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Felipe Castilho construiu parte de sua trajetória literária fazendo uma escolha que ainda não era tão frequente na fantasia brasileira quando começou a publicar romances: colocar folclore, cidades, paisagens e referências culturais do Brasil no centro da ficção especulativa sem tratá-los como curiosidades destinadas a explicar o país para alguém de fora. Sacis, caiporas, iaras, lobisomens e outras figuras tradicionais podem dividir espaço com videogames, corporações, tecnologia, horror e estruturas conhecidas da fantasia contemporânea, porque sua obra geralmente parte da ideia de que esses repertórios não precisam existir em universos separados.

Essa característica aparece desde O Legado Folclórico, série iniciada em 2012, mas não define sozinha sua produção. Castilho escreveu fantasia épica em Ordem Vermelha, aproximou folclore e horror em Serpentário, trabalhou com histórias em quadrinhos, séries, animações e narrativas para videogames e participou de projetos ligados a editoras e empresas como Intrínseca, DC Comics, Warner, Riot Games e Garena. Em 2024, integrou a equipe brasileira da antologia internacional Coringa: O Mundo, publicada pela DC, ao lado do desenhista Tainan Rocha e da colorista Mariane Gusmão.

Essa circulação entre diferentes mídias ajuda a compreender um aspecto recorrente de sua escrita. Castilho cresceu consumindo literatura, quadrinhos, videogames e cultura pop e nunca organizou esses interesses como se pertencessem a hierarquias separadas. Quando utiliza a mitologia brasileira em uma aventura infantojuvenil ou coloca um vilão da DC diante de um episódio da história nacional, o fantástico aparece ligado a um ambiente cultural reconhecível, sem que o resultado precise abandonar as convenções dos gêneros com que trabalha.

 

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Da Zona Leste às primeiras histórias

Felipe Castilho nasceu em 1985 e cresceu na Zona Leste de São Paulo. Segundo sua biografia oficial, desde criança frequentava bibliotecas escolares e de bairro e, por volta dos oito anos, já escrevia e desenhava as próprias histórias em quadrinhos. O contato com os livros foi acompanhado desde cedo por uma relação igualmente forte com HQs, jogos e outras formas de narrativa que mais tarde se misturariam em sua produção profissional.

Aos dezesseis anos, a republicação de O Senhor dos Anéis no Brasil teve importância especial em sua decisão de tentar escrever um livro. Castilho já relatou que, naquele período, ainda não possuía domínio de estrutura narrativa e começou a procurar cursos e oficinas de escrita. Aos vinte anos passou a publicar ficção curta em coletâneas, depois de já ter trabalhado em uma livraria e se aproximado de diferentes etapas do mercado editorial. Em sua trajetória profissional, também passaria por atividades como edição e tradução.

O início da carreira literária envolveu ainda a descoberta de uma voz própria. Em entrevista concedida durante o lançamento de Serpentário, Castilho contou que seus primeiros projetos tentavam imitar uma fantasia mais solene e sombria do que aquela que escrevia naturalmente. Depois de receber a sugestão de experimentar uma obra infantojuvenil, abandonou um desses manuscritos e escreveu Ouro, Fogo & Megabytes, texto mais bem-humorado e próximo dos interesses que realmente queria combinar. O romance acabaria se tornando seu primeiro livro solo publicado.

O Legado Folclórico

Publicado pela Gutenberg em 2012, Ouro, Fogo & Megabytes abriu a série O Legado Folclórico e estabeleceu várias características que continuariam associadas ao autor. O protagonista Anderson Coelho é um garoto de doze anos que possui grande habilidade em um RPG on-line e acaba envolvido numa aventura em que criaturas e forças ligadas ao folclore brasileiro existem fora do espaço virtual. O contraste entre videogames e tradição popular permite que o personagem descubra esse imaginário ao mesmo tempo que parte do público jovem ao qual a série inicialmente se dirigia.

