenas desaparecem sob gelo e neve, e a Lua incompleta continua suspensa dentro de um processo que nunca chegou ao fim. A Máquina não destrói o mecanismo dos Marcadores; apenas interrompe uma Convergência específica. Quando os humanos chegam ao sistema no século XXIV, interpretam inicialmente as estruturas encontradas como ruínas de uma civilização desaparecida sem compreender que estão entrando num campo de batalha onde aquela espécie havia conseguido apenas adiar a própria extinção.

O ponto mais importante dessa etapa é que a humanidade nunca foi o alvo exclusivo dos Marcadores. O sistema já funcionava antes de existir qualquer civilização humana capaz de percebê-lo. Inteligência tecnológica, expansão espacial e capacidade de construir Marcadores não protegem uma espécie; são justamente características necessárias para que o ciclo avance. Tau Volantis funciona, por isso, como uma antecipação daquilo que poderá acontecer à Terra. A diferença é que os alienígenas descobriram a verdadeira função dos Marcadores cedo o bastante para interromper uma Convergência, ainda que ao custo de praticamente tudo o que haviam construído.

2214 a 2314: Altman, os primeiros experimentos e Tau Volantis

A humanidade entra conscientemente nessa história em 2214, quando o Marcador Negro é descoberto na região de Chicxulub. Michael Altman participa das pesquisas e percebe rapidamente que o artefato não representa apenas uma fonte extraordinária de energia. Pessoas próximas começam a sofrer alucinações, alterações comportamentais e outros efeitos psicológicos, enquanto acontecimentos envolvendo matéria orgânica revelam um risco muito maior. Altman tenta expor publicamente aquilo que as autoridades procuram manter em segredo, tornando-se uma figura conhecida justamente porque confirma a existência de uma descoberta extraterrestre que poderia alterar completamente a compreensão humana sobre a vida.

Em 2215, Altman é morto. A narrativa que surge depois transforma sua morte na base da Unitologia e altera profundamente aquilo que ele realmente defendia. Em vez do pesquisador que alertava para os perigos do Marcador, a religião passa a apresentá-lo como alguém que teria compreendido a verdadeira mensagem do artefato e sido silenciado por governos incapazes de aceitar essa revelação. Com o passar das décadas, a Igreja cresce até se tornar uma das instituições mais influentes da sociedade humana. A oposição de Altman ao Marcador praticamente desaparece da versão popular de sua história, enquanto seu nome passa a representar justamente a crença que ele provavelmente teria combatido. Dead Space Wiki

A descoberta também inicia outra trajetória, menos pública. Governos e pesquisadores continuam estudando o Marcador Negro porque seu potencial energético oferece uma possível resposta à crescente crise de recursos. Durante a década de 2290, experiências relacionadas a esse conhecimento ajudam a desenvolver a capacidade de reproduzir artificialmente os artefatos. É nesse período que se inserem os acontecimentos de Dead Space: Catalyst, que mostram pesquisas, cobaias e consequências psicológicas do contato com aquilo que acabaria formando a base dos programas posteriores. A conclusão mais perigosa não é que o Marcador deva ser evitado, mas que pode ser copiado.

As Colônias Soberanas conseguem então produzir os Marcadores Vermelhos, réplicas humanas construídas a partir das informações obtidas no estudo do original. Experimentos são distribuídos por locais isolados, entre eles Aspera, Kreemar e Aegis VII, para que eventuais problemas permaneçam distantes dos grandes centros populacionais. Os resultados são desastrosos: surgem novos efeitos psicológicos, mortos começam a ser transformados e diferentes instalações enfrentam surtos necromorfos. Mesmo assim, os pesquisadores conseguem identificar que esses Marcadores artificiais recebem um sinal externo. Em vez de abandonar o projeto, tentam localizar sua origem. Dead Space Wiki

Por volta de 2311, instalações como a Estação Ptolemy são utilizadas para triangular o chamado sinal mestre. A possibilidade de localizar sua fonte parece oferecer uma oportunidade única: talvez seja possível descobrir quem criou os Marcadores, compreender a energia que produzem e finalmente resolver a crise de recursos que alimentava guerras e instabilidade entre os humanos. A investigação aponta para Tau Volantis, e as Colônias Soberanas organizam uma grande expedição militar e científica. Aquilo que os pesquisadores encontram deveria encerrar qualquer esperança de transformar os Marcadores em tecnologia segura, mas a descoberta ocorre num momento em que as próprias Colônias estão atravessando conflitos capazes de ameaçar sua existência.

