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Séries

5 episódios essenciais de American Horror Story para entrar na 13ª temporada

Depois de mais de uma década trocando de época, cenário e personagens praticamente a cada ano, American Horror Story chegou à 13ª temporada carregando uma história muito maior do que a proposta original de uma antologia poderia sugerir. A princípio, cada temporada parecia destinada a funcionar de maneira independente, com os mesmos atores retornando para interpretar pessoas completamente diferentes. Aos poucos, porém, personagens começaram a atravessar histórias, lugares reapareceram e acontecimentos de uma temporada passaram a ajudar a explicar outra. Apocalypse, em 2018, transformou essas conexões em parte central da trama, e desde então a ideia de um universo compartilhado deixou de ser apenas uma brincadeira para fãs.

A nova temporada aproveita justamente esse passado. A própria FX apresenta AHS: 13 destacando o retorno de personagens conhecidos e a colisão entre histórias anteriores, enquanto Sarah Paulson descreveu oficialmente o novo ano como uma temporada na qual personagens do passado retornam e diferentes tramas se encontram. Os três primeiros episódios estrearam em 24 de setembro, e o material promocional já deixa claro que a série não pretende tratar sua história anterior apenas como referência escondida. FX

Isso torna uma revisão completa de American Horror Story tentadora, mas são doze temporadas anteriores e mais de uma centena de episódios. Em vez disso, escolhemos cinco capítulos que ajudam a recuperar momentos importantes da construção desse universo e algumas das personagens que fizeram a série chegar até aqui. Não são necessariamente os cinco melhores episódios de AHS, nem uma tentativa de resumir tudo o que aconteceu. São episódios que mostram muito bem como uma antologia originalmente formada por histórias separadas começou a criar memória própria.

1. “Pilot” — Murder House, episódio 1

Vivien e Ben Harmon em uma cena do episódio Pilot de American Horror Story.

AMERICAN HORROR STORY: L-R: Connie Britton as Vivien Harmon and Dylan McDermott as Ben Harmon in AMERICAN HORROR STORY airing on FX. CR: Robert Zuckerman.

Voltar ao primeiro episódio de American Horror Story depois de tudo o que aconteceu na série produz uma sensação bastante diferente daquela de assistir ao capítulo em 2011. Murder House ainda não era chamada assim, porque não existia outra temporada da qual precisasse ser diferenciada, e a ideia de que personagens apresentados ali continuariam importantes quinze anos depois provavelmente não fazia parte das expectativas de ninguém. O episódio simplesmente acompanha os Harmon chegando a Los Angeles depois de uma crise familiar e encontrando uma casa antiga que parece oferecer a oportunidade de recomeçar. Naturalmente, eles ainda não sabem que compraram um lugar cuja história é consideravelmente mais complicada do que a corretora resolveu contar.

É também nesse primeiro capítulo que aparecem Constance Langdon e Tate, dois personagens que rapidamente deixam claro como American Horror Story pretendia tratar seus habitantes. Constance, interpretada por Jessica Lange, é invasiva, desagradável e ao mesmo tempo difícil de ignorar, enquanto Tate surge inicialmente como um paciente de Ben Harmon antes de sua relação com Violet assumir importância cada vez maior. A casa vai revelando aos poucos seus antigos moradores e suas mortes, mas o episódio evita explicar imediatamente quem pertence ao presente, quem pertence ao passado e quais regras determinam essa convivência.

Muita coisa que depois se tornaria familiar já está funcionando aqui: a mistura de melodrama familiar com horror, a sexualidade usada de maneira deliberadamente desconfortável, personagens moralmente complicados e um cenário que guarda décadas de histórias anteriores à chegada dos protagonistas. Até a maneira de filmar é imediatamente reconhecível, com cortes rápidos, movimentos bruscos e pequenas imagens perturbadoras interrompendo cenas aparentemente normais. Alguns desses excessos envelheceram melhor do que outros, mas ajudam a entender por que a série chamou tanta atenção quando apareceu.

Rever “Pilot” hoje é particularmente útil porque Murder House nunca permaneceu confinada à primeira temporada. A casa e seus habitantes voltaram a ser importantes em Apocalypse, e personagens ligados à família Langdon continuaram ocupando posições centrais dentro da cronologia compartilhada. Se a ideia é recuperar rapidamente de onde saiu boa parte do universo que AHS: 13 está voltando a explorar, ainda faz sentido começar exatamente onde a série começou.