A sequência veio com Prata, Terra & Lua Cheia, publicada em 2013, e Ferro, Água & Escuridão, de 2015. O segundo volume amplia a geografia fantástica ao apresentar a ilha flutuante de Anistia e trabalhar figuras como Caipora e Iara, enquanto o conjunto da série utiliza diferentes regiões, histórias e personagens tradicionais sem reduzir o folclore a uma sucessão de participações reconhecíveis.

O Legado Folclórico

Castilho procurou também aproximar a pesquisa da maneira pela qual essas histórias tradicionalmente circulam. Ao falar posteriormente sobre a presença do folclore em sua obra, explicou que procurava visitar lugares utilizados nas narrativas e conversar com moradores, ouvindo versões locais de lendas em vez de depender exclusivamente de textos encontrados na internet. Essa preocupação é importante porque o folclore não possui uma versão única e definitiva: histórias mudam de cidade para cidade e de narrador para narrador, e justamente essa instabilidade pode fornecer material para novas ficções.

A série ajudou ainda a aproximar Castilho de escolas, bibliotecas e eventos literários. Seu site registra participações em encontros como Bienais do Livro de São Paulo e do Rio de Janeiro, Flipelô e Feira do Livro de Porto Alegre, além de atividades voltadas a estudantes. O próprio Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo já o apresentou em sua programação destacando a combinação entre fantasia brasileira, quadrinhos e O Legado Folclórico.

Folclore sem transformar o Brasil em decoração

A presença de mitos brasileiros na obra de Castilho não funciona apenas como troca de criaturas. Substituir um elfo por um saci ou um dragão por um boitatá não seria suficiente para produzir uma fantasia realmente interessada na cultura brasileira. Em seus livros, lugares, conflitos sociais, modos de falar e maneiras diferentes de interpretar as próprias lendas participam da construção do fantástico.

Em entrevistas, o autor já apontou uma contradição importante do consumo cultural brasileiro: leitores e espectadores conhecem com facilidade mitologias provenientes da Europa, dos Estados Unidos e do Japão, enquanto frequentemente possuem contato muito menor com histórias originadas no próprio país. Para ele, utilizar esse repertório não significa rejeitar influências estrangeiras, mas ampliar aquilo que pode servir como matéria-prima para a ficção brasileira.

Essa abordagem também evita tratar o folclore como algo preso ao passado rural. Em O Legado Folclórico, criaturas tradicionais encontram videogames, grandes cidades e corporações; em Serpentário, lendas do litoral paulista convivem com ciência, memória e horror psicológico. O sobrenatural continua brasileiro sem precisar permanecer numa reprodução estática de um Brasil antigo.

Quadrinhos desde antes dos romances

Embora os romances tenham ampliado seu público, os quadrinhos fazem parte da formação de Castilho desde a infância e se transformaram em uma área contínua de sua carreira. Entre seus trabalhos estão Imagine Zumbis na Copa, com Tainan Rocha; Savana de Pedra; Desafiadores do Destino: Disputa por Controle; uma adaptação de O Horror de Dunwich, de H. P. Lovecraft; Templo das Sombras; Guarás: A Outra Margem e outros projetos independentes.

Savana de Pedra, realizado com Tainan Rocha e Wagner Willian, tornou-se especialmente importante. O quadrinho chegou à seleção do Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos e também apareceu entre os trabalhos reconhecidos pelo Troféu HQ Mix. A obra ajudou a estabelecer Castilho não apenas como romancista que eventualmente escrevia HQs, mas como roteirista capaz de trabalhar a narrativa gráfica como outra parte de sua produção.

Essa experiência posteriormente se expandiria para projetos maiores. Em 2024, Castilho integrou a equipe brasileira de Joker: The World, publicada no Brasil como Coringa: O Mundo, antologia em que equipes de diferentes países criaram histórias envolvendo o personagem da DC Comics. A edição brasileira credita Felipe Castilho, Tainan Rocha e Mariane Gusmão entre seus autores, enquanto a própria DC apresentou o projeto como uma antologia construída por equipes de treze países.