Em 2314, a expedição em Tau Volantis descobre instalações alienígenas, Necromorfos e evidências de uma civilização que já havia enfrentado os mesmos artefatos. O doutor Earl Serrano percebe gradualmente que a Máquina construída pelos antigos habitantes mantém algo imenso sob controle e começa a entender a relação entre Marcadores e Convergência. Enquanto isso, surtos espalham-se pelas instalações humanas e tornam a missão cada vez mais difícil de sustentar. A prioridade militar muda: impedir que informações sobre os Marcadores e Tau Volantis sejam recuperadas passa a ser mais importante do que salvar a expedição.

Em 18 de junho de 2314, o general Spencer Mahad executa o chamado Cenário Cinco. Documentos são destruídos, comunicações são cortadas, cientistas e soldados são eliminados e minas espaciais são deixadas ao redor do sistema para impedir aproximações posteriores. Tim Kaufman, personagem controlado no prólogo de Dead Space 3, consegue recuperar o Codex necessário para operar a Máquina, mas é morto por Mahad antes que a informação possa sair do planeta. O próprio general destrói dados restantes e tira a própria vida. O objetivo não é derrotar os Necromorfos, mas garantir que o conhecimento acumulado em Tau Volantis não volte à humanidade. Dead Space Wiki

O Cenário Cinco consegue esconder Tau Volantis durante aproximadamente dois séculos, mas não elimina os outros Marcadores. A crise política das Colônias Soberanas termina com sua estrutura de poder desaparecendo e o Governo da Terra — normalmente chamado de EarthGov — tornando-se a principal autoridade humana nas décadas posteriores. Instalações antigas ficam abandonadas, arquivos são classificados ou perdidos e projetos como o de Aegis VII desaparecem da memória pública. Para quase toda a humanidade, os Marcadores passam a existir principalmente através da Unitologia. O conhecimento de que governos haviam fabricado cópias e enfrentado surtos necromorfos permanece enterrado.

Do desenvolvimento da ruptura planetária à Ishimura

Enquanto o perigo dos Marcadores permanece escondido, a crise de recursos continua. A humanidade espalha colônias pelo espaço e desenvolve tecnologias capazes de extrair matéria de planetas e luas em uma escala gigantesca. A ruptura planetária torna-se uma das principais soluções econômicas para um sistema que depende constantemente de novos minerais e materiais industriais. Em vez de explorar apenas minas tradicionais, enormes fragmentos de um corpo celeste podem ser arrancados por sistemas gravitacionais e processados por naves especializadas.

Em 2446, entra em serviço a USG Ishimura, primeira nave da classe Planet Cracker e uma das grandes realizações da Concordance Extraction Corporation. A nave possui mais de um quilômetro de comprimento, abriga mais de mil tripulantes e torna-se símbolo de uma tecnologia capaz de desmontar planetas para manter a civilização funcionando. A própria Motive mantém 2446 como ano de comissionamento da Ishimura na versão atualizada da Lore. EA O contraste é central para a série: a humanidade desenvolveu tecnologia suficiente para consumir mundos inteiros sem recuperar o conhecimento necessário para reconhecer a ameaça que havia escondido em um deles.

Isaac Clarke nasce em 2461, décadas depois do início da carreira da Ishimura. Ele cresce num mundo em que a Unitologia já é uma religião estabelecida, o Governo da Terra controla grande parte dos sistemas humanos e empresas como a CEC possuem enorme influência econômica. Sua própria família é afetada pela Igreja quando sua mãe, Octavia, se torna unitologista e compromete grande parte dos recursos familiares com a instituição. Isaac escolhe a engenharia, seguindo parcialmente a influência profissional do pai e desenvolvendo exatamente o conjunto de habilidades que mais tarde permitirá que sobreviva a situações para as quais nunca recebeu treinamento militar.