2. “Madness Ends” — Asylum, episódio 13

Dois personagens conversando à mesa em uma cena de Madness Ends, de American Horror Story.

Escolher um único episódio de Asylum é difícil porque a temporada funciona muito mais como uma trajetória acumulativa do que como uma sucessão de histórias independentes. Briarcliff reúne tantas linhas narrativas — o tratamento dado aos pacientes, os experimentos de Arthur Arden, a presença de Bloody Face, a relação entre religião e repressão, além dos elementos sobrenaturais — que praticamente qualquer capítulo isolado deixa alguma coisa importante de fora. Mesmo assim, “Madness Ends” é uma escolha especialmente interessante porque mostra onde todo aquele horror acaba deixando seus personagens.

Lana Winters é o centro desse encerramento. Quando chegou a Briarcliff, ela era uma jornalista determinada a investigar o local e acabou presa dentro da instituição que pretendia expor, atravessando uma sucessão de experiências que modificaram completamente sua vida. No episódio final, encontramos uma Lana muito distante daquela mulher apresentada no começo da temporada, agora lidando com as consequências de suas escolhas e com a maneira como transformou sua própria história em carreira. A personagem continua sendo sobrevivente, mas Asylum não simplifica essa sobrevivência como se ela tivesse saído de tudo aquilo sem contradições.

Sister Jude percorre um caminho igualmente importante. Jessica Lange começa a temporada como a autoridade quase absoluta de Briarcliff, uma mulher que participa ativamente da violência institucional enquanto acredita estar defendendo uma determinada ordem moral. A inversão sofrida pela personagem ao longo dos episódios é enorme, e “Madness Ends” finalmente permite observar o que restou dela depois que o poder desapareceu. É um encerramento que funciona justamente porque não tenta apagar aquilo que Jude fez, mas também não reduz a personagem à função que ocupava no início.

Esse lado dramático ajuda a entender por que Asylum continua aparecendo com tanta frequência entre as temporadas mais lembradas da série. Sarah Paulson e Jessica Lange têm personagens muito maiores do que os acontecimentos grotescos que as cercam, e o episódio final reserva espaço suficiente para que essas trajetórias terminem sem depender de mais uma grande reviravolta. A FX continua identificando Lana Winters, Sister Jude, Kit Walker, Mary Eunice e os demais personagens como o núcleo central da temporada, e a importância dessas interpretações ficou ainda maior à medida que o elenco passou a retornar repetidamente à franquia. FX

Para uma revisão antes da 13ª temporada, “Madness Ends” serve menos como preparação para uma informação específica e mais como lembrança de uma fase fundamental de AHS. A série costuma ser associada às imagens exageradas e aos personagens excêntricos, mas seus melhores momentos quase sempre funcionaram porque havia alguma trajetória humana sustentando o horror. Asylum talvez seja o exemplo mais claro disso.

3. “The Seven Wonders” — Coven, episódio 13

Personagens em uma sala durante uma cena de The Seven Wonders, de American Horror Story.

Coven ocupa um lugar diferente dentro de American Horror Story. Enquanto Murder House criou a base e Asylum mostrou quanto a série poderia ampliar sua fórmula, a terceira temporada introduziu um conjunto de personagens que acabou se tornando recorrente. Cordelia, Madison Montgomery, Queenie, Misty Day, Myrtle Snow e Marie Laveau deixaram de pertencer apenas à história exibida em 2013 e voltaram a aparecer ou ganhar importância em outras partes da franquia. É difícil falar do universo compartilhado de AHS sem passar pela Academia de Miss Robichaux.

“The Seven Wonders” encerra a temporada com a escolha de uma nova Suprema. Depois de uma história inteira marcada pela disputa de poder entre Fiona Goode e as mulheres ao seu redor, as jovens bruxas precisam realizar as Sete Maravilhas, uma sequência de habilidades que teoricamente permitiria identificar quem possui os poderes necessários para liderar o Coven. A estrutura transforma o último episódio numa espécie de prova, mas aquilo que realmente está sendo resolvido são as relações construídas desde o começo da temporada.