Na história brasileira, a equipe utilizou o Coringa para dialogar com o Hospital Colônia de Barbacena, episódio histórico relacionado à violência institucional contra pessoas internadas. A própria DC explicou posteriormente que o segmento aborda esse capítulo da história brasileira, o que mostra uma continuidade com outros trabalhos de Castilho: mesmo ao escrever dentro de uma propriedade internacional, a narrativa procura relacionar o fantástico ou o super-heroico a uma realidade brasileira concreta.

Ordem Vermelha

Em 2017, Felipe Castilho publicou Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, pela Intrínseca, a partir de um universo desenvolvido em parceria com a CCXP. A obra apresenta Untherak, uma sociedade governada pela deusa Una e marcada por controle, opressão e uma estrutura social que parece impossível de desafiar. Um grupo de personagens progressivamente se aproxima da resistência e passa a questionar aquilo que sempre foi apresentado como a única ordem possível.

O projeto nasceu de uma dinâmica diferente daquela de O Legado Folclórico. Parte dos elementos visuais e conceituais já havia sido desenvolvida por Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa quando Castilho assumiu a tarefa de transformar esse material em narrativa e construir relações entre personagens, lugares e conflitos. A Intrínseca apresentou o romance como seu primeiro projeto de fantasia nacional realizado em parceria com a CCXP, e o título apareceria repetidamente nas listas de mais vendidos durante 2018, segundo a biografia oficial do autor.

A fantasia épica de Ordem Vermelha utiliza uma ambientação muito diferente do Brasil contemporâneo de O Legado Folclórico, mas preserva o interesse de Castilho por estruturas sociais e relações de poder. A luta dos personagens não se resume a derrotar uma criatura poderosa; envolve questionar uma sociedade em que hierarquia, violência e religião ajudam a manter uma população submetida. A própria divulgação da Intrínseca descreveu o livro como uma história sobre resistir à opressão, confrontar o status quo e construir o próprio destino.

A história foi concluída em Ordem Vermelha: Crianças do Silêncio, lançado em dezembro de 2023. O segundo volume retoma os personagens e amplia a escala do universo, encerrando a duologia seis anos depois da publicação de Filhos da Degradação.

Os dois livros de Ordem Vermelha.

Fantasia e política

A dimensão política presente em Ordem Vermelha não surgiu por acidente. Castilho já afirmou que a opinião de um escritor não desaparece quando começa a produzir ficção, sobretudo quando a história trabalha explicitamente com uma sociedade oprimida. Isso não significa reduzir personagens a porta-vozes de posições prontas, mas reconhecer que escolhas sobre autoridade, desigualdade, resistência e violência inevitavelmente carregam uma visão sobre o mundo.

Essa postura se aproxima de algo perceptível em outras obras do autor. Elementos fantásticos frequentemente permitem discutir questões que não pertencem apenas ao universo inventado: concentração de poder, preconceito, exploração econômica, apagamento cultural e relações desiguais entre grupos. Até mesmo quando a trama funciona prioritariamente como aventura, essas estruturas aparecem integradas às condições em que os personagens vivem.

O resultado também o coloca dentro de uma geração de escritores brasileiros de fantasia que passou a questionar com mais frequência a dependência de modelos importados. Castilho utiliza ferramentas reconhecíveis da fantasia épica, da ficção científica e do horror, mas procura reorganizá-las a partir de contextos e referências que não precisam simular uma Europa medieval para funcionar.

Serpentário

Depois da fantasia épica de Ordem Vermelha, Castilho publicou Serpentário, em 2019, pela Intrínseca. O romance acompanha um grupo de amigos marcado por uma experiência ocorrida na virada de 1999 para 2000, quando uma aventura numa ilha do litoral paulista terminou de maneira traumática. Anos depois, os personagens precisam retornar às lembranças daquele episódio e descobrir o que realmente aconteceu entre serpentes, lendas, culpa e memórias pouco confiáveis.