Em 2497, o chamado desastre de Wanat demonstra que a mineração planetária também possui riscos completamente humanos. Falhas em sistemas gravitacionais destroem navios, uma nave de ruptura e uma colônia da CEC. O episódio não possui relação direta com os Marcadores, mas faz parte de um mundo em que enormes populações e estruturas econômicas dependem de operações industriais executadas em escala planetária. Nem todos os desastres de Dead Space começam com Necromorfos; a sociedade já vive num sistema capaz de produzir catástrofes por conta própria.

Em 2505, a CEC entra ilegalmente no conjunto de sistemas que inclui Aegis VII e descobre depósitos minerais extremamente valiosos. A região estava sob restrição por razões que a corporação não conhece completamente, e os documentos sobre os antigos experimentos das Colônias Soberanas haviam sido enterrados. Nos anos seguintes, uma colônia é preparada para uma futura ruptura planetária. Em 2507, a exploração já avançou suficientemente para que a operação da Ishimura seja planejada.

2508: Aegis VII e a queda da Ishimura

Em 2508, aproximadamente cinco semanas antes da chegada de Isaac, trabalhadores de Aegis VII redescobrem o Marcador 3A. A informação alcança rapidamente tanto a administração da CEC quanto integrantes importantes da Unitologia, que enxergam no artefato uma descoberta religiosa extraordinária. Ao mesmo tempo, trabalhadores começam a sofrer insônia, alucinações e comportamentos violentos. O que os colonos acreditam ser um objeto encontrado durante escavações é, na realidade, uma réplica construída por humanos quase duzentos anos antes e enterrada justamente porque os experimentos haviam terminado em desastre. Dead Space Wiki

Nas semanas seguintes, a situação deteriora-se rapidamente. O Marcador é retirado de seu pedestal, casos de demência aumentam e dezenas de unitologistas cometem suicídio coletivo. Corpos disponíveis e o sinal ativo criam as condições para o surgimento dos Necromorfos. A colônia começa a entrar em colapso enquanto parte da administração continua tentando manter a operação funcionando. Histórias contadas nos quadrinhos de Dead Space e posteriormente em Extraction acompanham esse estágio e mostram que o surto já estava muito avançado quando a Ishimura chega.

A nave recebe o Marcador e começa a preparar a ruptura planetária. A situação em órbita logo repete aquilo que aconteceu na superfície: tripulantes sofrem efeitos psicológicos, mortos começam a ser transformados e Necromorfos se espalham pelos diferentes setores. O capitão Benjamin Mathius, unitologista de alta posição, insiste na importância do artefato enquanto médicos e pesquisadores tentam compreender fenômenos para os quais não possuem preparação. Dead Space: Downfall acompanha essa fase a partir da equipe de segurança e mostra a deterioração interna da nave antes da chegada de Isaac.

Dead Space: Extraction ocorre em paralelo a parte desses acontecimentos. Gabe Weller, Lexine Murdoch, Nathan McNeill e outros sobreviventes escapam da colônia e acabam entrando numa Ishimura que também já está sendo tomada. A trajetória deles cruza espaços conhecidos do primeiro jogo, mas acontece antes da chegada da USG Kellion. Lexine demonstra uma resistência incomum aos efeitos do sinal e consegue escapar com Gabe, estabelecendo uma linha narrativa que reaparecerá anos depois durante a crise da Estação Titã.