Cordelia é fundamental nesse processo. Durante boa parte de Coven, ela vive sob a influência de Fiona, tentando administrar uma instituição que está em crise enquanto sua própria autoridade é constantemente questionada. O episódio final reorganiza essa dinâmica e estabelece a posição que a personagem ocupará quando a série decidir retornar às bruxas anos depois. Sarah Paulson interpreta Cordelia como alguém muito diferente de Lana Winters, e a distância entre as duas personagens também ajuda a entender por que o elenco recorrente se tornou uma característica tão importante de American Horror Story.

O capítulo ainda concentra algumas das maiores qualidades e alguns dos excessos típicos de Coven. Há mortes, retornos, disputas pessoais e soluções bastante rápidas para problemas que a temporada passou episódios construindo, mas tudo isso ocorre dentro de um universo que já havia conquistado personalidade própria. As bruxas não ficaram populares apenas pelos poderes; suas relações, alianças instáveis e rivalidades fizeram com que fossem lembradas mesmo depois que a história terminou. A formação principal da temporada inclui Jessica Lange como Fiona, Sarah Paulson como Cordelia, Angela Bassett como Marie Laveau, Emma Roberts como Madison, Gabourey Sidibe como Queenie e Lily Rabe como Misty Day. FX

Se hoje parece natural imaginar personagens de Coven entrando novamente em AHS, isso acontece porque a série já fez esse movimento antes. “The Seven Wonders” é importante justamente por definir várias das posições que seriam retomadas em Apocalypse e por mostrar a temporada que mais claramente deixou um grupo de personagens disponível para histórias futuras.

4. “Devil’s Night” — Hotel, episódio 4

Personagens reunidos à mesa em uma cena de Devil’s Night, de American Horror Story.

Hotel talvez seja a temporada em que o gosto de American Horror Story pelo excesso aparece de maneira mais explícita. O Hotel Cortez reúne corredores intermináveis, quartos escondidos, assassinatos, fantasmas e personagens que tratam aquele lugar como se fosse ao mesmo tempo residência, prisão e palco. Lady Gaga recebe naturalmente boa parte da atenção como Condessa, mas um dos personagens que melhor representam a história do hotel é James Patrick March, interpretado por Evan Peters.

“Devil’s Night” coloca March no centro. Durante a noite de Halloween, o detetive John Lowe é convidado para um jantar organizado pelo antigo proprietário do Cortez e descobre quem costuma participar daquela reunião. A sequência utiliza assassinos reais como personagens dentro da ficção da temporada, uma escolha que pode ser discutida por vários motivos, mas que combina perfeitamente com a vontade de Hotel de ultrapassar constantemente o limite do mau gosto. O episódio não tenta transformar March numa figura ambígua ou incompreendida: ele é um assassino que enxerga violência quase como uma forma de arte e recebe seus convidados com a cordialidade de alguém promovendo uma reunião social perfeitamente comum.

Evan Peters vinha interpretando personagens bastante diferentes até aquele momento. Tate, Kit Walker, Kyle Spencer e Jimmy Darling tinham graus variados de violência e sofrimento, mas March permitiu ao ator abraçar um personagem abertamente teatral e cruel. O sotaque artificial, a postura e o humor macabro fazem parte de uma atuação propositalmente exagerada, adequada a um hotel que parece existir fora de qualquer medida normal. A FX ainda lista March como o personagem de Peters em Hotel, ao lado de figuras como a Condessa, Iris, Ramona Royale, Sally McKenna e Liz Taylor. FX

“Devil’s Night” também funciona muito bem como episódio isolado. Mesmo sem lembrar cada detalhe da investigação de John ou das relações da Condessa, é possível acompanhar a chegada ao jantar e entender rapidamente quem March é. Isso faz diferença numa lista como esta, porque nem todo mundo pretende reassistir temporadas inteiras antes de começar a nova.

Além disso, o episódio representa uma parte importante da identidade que AHS construiu fora de suas conexões narrativas. Nem tudo precisa fazer parte de uma mitologia rigorosamente organizada. Há momentos em que a série simplesmente encontra uma ideia grotesca, reúne personagens igualmente exagerados e explora aquela situação durante um episódio. Hotel fez isso mais do que qualquer outra temporada, e “Devil’s Night” continua sendo um bom exemplo.

5. “Return to Murder House” — Apocalypse, episódio 6

Personagem junto a uma escadaria em Return to Murder House, de American Horror Story.