A obra permitiu ao autor aproximar-se de maneira mais direta do horror psicológico, embora elementos sombrios já estivessem presentes em seus trabalhos anteriores. Em entrevista, Castilho explicou que os livros infantojuvenis de O Legado Folclórico continham passagens macabras, mas a faixa etária impunha limites diferentes; Serpentário permitiu explorar o horror de maneira mais intensa sem abandonar fantasia e folclore.

O repertório folclórico também mudou de função. Em vez de apresentar várias criaturas a um protagonista que as descobre, o romance trabalha principalmente com tradições relacionadas a serpentes, histórias do litoral paulista e diferentes interpretações simbólicas do animal. Castilho pesquisou ilhas da região e incorporou inclusive a confusão existente entre lugares conhecidos popularmente como “Ilha das Cobras”, utilizando a instabilidade das narrativas locais como parte da própria ficção.

Serpentário foi finalista do Prêmio Jabuti de 2020 na categoria Romance de Entretenimento, representando a segunda presença do autor entre obras selecionadas pelo prêmio depois de Savana de Pedra. A indicação também demonstrou a amplitude adquirida por sua produção, já que um reconhecimento anterior havia ocorrido nos quadrinhos e o seguinte veio através de um romance de horror e fantasia.

Ciência dentro do fantástico

Outro aspecto interessante de Serpentário é a presença da ciência dentro de uma narrativa construída a partir do sobrenatural. A Ilha da Queimada Grande e as características peculiares de suas serpentes forneceram parte da inspiração inicial, enquanto debates sobre pesquisa científica e abandono de instituições brasileiras penetraram na escrita do romance.

Castilho contou que o período de produção coincidiu com discussões públicas que diminuíam a importância da ciência e com o incêndio do Museu Nacional, em 2018. Mesmo sem formação acadêmica nas ciências naturais, considerava a pesquisa necessária para não utilizar os elementos científicos apenas como decoração. Essa convivência entre explicação científica, folclore e incerteza sobrenatural dá a Serpentário uma posição diferente de uma história que exigisse escolher entre uma interpretação racional e outra fantástica.

A combinação também aparece em outros trabalhos. Ficção científica e fantasia não são compartimentos fechados em sua bibliografia, e Castilho costuma permitir que tecnologias, mitologias e medos contemporâneos apareçam na mesma narrativa. A própria Intrínseca descreve Serpentário como uma mistura de folclore, mitologia, cultura pop, ficção científica e horror.

Do livro para animações, séries e videogames

A carreira de Felipe Castilho expandiu-se progressivamente para outras formas de narrativa. Em 2020, criou e escreveu Carenteners, série realizada para a Warner Channel em parceria com Huuru e Bezerra Filmes. Também trabalhou em roteiros e projetos associados a Free Fire, incluindo animações e motion comics produzidos para diferentes campanhas e personagens do jogo.

O site do autor lista trabalhos audiovisuais ligados a Free Fire entre 2020 e 2023 e informa que Castilho continuou atuando profissionalmente com narrativa para games. Essa experiência reforça uma característica já presente desde O Legado Folclórico: videogames não aparecem em sua trajetória somente como referências da cultura pop, mas também como um meio no qual passou efetivamente a escrever.

Sua produção recente continua cruzando formatos. A página oficial registra livros, histórias em quadrinhos, projetos independentes, coletâneas, animações e trabalhos para propriedades maiores, enquanto a Buzz Editora o apresenta como roteirista que já escreveu para DC Comics, Turma da Mônica, Ordem Paranormal e Free Fire.

Um autor que também trabalha de forma independente

Apesar da participação em grandes editoras e franquias, Castilho mantém uma produção independente paralela. Seu site registra uma campanha recorrente de financiamento coletivo através da qual publica quadrinhos e contos para apoiadores, além de projetos lançados fora das grandes casas editoriais.