Quando Dead Space começa, a Ishimura praticamente deixou de funcionar como comunidade organizada. A Kellion chega para investigar a perda de comunicação e transporta Isaac Clarke, Kendra Daniels, Zach Hammond e outros tripulantes. Isaac acredita que poderá encontrar Nicole Brennan, médica da Ishimura e sua companheira, sem saber que ela morreu durante o surto. O Marcador utiliza sua memória para fazê-lo perceber Elizabeth Cross como Nicole, conduzindo-o progressivamente para devolver o artefato ao pedestal de Aegis VII. O remake de 2023 preserva essa sequência central, mas utiliza elementos estabelecidos nos títulos posteriores para explicar melhor a manipulação e a relação entre Isaac, Cross e os códigos do Marcador. EA

A missão termina com quase todos os envolvidos mortos. Isaac descobre a verdade sobre Nicole, enfrenta a Mente Coletiva e consegue escapar antes que a enorme massa de rocha suspensa pela operação de ruptura caia sobre Aegis VII. A destruição do Marcador 3A não encerra, porém, sua influência. Os padrões necessários para construir novas cópias foram gravados no cérebro de Isaac, transformando o único sobrevivente da Kellion numa fonte de informação extremamente valiosa.

Nas semanas posteriores, EarthGov volta ao sistema para investigar o desastre. Dead Space: Aftermath acompanha a tripulação da USG O’Bannon, enviada para Aegis VII e posteriormente capturada pelas autoridades. Entre seus sobreviventes está Nolan Stross, outro homem cuja mente foi profundamente afetada pelo contato com o Marcador. Dead Space: Salvage acompanha os Magpies, saqueadores que encontram a Ishimura abandonada e tentam recuperar aquilo que ainda possui valor. A nave acaba novamente nas mãos do governo e é posteriormente levada para a região de Titã, mantendo um dos principais locais da primeira tragédia dentro da história que levará ao segundo jogo.

2511: a Estação Titã e uma nova Convergência

Durante os três anos seguintes, Isaac permanece sob controle do Governo da Terra. Em vez de apenas tratá-lo como sobrevivente, as autoridades utilizam as informações implantadas em sua mente para desenvolver novos Marcadores. Nolan Stross passa por experimentos semelhantes. O governo acredita que conseguirá finalmente dominar a tecnologia e utilizar a energia dos artefatos, repetindo essencialmente o mesmo raciocínio que havia levado as Colônias Soberanas ao desastre quase dois séculos antes.

Em 2511, a Estação Titã, conhecida como Sprawl, torna-se palco do próximo grande surto. Dead Space Mobile acompanha Vandal, agente manipulado por integrantes da Unitologia para abrir setores relacionados ao projeto secreto do governo. A personagem acredita inicialmente estar sabotando atividades opressivas de EarthGov, sem saber que suas ações facilitam a libertação da infestação. Quando percebe a verdadeira finalidade da missão, o processo já avançou demais.

Dead Space: Ignition ocorre imediatamente antes e durante o início da mesma crise. Franco Delille tenta escapar enquanto sistemas da estação falham e Necromorfos começam a aparecer. Sua trajetória termina diretamente no começo de Dead Space 2: Franco liberta Isaac da estase antes de ser morto, deixando o engenheiro sozinho no meio de um novo surto. O segundo jogo começa praticamente no instante em que essa conexão é concluída.

Isaac descobre então que o novo Marcador foi construído a partir de informações retiradas de sua própria mente. Nolan Stross conhece parte do processo, mas sua saúde mental deteriorou-se a ponto de torná-lo perigoso. Ellie Langford surge como uma das poucas pessoas capazes de atravessar o desastre mantendo algum controle sobre a situação e estabelece com Isaac uma relação que continuará nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, a Unitologia tenta capturá-lo porque os códigos que carrega poderiam permitir a construção de mais Marcadores.

A crise alcança a Convergência antes que Isaac consiga chegar ao artefato. Ele atravessa o Sprawl, retorna à própria Ishimura quando ela é utilizada pelas autoridades e finalmente destrói o Marcador do Site 12. A Estação Titã é destruída, mas Isaac e Ellie escapam. Dead Space 2: Severed mostra outra parte do mesmo desastre através de Gabe Weller e Lexine Murdoch. Gabe morre garantindo a fuga de Lexine, que estava grávida e continuava sendo procurada por causa de sua resistência incomum aos efeitos do sinal.

O fim de Titã não encerra a guerra. Pelo contrário, a revelação de que EarthGov estava construindo Marcadores alimenta uma radicalização crescente dentro da Unitologia. O Círculo, liderado por Jacob Danik, transforma a fé numa insurgência armada que pretende destruir o governo e libertar os artefatos. Para Danik e seus seguidores, impedir a Convergência significa impedir o destino natural da humanidade. A disputa entre Estado e religião passa, assim, de conflito secreto a guerra aberta.