Se fosse necessário escolher apenas um episódio para entender por que a 13ª temporada pode reunir personagens de histórias tão diferentes sem parecer uma mudança completa de proposta, seria “Return to Murder House”. Apocalypse começou como uma temporada sobre um mundo destruído e gradualmente revelou sua ligação direta com Coven, mas o sexto episódio foi além: Madison Montgomery e Behold Chablis entram na casa da primeira temporada para investigar a origem de Michael Langdon e encontram vários personagens que não apareciam havia anos.

O retorno funciona porque não se limita a mostrar rostos conhecidos por alguns segundos. A história de Michael exige compreender o que aconteceu na casa, e isso permite que o episódio retome Constance, Tate, Violet, Moira e outros personagens dentro de uma narrativa que pertence a Apocalypse. O passado de Murder House deixa de ser referência e passa a fornecer informações necessárias para a história atual. Para uma série que começou vendendo a ideia de temporadas independentes, é uma mudança considerável.

Há também um prazer evidente em retornar àquele cenário depois de sete anos. A casa é praticamente reproduzida como os espectadores lembravam, enquanto personagens que pareciam ter encerrado suas trajetórias recebem novas cenas. Nem todas as decisões tomadas pelo episódio são igualmente interessantes, especialmente quando ele tenta resolver relações que haviam terminado de maneira muito mais amarga na primeira temporada, mas o capítulo demonstra uma coisa que seria fundamental dali em diante: American Horror Story já tinha passado suficiente para começar a utilizá-lo como parte ativa das histórias novas.

“Return to Murder House” também marca a estreia de Sarah Paulson como diretora na série. Ela já era uma das figuras mais associadas a AHS naquele momento, e assumir a direção justamente do episódio responsável por juntar dois de seus universos mais populares torna o capítulo ainda mais representativo dessa fase. Mais importante do que a curiosidade de bastidor, porém, é o resultado narrativo: Murder House e Coven deixam definitivamente de parecer histórias que apenas aconteceram no mesmo mundo e passam a participar de uma mesma trama.

Esse é provavelmente o episódio que conversa de maneira mais direta com AHS: 13. A FX está promovendo o novo ano justamente pela volta de personagens conhecidos, e Sarah Paulson afirmou no podcast oficial da temporada que personagens anteriores retornam enquanto diferentes linhas narrativas se encontram. FX Aquilo que Apocalypse fez ao reunir duas temporadas agora pode ser explorado em uma escala muito maior.

Por onde voltar a American Horror Story

Esses cinco episódios não resumem American Horror Story, e seria impossível fazer isso sem deixar de fora partes importantes da série. Freak Show, Roanoke, Cult, 1984, Double Feature, NYC e Delicate não aparecem aqui, embora cada uma tenha contribuído de alguma maneira para a transformação da franquia. A seleção parte de outro critério: recuperar momentos que ajudam a entender personagens recorrentes e, principalmente, a passagem de uma antologia formada por histórias independentes para uma série cada vez mais confortável em revisitar o próprio universo.

Esse caminho também mostra diferentes fases de AHS. “Pilot” apresenta a série antes que qualquer fórmula estivesse estabelecida; “Madness Ends” mostra a força que ela encontrou no desenvolvimento de personagens; “The Seven Wonders” encerra uma temporada que continuaria sendo reutilizada muitos anos depois; “Devil’s Night” representa o gosto pelo grotesco e pelo exagero que se tornou parte inseparável de sua identidade; e “Return to Murder House” finalmente coloca temporadas diferentes dentro da mesma história.

A 13ª temporada estreou em 24 de setembro com três episódios disponibilizados de uma vez, e a FX confirma que novos capítulos seguem às quintas-feiras. A apresentação oficial também assume sem rodeios que parte do elenco retorna interpretando personagens favoritos do público, o que torna esse olhar para trás mais útil do que em temporadas anteriores. FX Para quem acompanhou American Horror Story durante anos, estes cinco episódios funcionam como uma lembrança rápida de alguns dos caminhos que trouxeram a série até aqui; para quem deixou temporadas pelo caminho, ajudam a reorganizar uma mitologia que ficou bem maior do que parecia possível quando a família Harmon abriu pela primeira vez a porta daquela casa.

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