Essa convivência entre mercado tradicional e financiamento direto permite experimentar formatos que talvez não encontrassem imediatamente espaço em catálogos comerciais. Trabalhos como Guarás: A Outra Margem e o zine Quadrinhos é ou não é literatura? aparecem nesse caminho, enquanto outros projetos são desenvolvidos em colaboração com artistas com quem o autor já trabalhou anteriormente.

A recorrência dessas parcerias também é característica de sua produção em quadrinhos. Tainan Rocha, por exemplo, aparece em projetos separados por uma década, de Imagine Zumbis na Copa até Joker: The World. Em vez de tratar cada mídia como uma carreira independente, Castilho construiu uma trajetória em que literatura, HQs e audiovisual frequentemente compartilham colaboradores e maneiras de pensar narrativa.

Influências e maneira de escrever

Castilho cita influências bastante variadas, o que ajuda a compreender a mistura presente em seus livros. Além de J. R. R. Tolkien, cuja publicação brasileira de O Senhor dos Anéis teve importância na adolescência, já mencionou autores como Mário Prata, Douglas Adams e André Vianco, além de quadrinistas e roteiristas como Neil Gaiman e Alan Moore.

A presença de Mário Prata e Douglas Adams é especialmente reveladora porque ajuda a afastar sua fantasia de uma solenidade constante. Humor, ironia e cultura popular convivem com mortes, opressão, monstros e temas sociais, mesmo em obras cujo tom geral é muito mais sombrio. Serpentário, por exemplo, possui uma história marcada pelo trauma, mas conserva momentos de humor e referências culturais que impedem o texto de assumir uma gravidade uniforme.

Outra característica está na utilização de linguagens provenientes de mídias diferentes. A experiência com quadrinhos favorece cenas construídas visualmente; jogos contribuem para sua familiaridade com mundos, regras e progressão; a literatura oferece espaço para trabalhar interioridade e linguagem com maior duração. Seu percurso profissional acabou levando essa mistura do campo das influências para o próprio trabalho cotidiano.

Trabalhos recentes

Nos últimos anos, Castilho continuou alternando projetos autorais e trabalhos em universos compartilhados. Seu catálogo oficial inclui O Passeador de Fantasmas, publicado pela Buzz Editora em 2025, além de participações nas coletâneas Ordem Paranormal: O Espreitador e Outras Histórias e As Aventuras de Feldon e Alma, ambas listadas pelo autor entre suas publicações de 2025.

Nos quadrinhos, além de Joker: The World, sua página registra participação em MSP 90, com Tainan Rocha, em 2025, ampliando a presença do roteirista em propriedades importantes dos quadrinhos brasileiros e internacionais. A diversidade desses projetos mostra uma carreira que já não pode ser definida apenas pela publicação de romances, embora fantasia, horror e ficção científica continuem formando o centro de seus interesses.

Felipe Castilho e a fantasia brasileira contemporânea

A importância de Felipe Castilho para a fantasia brasileira contemporânea está menos em representar uma única “forma brasileira” de escrever o gênero e mais em demonstrar quantas formas diferentes essa fantasia pode assumir. O Legado Folclórico coloca mitologia nacional e videogames dentro de uma aventura juvenil; Ordem Vermelha utiliza estruturas da fantasia épica para tratar de poder e opressão; Serpentário encontra horror em paisagens e lendas do litoral paulista; seus quadrinhos atravessam desde histórias independentes até personagens mundialmente conhecidos.

Essa produção também ajuda a desfazer uma ideia antiga de que recorrer a referências brasileiras significaria necessariamente escrever apenas sobre folclore de maneira didática. Castilho utiliza o folclore, mas também trabalha ficção científica, distopia, horror, super-heróis, narrativas para games e fantasia épica. Quando figuras tradicionais aparecem, não precisam funcionar como peças de museu: podem participar do mesmo presente em que existem redes digitais, corporações e cultura gamer.