2514: Tau Volantis e o despertar das Luas Irmãs

Em 2514, acontecimentos apresentados em Dead Space: Liberation colocam John Carver diretamente no centro desse conflito. O Círculo ataca Uxor, onde informações relacionadas aos Marcadores estavam sendo estudadas, e Carver perde a esposa Damara e o filho Dylan. Antes de morrer, Damara deixa dados que ajudam a recuperar pistas sobre as antigas pesquisas das Colônias Soberanas. Carver aproxima-se de Ellie Langford e Robert Norton, que procuram uma forma de encontrar a origem do sinal dos Marcadores.

Isaac, enquanto isso, tentou abandonar aquela vida. Depois de manter um relacionamento com Ellie, afasta-se progressivamente da busca pelos Marcadores e permanece na colônia lunar New Horizons. Norton e Carver o procuram porque Ellie desapareceu durante uma expedição. O Círculo ataca pouco depois, e Isaac acaba novamente envolvido numa crise que acreditava ter deixado para trás.

A investigação leva o grupo até antigos equipamentos das Colônias Soberanas e, finalmente, a Tau Volantis. Em órbita, eles encontram uma frota abandonada desde 2314 e descobrem registros que reconectam a crise atual com a expedição perdida duzentos anos antes. Isaac, Carver, Ellie, Norton, Jennifer Santos e Austin Buckell passam por instalações onde soldados e cientistas morreram durante o Cenário Cinco. Aos poucos, compreendem que os antigos pesquisadores não estavam tentando criar os Marcadores encontrados ali, mas localizar e interromper o sinal que os controlava.

Na superfície, Isaac descobre a verdade sobre a civilização alienígena e a Lua Irmã congelada. A Máquina não era uma ferramenta destinada a ampliar os Marcadores, mas justamente a impedir que aquela Convergência fosse concluída. O problema é que Jacob Danik interpreta a estrutura de acordo com a Unitologia. Para ele, interromper a Máquina permitirá que o processo sagrado continue. Quando consegue utilizar o Codex para desligá-la, a Lua começa a despertar e Tau Volantis volta a caminhar para o estágio interrompido milhões de anos antes. Shapes, Inc

Isaac e Carver conseguem reativar a Máquina e utilizá-la contra a entidade. A Lua incompleta é destruída ao colidir com Tau Volantis, e os dois parecem morrer junto com ela. Ellie consegue escapar e retorna acreditando que eles se sacrificaram para encerrar o ciclo. O final do jogo-base sugere uma vitória de escala extraordinária: pela primeira vez, alguém conseguiu destruir diretamente uma entidade que representa a etapa final da Convergência.

Dead Space 3: Awakened elimina rapidamente essa sensação de encerramento. Isaac e Carver sobreviveram à queda e acordam em Tau Volantis cercados por novas manifestações e sobreviventes unitologistas. Eles percebem que a Lua destruída era apenas uma entre várias. As Luas Irmãs formam uma rede muito maior e agora sabem onde a humanidade está. O sinal continua atuando sobre os dois, tornando cada vez mais difícil distinguir acontecimentos físicos de alucinações.

A dupla consegue deixar Tau Volantis e retornar em direção à Terra. O último momento conhecido da cronologia clássica ocorre quando chegam ao Sistema Solar e tentam estabelecer contato. Em vez de encontrar segurança, descobrem que as Luas Irmãs já alcançaram a região da Terra. A comunicação termina enquanto entidades gigantescas aparecem diante deles. Awakened encerra a história nesse ponto, sem mostrar definitivamente a morte de Isaac, Carver, Ellie ou da humanidade.