Sua trajetória acompanha ainda uma transformação mais ampla do mercado nacional. Eventos de cultura pop, editoras, financiamento coletivo, quadrinhos independentes e plataformas digitais ampliaram os caminhos disponíveis para autores de gênero, e Castilho transitou por praticamente todos esses espaços. O escritor que começou publicando contos e trabalhando em livraria passou a escrever romances, HQs, animações, séries e games sem abandonar a literatura que iniciou esse percurso.

O elemento que costura essas frentes é uma compreensão ampla do fantástico. Para Castilho, fantasia brasileira não precisa significar escolher entre Tolkien e Câmara Cascudo, entre videogames e histórias transmitidas oralmente ou entre uma grande franquia internacional e acontecimentos históricos locais. Sua obra frequentemente parte justamente do encontro entre essas referências, usando gêneros consolidados para contar histórias que reconhecem o lugar de onde estão sendo escritas.

Principais obras

Entre os livros mais importantes de Felipe Castilho estão a trilogia O Legado Folclórico, formada por Ouro, Fogo & Megabytes (2012), Prata, Terra & Lua Cheia (2013) e Ferro, Água & Escuridão (2015); a duologia Ordem Vermelha, composta por Filhos da Degradação (2017) e Crianças do Silêncio (2023); e o romance Serpentário (2019). Seu catálogo recente inclui ainda O Passeador de Fantasmas, publicado em 2025.

Nos quadrinhos, destacam-se Imagine Zumbis na Copa, Savana de Pedra, Desafiadores do Destino: Disputa por Controle, O Horror de Dunwich, Guarás: A Outra Margem, Cara/Coroa e sua participação na antologia internacional Joker: The World / Coringa: O Mundo. A produção se completa com contos, coletâneas, roteiros audiovisuais e trabalhos de narrativa para videogames.

Acesse o site oficial do autor


Fontes consultadas:

  • CASTILHO, Felipe — “Sobre”. Site oficial do autor. Fonte principal para biografia, formação, trajetória profissional, publicações, atividades em quadrinhos, audiovisual e games.
  • CASTILHO, Felipe — “Livros”. Site oficial do autor. Referência para a bibliografia atualizada, incluindo O Legado Folclórico, Ordem Vermelha, Serpentário e O Passeador de Fantasmas.
  • CASTILHO, Felipe — “Quadrinhos”. Site oficial do autor. Utilizado para projetos como Savana de Pedra, Guarás: A Outra Margem, Cara/Coroa, Joker: The World e MSP 90.
  • Editora Intrínseca — “Felipe Castilho”. Perfil editorial e apresentação da trajetória do escritor.
  • Editora Intrínseca — “Conheça Ordem Vermelha, primeiro livro de fantasia nacional da Intrínseca!”. Referência para a criação do projeto em parceria com a CCXP, Untherak e o desenvolvimento de Filhos da Degradação.
  • Editora Intrínseca — “Serpentário”. Fonte para publicação, premissa e combinação entre folclore, mitologia, cultura pop, ficção científica e horror.
  • Geeks United — “Entrevista com Felipe Castilho, autor de Serpentário”. Utilizada para influências literárias, começo da carreira, pesquisa de folclore, concepção de Serpentário e reflexões do autor sobre fantasia brasileira.
  • Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo — Viagem Literária. Referência institucional para sua atuação como escritor, roteirista e participante de programas de formação de leitores.
  • Prêmio Jabuti — registros e materiais relativos às edições de 2017 e 2020. Referência para o reconhecimento de Savana de Pedra e Serpentário.
  • DC Comics — Joker: The World. Fonte para a antologia internacional publicada em 2024 e para a participação da equipe brasileira.
  • Panini Comics — Coringa: O Mundo. Referência para a edição brasileira e os créditos de Felipe Castilho, Tainan Rocha e Mariane Gusmão.
  • Buzz Editora — “Felipe Castilho”. Referência para a produção recente e trabalhos em DC Comics, Turma da Mônica, Ordem Paranormal e Free Fire.

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