Isso significa que 2514 é o último ano confirmado da cronologia narrativa principal até o momento. A franquia nunca continuou oficialmente o ataque das Luas Irmãs depois de Awakened. O remake de 2023 retorna aos acontecimentos de 2508 e reorganiza a primeira história à luz do conhecimento desenvolvido posteriormente, mas não substitui os eventos de Dead Space 2, Dead Space 3 ou seus complementos por uma nova conclusão. A Motive afirmou explicitamente que procurou reinserir no remake elementos da Lore construída pelos jogos posteriores, quadrinhos e outras obras. EA

Linha do tempo resumida

Cerca de 65 milhões de anos antes da série — O Marcador Negro chega à Terra: o artefato associado a Chicxulub permanece escondido durante milhões de anos.

Cerca de 2 milhões de anos antes — Tau Volantis: uma civilização alienígena encontra Marcadores, enfrenta uma Convergência e congela o planeta para impedir a formação completa de uma Lua Irmã.

2214 — Descoberta do Marcador Negro: Michael Altman participa dos estudos realizados na região de Chicxulub e tenta revelar ao mundo aquilo que está acontecendo.

2215 — Morte de Michael Altman: sua história é apropriada e reinterpretada, criando as bases da futura Unitologia.

Década de 2290 — Experimentos humanos com Marcadores: pesquisas associadas às Colônias Soberanas avançam até a fabricação dos Marcadores Vermelhos. Dead Space: Catalyst ocorre nesse período.

Início do século XXIV — Marcadores Vermelhos são distribuídos: instalações em lugares como Aegis VII recebem cópias para experimentação, e surtos necromorfos começam a ocorrer.

2311–2314 — Busca pelo sinal mestre: pesquisadores utilizam os Marcadores para localizar a origem da transmissão e chegam a Tau Volantis.

18 de junho de 2314 — Cenário Cinco: Spencer Mahad elimina pessoal, destrói informações e isola Tau Volantis para impedir que o conhecimento sobre os Marcadores retorne às Colônias Soberanas.

2446 — USG Ishimura entra em serviço: a primeira grande nave de ruptura planetária inicia uma carreira que durará mais de seis décadas.

2461 — Nascimento de Isaac Clarke.

2497 — Desastre de Wanat: uma grande falha relacionada à tecnologia de ruptura demonstra os riscos das operações da CEC.

2505–2507 — Colonização de Aegis VII: a CEC entra ilegalmente no sistema, identifica seus recursos e prepara a futura ruptura planetária.

2508 — Redescoberta do Marcador 3A: os colonos encontram a antiga réplica criada pelas Colônias Soberanas, e seus efeitos começam a destruir a comunidade.

2508 — Dead Space: Extraction, quadrinhos e Downfall: os primeiros surtos consomem Aegis VII e depois a Ishimura.

2508 — Dead Space / Dead Space Remake: Isaac chega com a Kellion, descobre a morte de Nicole, enfrenta o surto e escapa de Aegis VII.

Semanas depois — Aftermath e Salvage: novas expedições chegam à região, sobreviventes são capturados e a Ishimura acaba recuperada pelo Governo da Terra.

2511 — Dead Space Mobile e Ignition: operações unitologistas ajudam a liberar a infestação na Estação Titã.

2511 — Dead Space 2: Isaac desperta no Sprawl, descobre que seu cérebro foi utilizado na construção de outro Marcador e destrói o artefato do Site 12.

2511 — Dead Space 2: Severed: Gabe Weller morre garantindo a fuga de Lexine Murdoch durante o mesmo surto.

2511–2514 — Insurgência unitologista: o Círculo de Jacob Danik transforma o conflito com EarthGov numa guerra aberta.

2514 — Dead Space: Liberation: John Carver perde a família e entra na investigação que levará novamente a Tau Volantis.

2514 — Dead Space 3: Isaac, Ellie, Carver e seus aliados encontram a antiga expedição das Colônias Soberanas, descobrem a verdade sobre a Convergência e enfrentam a Lua Irmã de Tau Volantis.

2514 — Dead Space 3: Awakened: Isaac e Carver sobrevivem, deixam Tau Volantis e descobrem que outras Luas Irmãs alcançaram a Terra.

Depois de 2514 — Destino desconhecido: a continuidade clássica não revelou o que aconteceu com Isaac, Carver, Ellie ou a humanidade após a chegada das Luas Irmãs.

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